A invenção do cinema brasileiro em debate

Cinema

04.08.14

O tema: as rela­ções entre o Modernismo e o cine­ma bra­si­lei­ro. O pro­je­to: abor­dar nova­men­te o assun­to para pro­ble­ma­ti­zar a ver­são domi­nan­te, rea­ti­var a dis­cus­são. “O resu­mo da his­tó­ria é o seguin­te: hou­ve um divór­cio, na déca­da de 1920, segui­do de um casa­men­to na déca­da de 1960. No meio, nada, abs­ti­nên­cia com­ple­ta.” O méto­do: para desen­vol­ver a dis­cus­são, lem­brar o can­ta­dor de Deus e o dia­bo na ter­ra do sol. “Quando se fala em cine­ma, con­vém lem­brar a sábia adver­tên­cia do Cego Júlio: é tudo ver­da­de e ima­gi­na­ção.”

Imaginemos: “A Semana de Arte Moderna não gerou um movi­men­to orgâ­ni­co, mas uma pro­fu­são de mani­fes­tos, obras e auto­res que iri­am rapi­da­men­te tomar rumos dife­ren­tes, às vezes con­tra­di­tó­ri­os”. É ver­da­de, algo assim ocor­reu com o Cinema Novo.

É o que obser­va Paulo Antônio Paranaguá em A invenção do cine­ma bra­si­lei­ro, Modernismo em três tem­pos. “Como o Modernismo, o Cinema Novo foi um movi­men­to cole­ti­vo ao qual foram subor­di­na­das as car­rei­ras indi­vi­du­ais dos rea­li­za­do­res, pelo menos na sua pri­mei­ra fase. Em ambos, coe­xis­tia um pro­je­to esté­ti­co e um pro­je­to ide­o­ló­gi­co, porém, nenhum dos dois foi una­ni­mis­ta: entre 1922 e a déca­da de 1960 a expe­ri­ên­cia dos tota­li­ta­ris­mos esva­zi­ou a ilu­são de una­ni­mi­da­de.”

Paulo lem­bra que Joaquim Pedro de Andrade (Macunaíma, O homem do pau-bra­sil) e Eduardo Escorel (Amar ver­bo intran­si­ti­vo, Chico Antônio, o herói com caráter), duas figu­ras do Cinema Novo mui­to envol­vi­das com o Modernismo, tinham uma fili­a­ção dire­ta com a segun­da gera­ção moder­nis­ta, e comen­ta: “O entre­la­ça­men­to entre o Modernismo e o cine­ma bra­si­lei­ro foi uma ques­tão de trans­mis­são, mas tam­bém de fili­a­ção. Além dos des­do­bra­men­tos ins­ti­tu­ci­o­nais e das lei­tu­ras, fun­ci­o­na­ram os meca­nis­mos afe­ti­vos e inte­lec­tu­ais da ‘famí­lia moder­nis­ta’, uma noção que não se refe­re ape­nas às afi­ni­da­des ele­ti­vas, mas tam­bém aos laços fami­li­a­res no sen­ti­do lite­ral”.

Estas são algu­mas das ques­tões que ali­men­ta­rão o deba­te, no sába­do 9, às 16h15, no Instituto Moreira Salles, com Paulo Antônio Paranaguá, autor do livro A invenção do cine­ma bra­si­lei­ro, Modernismo em três tem­pos (Casa da Palavra/PUC), e Eduardo Escorel. Antes da mesa, às 15h30, será exi­bi­do Chico Antônio, o herói com caráter (1983), de Eduardo Escorel uma con­ver­sa com o can­ta­dor do Rio Grande do Norte que Mário de Andrade conhe­ceu e foto­gra­fou em 1928. 

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