Detalhe de cena de A bruxa

Detalhe de cena de A bruxa

2016, entre sinistro e sublime

No cinema

30.12.16

Num ano de gran­des trau­mas no Brasil e no mun­do, o cine­ma, se não ser­viu para con­ser­tar nada, ao menos nos aju­dou a man­ter agu­ça­dos o olhar e a sen­si­bi­li­da­de. Atendo-nos aos títu­los lan­ça­dos no cir­cui­to comer­ci­al, alguns vete­ra­nos fun­da­men­tais (Bellocchio, Verhoeven, Almodóvar, Clint Eastwood, Woody Allen) mar­ca­ram pre­sen­ça, ao lado de estre­an­tes pro­mis­so­res, como Robert Eggers, do sur­pre­en­den­te A bru­xa.

Uma boa nova foi o espa­ço con­ce­di­do, nas bor­das do cir­cui­to, para cine­as­tas de difí­cil comer­ci­a­li­za­ção, pela dura­ção de seus fil­mes ou pela radi­ca­li­da­de de sua esté­ti­ca, como o fili­pi­no Lav Diaz (Norte, o fim da his­tó­ria e Do que vem antes, o tai­lan­dês Apichatpong Weerasethakul (Cemitério do esplen­dor), o hún­ga­ro Béla Tarr (O cava­lo de Turim) e o chi­nês Hou Hsiao-Hsien (A assas­si­na).

O cine­ma bra­si­lei­ro foi domi­na­do por duas obras de gran­de reper­cus­são inter­na­ci­o­nal, ambas pro­du­zi­das em Pernambuco: Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, e Boi néon, de Gabriel Mascaro. Mas hou­ve tam­bém uma curi­o­sa con­so­li­da­ção de um gêne­ro, o ter­ror, por obra de estre­an­tes como Rodrigo Gasparini e Dante Vescio (O dia­bo mora aqui) e de vete­ra­nos como Walter Lima Jr. (Através da som­bra), além da já qua­se espe­ci­a­lis­ta Juliana Rojas (Sinfonia da necró­po­le).

Para sim­pli­fi­car, e para aten­der ao gos­to dos tem­pos atu­ais por lis­tas de “melho­res do ano”, rela­ci­o­no abai­xo, sem ordem de pre­fe­rên­cia, dez pro­du­ções estran­gei­ras e dez naci­o­nais que me toca­ram de algu­ma manei­ra em 2017, entre as lan­ça­das em nos­sos cine­mas. Podem não ser os melho­res, mas são os que fica­ram e fica­rão na minha memó­ria. Escrevi sobre a mai­o­ria deles no Blog do IMS.

Estrangeiros

800elle

Elle, de Paul Verhoeven

As mil e uma noi­tes, de Miguel Gomes

Belos sonhos, de Marco Bellocchio

Julieta, de Pedro Almodóvar

800bruxa

A bru­xa, de Robert Eggers

No fim do túnel, de Rodrigo Grande

O abra­ço da ser­pen­te, de Ciro Guerra

800louder

Mais for­te que bom­bas, de Joachin Trier

Sully, de Clint Eastwood

Os oito odi­a­dos, de Quentin Tarantino

Nacionais

800aquarius

Aquarius, de Kleber Mendonça Filho

Boi néon, de Gabriel Mascaro

Cinema novo, de Eryk Rocha

800amada

Para minha ama­da mor­ta, de Aly Muritiba

Mãe só há uma, de Anna Muylaert

Ralé, de Helena Ignez

Sinfonia da necró­po­le, de Juliana Rojas

800diabo

O dia­bo mora aqui, de Rodrigo Gasparini e Dante Vescio

Mate-me por favor, de Anita Rocha da Silveira

Ponto zero, de José Pedro Goulart

 

Outros fil­mes bra­si­lei­ros lan­ça­dos em 2016 e mui dig­nos de lem­bran­ça: Big Jato (Claudio Assis), Futuro junho (Augusta Ramos), O silên­cio do céu (Marco Dutra), Campo Grande (Sandra Kogut), Exilados do vul­cão (Paula Gaitán), Trago comi­go (Tata Amaral), Curumim (Marcos Prado), Menino 23 (Belisário Franca) e Brasil S/A (Marcelo Pedroso), entre mui­tos outros. Enfim, o ano pode ter sido sinis­tro na polí­ti­ca, mas foi belo e mul­ti­fa­ce­ta­do nas telas.

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