A desordem das gerações — quatro perguntas a Alejandro Zambra

Quatro perguntas

22.05.12

Poeta e fic­ci­o­nis­ta nas­ci­do em Santiago, Chile, no ano de 1975, Alejandro Zambra é autor do roman­ce Bonsai, recen­te­men­te lan­ça­do no Brasil pela CosacNaify. Bonsai, adap­ta­do para o cine­ma por Cristián Jiménez, con­ta a his­tó­ria de um jovem casal cuja rela­ção é pon­tu­a­da pelas lei­tu­ras que fazem a dois — de Macedonio Fernández a Marcel Proust. Zambra é um dos con­vi­da­dos da FLIP 2012, onde divi­di­rá uma mesa com o cata­lão Enrique Vila-Matas. O autor chi­le­no res­pon­deu a qua­tro per­gun­tas do Blog do IMS acer­ca da lite­ra­tu­ra lati­no-ame­ri­ca­na con­tem­po­râ­nea e do roman­ce Bonsai.

O escritor chileno Alejandro Zambra

O escri­tor chi­le­no Alejandro Zambra

1)  Como você enxer­ga a rela­ção entre a lite­ra­tu­ra bra­si­lei­ra e a lite­ra­tu­ra lati­no-ame­ri­ca­na escri­ta em espa­nhol? A nova lite­ra­tu­ra bra­si­lei­ra é lida no Chile?

A lite­ra­tu­ra bra­si­lei­ra me inte­res­sa, sem­pre me inte­res­sou. De acor­do com Borges, temos a ten­dên­cia de exa­ge­rar a dife­ren­ça entre os paí­ses. Eu con­cor­do com isso, mas tam­bém gos­to de conhe­cer essas dife­ren­ças, cha­fur­dar nelas. E já entre a lite­ra­tu­ra chi­le­na e a peru­a­na há um mun­do de dife­ren­ças. Quanto ao Brasil, cada pala­vra que vocês falam me pare­ce tão pró­xi­ma e tão diver­ti­da­men­te dis­tan­te. Minha escri­to­ra favo­ri­ta de qual­quer lín­gua é Clarice Lispector, e há mui­tos escri­to­res bra­si­lei­ros que me inte­res­sam, de João Gilberto Noll a auto­res mais jovens, como Adriana Lisboa e João Paulo Cuenca.

2) Você não acha que há um ris­co de per­der o con­ta­to com o lei­tor comum ao usar tan­tas refe­rên­ci­as a livros e outros escri­to­res?

Não. E não acho que um escri­tor deva se pre­o­cu­par com per­der ou ganhar lei­to­res. Não se escre­ve para isso.

3) Em Bonsai, um con­to de Macedonio Fernández é mui­to rele­van­te para o enre­do. O escri­tor argen­ti­no foi impor­tan­te em sua for­ma­ção inte­lec­tu­al e lite­rá­ria?

A lite­ra­tu­ra argen­ti­na, de modo geral. E Macedonio espe­ci­fi­ca­men­te, que é meu autor favo­ri­to em um a cada dois anos: em um ano, ado­ro ele; no ano seguin­te, não gos­to nem um pou­co. É mara­vi­lho­so e insu­por­tá­vel.

4) Você está entre os escri­to­res esco­lhi­dos como “os melho­res jovens escri­to­res de América Latina” pela Granta. Você acha que se pode falar de uma “nova cena lite­rá­ria” for­ma­da por esses jovens?

Sim e não. O caso da Granta é cir­cuns­tan­ci­al e com cer­te­za pode­ri­am ter fei­to outra lis­ta igual­men­te boa com outros 22 nomes. Tenho coi­sas em comum com escri­to­res de minha gera­ção, mas tam­bém com os das gera­ções ante­ri­o­res e seguin­tes. Acho que esta­mos em um momen­to libe­ra­dor, cheio de ten­dên­ci­as dife­ren­tes, anti­canô­ni­co, esti­lis­ti­ca­men­te des­con­cer­tan­te, car­na­va­les­co. Gosto dis­so, e tam­bém gos­to da desor­dem das gera­ções, leio com inte­res­se tan­to os jovens como os mais velhos, tan­to os vivos como os mor­tos.

* Na ima­gem que ilus­tra o post: Alejandro Zambra (Divulgação).

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