Rachel Dolezal/Nkechi Diallo

John Makely/NBC

Rachel Dolezal/Nkechi Diallo

A senhora é afro-americana?

Política

26.06.17

Fez dois anos outro dia que uma das his­tó­ri­as defi­ni­do­ras do nos­so tem­po veio à tona num peque­no jor­nal do inte­ri­or dos Estados Unidos – e a par­tir dali cor­reu mun­do, cau­san­do um furor pou­cas vezes vis­to. Quase simul­ta­ne­a­men­te à publi­ca­ção da maté­ria na qual o obs­cu­ro Coeur D’Alene Press revi­ra­va o pas­sa­do de uma líder do movi­men­to negro e ati­vis­ta pelos direi­tos huma­nos cha­ma­da Rachel Dolezal, um peque­no canal de tele­vi­são pro­cu­rou a moça para uma entre­vis­ta. A con­ver­sa, garan­tiu o repór­ter, nada teria a ver com a his­tó­ria publi­ca­da no jor­nal – a tevê pedia uma decla­ra­ção da ati­vis­ta sobre uma denún­cia de ódio raci­al inves­ti­ga­da pela polí­cia local. Dolezal caiu na arma­di­lha.

O que se seguiu, dis­pa­ran­do a men­ci­o­na­da rea­ção devas­ta­do­ra em esca­la pla­ne­tá­ria, ain­da pode ser assis­ti­do no YouTube. A ver­são inte­gral,  com cer­ca de nove minu­tos, mos­tra o repór­ter ron­dan­do a pre­sa com per­gun­tas inó­cu­as – e o pró­prio micro­fo­ne des­li­ga­do, o que é reve­la­dor – até os segun­dos finais, quan­do, ago­ra em tom audi­vel­men­te agres­si­vo, dá o bote fatal. “A senho­ra é afro-ame­ri­ca­na?”, ata­ca. O efei­to pro­du­zi­do  pela per­gun­ta que não só des­truiu uma repu­ta­ção como, num sen­ti­do um pou­co além do meta­fó­ri­co, aca­bou com uma vida, é qua­se dolo­ro­so demais de se ver repri­sa­do na tela. Três segun­dos de um pâni­co mudo, a expres­são do ros­to con­ge­la­da num esgar, e a entre­vis­ta­da aban­do­na a cena. Era o seu fim, e ela sabia dis­so.

Se uma vida ter­mi­na­va ali, enten­de-se por que Dolezal, antes de com­ple­tar 40 anos, tenha deci­di­do publi­car um pre­co­ce livro de memó­ri­as, In Full Color: Finding My Way in a Black and White World. Em coau­to­ria com Storms Reback, ofe­re­ce sua ver­são da fatí­di­ca entre­vis­ta – repro­du­zi­da cui­da­do­sa­men­te, pas­so a pas­so e com trans­cri­ção pre­ci­sa dos tre­chos rele­van­tes, além de con­tex­tu­a­li­za­da pelos acon­te­ci­men­tos dos dias ime­di­a­ta­men­te ante­ri­o­res (sem­pre segun­do a par­te inte­res­sa­da, cla­ro) –, mas tam­bém pas­sa em revis­ta toda a aci­den­ta­da his­tó­ria de vida que a levou a se apre­sen­tar ao mun­do como aque­la ati­vis­ta que des­mo­ro­nou dian­te da câme­ra e da per­gun­ta fatal de um repór­ter pro­vin­ci­a­no.

Em resu­mo, e para quem ain­da não se lem­brou do caso: Rachel Dolezal é a jovem ame­ri­ca­na bran­ca que cru­zou a fron­tei­ra de raça ado­tan­do cul­tu­ra e visu­al negros, e com isso alcan­çan­do cer­ta pro­e­mi­nên­cia como pre­si­den­te de uma seção local da míti­ca Associação para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP, na sigla em inglês) e inte­gran­te do movi­men­to Black Lives Matter, até ser “des­mas­ca­ra­da” e pas­sar à con­di­ção de pária, tan­to nas comu­ni­da­des onde atu­a­va quan­to entre fami­li­a­res e no lugar de onde saí­ra – uma loca­li­da­de rural no esta­do de Montana.

