A química dos físicos

Ciência

17.06.16

O Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro abri­ga­rá nes­te domin­go, dia 19, o encon­tro de dois gran­des físi­cos com mui­ta quí­mi­ca. Unidos tan­to pela ami­za­de como tam­bém pelas pes­qui­sas no cam­po da físi­ca quân­ti­ca, o fran­cês Serge Haroche, Prêmio Nobel de Física em 2012 (divi­di­do com o ame­ri­ca­no David Wineland), e o bra­si­lei­ro Luiz Davidovich, pro­fes­sor titu­lar do Instituto de Física da UFRJ e pre­si­den­te da Academia Brasileira de Ciências (ABC), vão con­ver­sar com o jor­na­lis­ta Bernardo Esteves, da revis­ta piauí. O deba­te, pro­mo­vi­do pelo IMS e pela ABC, acon­te­ce­rá às 17h no cine­ma do IMS do Rio, logo após a exi­bi­ção do fil­me Copenhagen (2002), de Howard Davies, que faz um recor­te sobre a par­ce­ria entre outros dois cien­tis­tas, o dina­marquês Niels Bohr e o ale­mão Werner Heisenberg.

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Os físi­cos Luiz Davidovich e Serge Haroche

Os expe­ri­men­tos de Haroche e Davidovich na área da óti­ca quân­ti­ca são con­si­de­ra­dos pas­sos fun­da­men­tais para a cri­a­ção, no futu­ro, de com­pu­ta­do­res super­po­de­ro­sos que vão revo­lu­ci­o­nar o que conhe­ce­mos como inte­li­gên­cia digi­tal. Haroche, que visi­ta o Brasil regu­lar­men­te há mais de 30 anos – sua pri­mei­ra pas­sa­gem pelo país foi em 1983, par­ti­ci­pan­do de um acor­do fir­ma­do entre CNRS (Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França) e o CNPq –, con­quis­tou o Nobel ao lide­rar uma das duas pes­qui­sas (a outra foi coman­da­da por Wineland) sobre mani­pu­la­ção de par­tí­cu­las quân­ti­cas. Um tra­ba­lho extre­ma­men­te deli­ca­do, por­que as par­tí­cu­las cos­tu­mam mudar de esta­do dian­te de sua mera obser­va­ção. Com a cola­bo­ra­ção do cari­o­ca Davidovich – o pri­mei­ro cien­tis­ta a falar de tele­trans­por­te quân­ti­co, num arti­go publi­ca­do em 1993 –, Haroche desen­vol­veu, ao lon­go de 16 anos, uma espé­cie de arma­di­lha óti­ca para cap­tu­rar fótons (par­tí­cu­las de luz) e assim poder ana­li­sá-los com pre­ci­são em seu esta­do natu­ral, sem modi­fi­cá-los.

Daniel Craig (Heisenberg) e Stephen Rea (Bohr) em cena de Copenhagen

Daniel Craig (Heisenberg) e Stephen Rea (Bohr) em cena de Copenhagen

E se as pes­qui­sas sobre inte­ra­ção entre luz e maté­ria desen­vol­vi­das por Haroche – pro­fes­sor da École Polytechnique, da Universidade Pierre e Marie Curie e do Collège de France, e inte­gran­te da Academia de Ciências da França, da Academia Europeia de Ciências e da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos –, e por Davidovich – mem­bro da Academia Mundial de Ciências para o Progresso da Ciência em Países em Desenvolvimento (TWAS) e da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos – podem bene­fi­ci­ar a Humanidade com o desen­vol­vi­men­to de super­com­pu­ta­do­res, entre outros usos para os expe­ri­men­tos, a par­ce­ria entre Bohr e Heisenberg, retra­ta­da em Copenhagen, é lem­bra­da por um resul­ta­do que ain­da assom­bra o mun­do. As pes­qui­sas de ambos aju­da­ram a cri­ar as dire­tri­zes para a cons­tru­ção da bom­ba atô­mi­ca, e isso aca­bou afas­tan­do os dois cien­tis­tas: enquan­to o dina­marquês, já tra­ba­lhan­do nos Estados Unidos, para onde se mudou fugin­do do nazis­mo no con­ti­nen­te euro­peu, aler­tou as auto­ri­da­des ame­ri­ca­nas e ingle­sas sobre os peri­gos de uma bom­ba des­sa mag­ni­tu­de, Heisenberg lide­rou, na Alemanha, o pro­gra­ma de cons­tru­ção do arte­fa­to. Bohr, que se tor­na­ria um mili­tan­te do paci­fis­mo, deci­diu rom­per com o cole­ga ale­mão.

O fil­me, base­a­do na peça homô­ni­ma de Michael Frayn, recons­ti­tui o encon­tro ocor­ri­do entre Bohr (vivi­do por Stephen Rea) e Heisenberg (Daniel Craig) em Copenhagen, em 1941, quan­do a Segunda Guerra cas­ti­ga­va a Europa e os cien­tis­tas já esta­vam sepa­ra­dos pelas dife­ren­ças ide­o­ló­gi­cas, em lados opos­tos do con­fli­to.

Serviço

Exibição do fil­me Copenhagen (2002), de Howard Davies, dia 19, às 17h, segui­do de deba­te com Serge Haroche e Luiz Davidovich. Mediação de Bernardo Esteves.

Os ingres­sos estão esgo­ta­dos.

 

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