Nascida numa famí­lia ultrar­re­li­gi­o­sa, Dolezal foi cri­a­da por pais seve­ros que, con­vic­tos de que o mun­do moder­no do con­su­mo era o mal encar­na­do, só admi­ti­am pro­du­zir para a pró­pria sub­sis­tên­cia – e empre­gan­do na peque­na pro­pri­e­da­de fami­li­ar a mão-de-obra dos filhos. No livro que aca­ba de publi­car, a ex-ati­vis­ta, que recen­te­men­te mudou seu nome legal para Nkechi Diallo, des­fia um rosá­rio de hor­ro­res sobre sua infân­cia e ado­les­cên­cia – são tan­tos que, segun­do a obser­va­ção cer­tei­ra do jor­nal inglês The Guardian, che­ga a hora em que o lei­tor pas­sa da empa­tia à des­con­fi­an­ça.

Os deta­lhes todos do cal­vá­rio não podem ser repro­du­zi­dos na impren­sa, tam­pou­co aqui, por cons­ti­tuí­rem uma his­tó­ria de um lado só, e con­ta­da por uma pes­soa con­de­na­da como frau­da­do­ra con­tu­maz. Tendo par­ti­ci­pa­do da ope­ra­ção de “des­mas­ca­ra­men­to”, for­ne­cen­do inclu­si­ve fotos de uma jovem Rachel em sua ver­são loi­ra e sar­den­ta de olhos cla­ros, os pais da moça dizem que só acei­tam dis­cu­tir nos tri­bu­nais a ques­tão de como cri­a­ram a filha – com ela ou qual­quer um que espa­lhe as, segun­do eles, calú­ni­as con­ta­das no livro recém-lan­ça­do.

Mas é irô­ni­co que o pon­to de vira­da na tra­je­tó­ria de Dolezal só tenha acon­te­ci­do por uma deci­são inu­si­ta­da des­ses mes­mos pais, ao lon­go do livro retra­ta­dos como dois faná­ti­cos reli­gi­o­sos, igno­ran­tes e cruéis. É quan­do a famí­lia deci­de ado­tar qua­se que de uma só vez qua­tro cri­an­ças negras que Rachel, então entran­do na ado­les­cên­cia, pare­ce des­per­tar para o que seria sua “essên­cia”. (Na auto­bi­o­gra­fia, o ges­to da ado­ção é des­cri­to como um caso de pato­lo­gia mis­si­o­ná­ria, os pais ten­tan­do alar­de­ar o quan­to eram “bon­zi­nhos”, e em segui­da acu­sa­dos pela auto­ra de supos­tos maus-tra­tos aos quais as cri­an­ças teri­am sido sub­me­ti­das.)

Até che­gar a esse momen­to do per­cur­so, In Full Color se detém em ale­ga­dos sinais pre­co­ces de que a peque­na Rachel tal­vez fos­se um indi­ví­duo “trans” – alguém que se per­ce­be como ten­do nas­ci­do no cor­po “erra­do”, por assim dizer: há capí­tu­los sobre sua insis­tên­cia, na infân­cia, em se dese­nhar como uma meni­na negra, ou sobre a pro­cu­ra de um “novo pai” à medi­da que cres­cia – sem­pre na figu­ra de homens afro-ame­ri­ca­nos –, ou ain­da sobre a obses­são por mudar o cabe­lo para mos­trar sua iden­ti­fi­ca­ção com a cul­tu­ra à qual sonha­va per­ten­cer. (Depois que assu­miu sua iden­ti­da­de negra, Dolezal man­te­ve meti­cu­lo­sa­men­te o novo visu­al à base de pen­te­a­dos afro, nos quais se espe­ci­a­li­zou, bron­ze­a­men­to e maqui­a­gem.)

No entan­to, é a che­ga­da daque­las qua­tro cri­an­ças, três meni­nos e uma meni­na que Dolezal (sem­pre segun­do a pró­pria) aca­bou por cri­ar gran­de par­te do tem­po, que pare­ce desa­tar um pro­ces­so sem vol­ta: a saí­da da casa dos pais rumo ao sul dos Estados Unidos, onde ela fre­quen­tou uma facul­da­de com tra­di­ção em pes­qui­sa e mili­tân­cia vol­ta­das às rela­ções raci­ais; o casa­men­to com um afro-ame­ri­ca­no, pai de seu pri­mei­ro filho; o envol­vi­men­to ini­ci­al com o movi­men­to de mino­ri­as, segui­do de um mes­tra­do em artes na majo­ri­ta­ri­a­men­te negra uni­ver­si­da­de Howard, em Washington D.C., e o come­ço da car­rei­ra aca­dê­mi­ca como pro­fes­so­ra de estu­dos afri­ca­nos; a aco­lhi­da a um dos irmãos ado­ti­vos, que se desen­ten­de­ra com os pais e Dolezal pas­sou a apre­sen­tar como seu filho; por fim, no auge da repu­ta­ção entre os pares e de algu­ma har­mo­nia fami­li­ar, a que­da.

Em mui­tas pas­sa­gens, In Full Color pode soar insu­por­ta­vel­men­te autoin­dul­gen­te, quan­do não res­va­la para a auto­a­ju­da, como seria pre­vi­sí­vel. Sempre pare­ce caber um pou­qui­nho mais de sofri­men­to na his­tó­ria de Dolezal, embo­ra mui­tas vezes a má for­tu­na seja real e até exas­pe­ran­te: em meio ao tur­bi­lhão das reve­la­ções sobre seu pas­sa­do, por exem­plo, a auto­ra des­co­bre que está grá­vi­da do segun­do filho. O livro então inclui um capí­tu­lo inti­tu­la­do “Renascimento”, o qual ter­mi­na com uma espé­cie de men­sa­gem de vida para a cri­an­ça: “Siga sem­pre em fren­te e nun­ca desis­ta”. Em outros momen­tos, por cima da per­cep­ção gene­ra­li­za­da de que há mui­to pas­sou de todos os limi­tes acei­tá­veis em ter­mos de autoi­den­ti­fi­ca­ção raci­al, Dolezal apli­ca ain­da mais uma cama­da de – diri­am alguns – estu­da­da inge­nui­da­de, uma espé­cie de ide­a­lis­mo insa­no: “Se todos os estu­dan­tes fos­sem obri­ga­dos a assis­tir a essas aulas [de “cons­ci­en­ti­za­ção” sobre o “con­cei­to” de raça], a injus­ti­ça raci­al que exis­te na nos­sa soci­e­da­de pode­ria ser erra­di­ca­da no espa­ço de uma ou duas gera­ções”.

Ao mes­mo tem­po, porém, não há como negar que a ex-ati­vis­ta tocou em con­tra­di­ções sen­sí­veis das polí­ti­cas de inclu­são ditas pro­gres­sis­tas. Afinal, não são estra­nhos aos defen­so­res des­sas polí­ti­cas argu­men­tos con­de­na­tó­ri­os do que Dolezal, em seu livro, cha­ma de “cate­go­ri­as raci­ais arcai­cas da soci­e­da­de”, ou sua angus­ti­a­da con­fis­são sobre “não se encai­xar numa só das opções [de raça] de um for­mu­lá­rio do cen­so, mas em algum pon­to inter­me­diá­rio do espec­tro da iden­ti­fi­ca­ção raci­al” – o que pode­ria ser ale­ga­do igual­men­te acer­ca das difi­cul­da­des quan­to à defi­ni­ção de gêne­ro. (A con­de­na­ção dos ati­vis­tas trans­gê­ne­ro a Dolezal foi, a pro­pó­si­to, total e impla­cá­vel.)

Quem lê a his­tó­ria con­ta­da em In Full Color se depa­ra com um fla­gran­te caso omis­so no códi­go de con­du­ta oti­mis­ta do mul­ti­cul­tu­ra­lis­mo, essa inter­pre­ta­ção por vezes autoin­dul­gen­te ela pró­pria, quan­do não fran­ca­men­te deli­ran­te, segun­do a qual have­ria uma supos­ta recei­ta uni­ver­sal para a coa­bi­ta­ção pací­fi­ca da dife­ren­ça – para­do­xal recei­ta, pois pre­ga a inclu­são pela dis­cri­mi­na­ção. Dolezal é o pon­to cego das guer­ras cul­tu­rais, nas quais há deser­ções espe­ra­das e até coe­ren­tes – bran­cos ricos lutan­do por direi­tos de mino­ri­as, negros (ou gays) que se tor­nam poli­ti­ca­men­te con­ser­va­do­res – mas cuja lógi­ca inter­na pare­ce ter colap­sa­do dian­te des­se ines­pe­ra­do cru­za­men­to da fron­tei­ra de raça na dire­ção con­trá­ria daque­la con­ven­ci­o­nal­men­te toma­da por indi­ví­du­os de ascen­dên­cia par­ci­al­men­te negra que ten­tam se apre­sen­tar como bran­cos.

A ousa­dia de Dolezal não che­ga a ser caso úni­co, mas não há regis­tro ante­ri­or de con­ver­são tão con­vic­ta e mili­tan­te – o que nos últi­mos meses empres­tou pro­e­mi­nên­cia, em dis­cus­sões aca­dê­mi­cas e no deba­te públi­co em geral, à ideia de “transr­ra­ci­a­li­da­de”. O pro­fes­sor Rogers Brubaker, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), pen­sa­dor que já havia argu­men­ta­do con­sis­ten­te­men­te acer­ca do fenô­me­no cada vez mais comum das iden­ti­da­des naci­o­nais sem raí­zes étni­cas, ampli­ou a dis­cus­são em tor­no do affair Dolezal com um livro que já nas­ce influ­en­te: Trans: Race and Gender in an Age of Unsettled Identities. “A ances­tra­li­da­de, cada vez mais enten­di­da como mis­tu­ra­da”, argu­men­ta o pro­fes­sor, “foi per­den­do influên­cia quan­do se tra­ta de iden­ti­da­de. E raça e etnia, assim como gêne­ro, pas­sa­ram a ser vis­tos como algu­ma coi­sa que pra­ti­ca­mos, não que pos­suí­mos.” Mas Brubaker não dei­xa de enfa­ti­zar o dile­ma intrín­se­co à autoi­den­ti­fi­ca­ção raci­al: “Claro, raça é tam­bém – e de for­ma cru­ci­al – algu­ma coi­sa que outros nos atri­bu­em, e as opor­tu­ni­da­des de repo­si­ci­o­na­men­to étni­co-raci­al con­ti­nu­am desi­gual­men­te dis­tri­buí­das tan­to entre os gru­pos raci­ais como no inte­ri­or deles.”

Em outras pala­vras, raça, gos­te­mos ou não dis­so, é algo que se defi­ne tam­bém (senão prin­ci­pal­men­te) pelo olhar impla­cá­vel do outro. O Brasil, como de hábi­to, per­cor­re cami­nhos tor­tu­o­sos nes­sa ques­tão: enquan­to os Estados Unidos ensai­am timi­da­men­te a fle­xi­bi­li­za­ção da his­tó­ri­ca divi­são biná­ria entre negros e bran­cos, medi­das supos­ta­men­te vol­ta­das à mai­or equi­da­de de “opor­tu­ni­da­des de repo­si­ci­o­na­men­to étni­co-raci­al” têm se res­sen­ti­do, por aqui, da ausên­cia do bina­ris­mo tipi­ca­men­te nor­te-ame­ri­ca­no como pon­to de par­ti­da. As infin­dá­veis polê­mi­cas em tor­no da autoi­den­ti­fi­ca­ção raci­al para aces­so a cotas em ins­ti­tui­ções públi­cas bra­si­lei­ras dão pro­va des­sa difi­cul­da­de, num país em que o outro de olhar mais impla­cá­vel tem sido, des­de sem­pre, a polí­cia – árbi­tro vio­len­to da defi­ni­ção de raça.

Essa medi­a­ção não se resol­ve por decre­to, infe­liz­men­te. (Também não aju­da mui­to  que o mai­or ído­lo do espor­te mais popu­lar do país tenha, quan­do per­gun­ta­do cer­ta vez sobre racis­mo, se saí­do com a his­tó­ri­ca fra­se: “Nunca [sofri]. Até por­que não sou pre­to, né?”, como decla­rou ale­gre­men­te Neymar.) E se tor­nou um dile­ma visí­vel para outras mino­ri­as no Brasil.

Num dos arti­gos mais ins­ti­gan­tes de uma cole­tâ­nea recém-lan­ça­da, The Crisis of Multiculturalism in Latin America, a antro­pó­lo­ga Véronique Boyer des­ta­ca um con­fli­to no país entre o que cha­ma de “popu­la­ções frá­geis” – as que não encon­tram um mar­ca­dor étni­co-raci­al a que se agar­rar, como os cha­ma­dos ribei­ri­nhos ou cabo­clos da Amazônia, região de estu­do da pes­qui­sa­do­ra fran­ce­sa – e as mino­ri­as cuja iden­ti­da­de étni­co-raci­al é reco­nhe­ci­da, senão com faci­li­da­de, ao menos em prin­cí­pio: caso dos índi­os e dos qui­lom­bo­las, cuja rei­vin­di­ca­ção é ter­ri­to­ri­al, além de iden­ti­tá­ria. Já o movi­men­to negro – nem pura­men­te étni­co-raci­al, nem de luta pela ter­ra – assu­me fei­ção mais cul­tu­ral, na fal­ta de melhor defi­ni­ção; e, com sua atu­a­ção con­cen­tra­da fun­da­men­tal­men­te nas cida­des, per­mi­te a ade­são de indi­ví­du­os de (qua­se) todos os mati­zes, basi­ca­men­te pela via da autoi­den­ti­fi­ca­ção.

O caso Dolezal ganha, por­tan­to, ines­pe­ra­da res­so­nân­cia na com­ple­xa dis­cus­são raci­al bra­si­lei­ra, o que não esca­pou à his­to­ri­a­do­ra Maria Lúcia Pallares-Burke, bió­gra­fa de Gilberto Freyre, em deba­te recen­te na Universidade de Cambridge: “Talvez pudés­se­mos espe­cu­lar sobre a pos­si­bi­li­da­de de os bra­si­lei­ros cla­ros que se que­rem pro­var negros no Brasil de hoje – a fim de rece­be­rem os bene­fí­ci­os que as novas polí­ti­cas afir­ma­ti­vas asse­gu­ram – esta­rem sub­ver­ten­do um sis­te­ma cen­te­ná­rio injus­to que tra­di­ci­o­nal­men­te valo­ri­zou a bran­qui­tu­de”. O pro­ble­ma é defi­nir o que sejam esses bra­si­lei­ros (ou nor­te-ame­ri­ca­nos) “cla­ros”, em opo­si­ção aos sim­ples­men­te “bran­cos”.

Muitas vezes des­pre­za­da como mera bizar­ri­ce, a his­tó­ria de Rachel Dolezal desa­fi­ou todo bom sen­so – e o pouquís­si­mo con­sen­so – nes­sa dis­cus­são. Seu livro de memó­ri­as, ain­da que care­ça de pre­di­ca­dos lite­rá­ri­os, dá mais uma vol­ta ao para­fu­so. Resta saber se, dian­te da into­le­rân­cia emer­gen­te por toda par­te – o caso da ex-ati­vis­ta, é bom lem­brar, veio à tona no que hoje pare­ce outra era, ain­da sob Obama –, um dia não será lem­bra­do tam­bém como o últi­mo pre­go no cai­xão do mul­ti­cul­tu­ra­lis­mo.

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