Aqui em breve: saiba mais sobre o projeto da nova sede do IMS

Em cartaz

03.04.12

O con­cur­so para a esco­lha do pro­je­to para a nova sede do Instituto Moreira Salles em São Paulo é o tema da revis­ta Monolito, que tem lan­ça­men­to esta noi­te na atu­al sede do IMS em São Paulo, no bair­ro de Higienópolis. O con­cur­so foi rea­li­za­do em dezem­bro do ano pas­sa­do e ava­li­ou pro­je­tos apre­sen­ta­dos por seis escri­tó­ri­os de arqui­te­tu­ra bra­si­lei­ros. No vídeo abai­xo, pro­du­zi­do pelo IMS, é pos­sí­vel assis­tir a tre­chos da apre­sen­ta­ção do escri­tó­rio ven­ce­dor, diri­gi­do pelos arqui­te­tos Vinícius Andrade e Marcelo Morettin. Em razão da com­po­si­ção inter­na­ci­o­nal do júri, que incluía o fran­cês Jean-Louis Cohen, o mexi­ca­no Ricardo Legorreta (que fale­ceu logo após o con­cur­so), e os ame­ri­ca­nos Richard Koshalek e Karen Stein, todas as apre­sen­ta­ções foram fei­tas em inglês. A exem­plo do que ocor­reu em dis­pu­ta recen­te pelo pro­je­to do novo MoMa, os arqui­te­tos foram con­vi­da­dos a incluir todos os itens numa cai­xa de madei­ra, a qual deve­ria abri­gar neces­sa­ri­a­men­te foto­mon­ta­gens e uma maque­te na esca­la 1:1200.

Apresentação do pro­je­to ven­ce­dor do novo pré­dio do IMS em São Paulo from IMS — Instituto Moreira Salles on Vimeo.

O júri que esco­lheu o pro­je­to foi orga­ni­za­do pela nova-ior­qui­na Karen Stein, mem­bro do cor­po de jura­dos do Prêmio Pritzker, tido como o Nobel da arqui­te­tu­ra. Ao lado do crí­ti­co bra­si­lei­ro Fernando Serapião, edi­tor da revis­ta Monolito e tam­bém mem­bro da comis­são ava­li­a­do­ra, Karen veio ao Brasil em mea­dos do ano pas­sa­do para con­ver­sar com arqui­te­tos de 15 escri­tó­ri­os. Dessas con­ver­sas ini­ci­ais, saiu a lis­ta dos seis sele­ci­o­na­dos para a com­pe­ti­ção: Una Arquitetos, Arquitetos Associados, Bernardes + Jacobsen, Márcio Kogan, Ângelo Bucci e Andrade Morettin.

No iní­cio do pro­ces­so, a ideia era rea­li­zar um con­cur­so entre arqui­te­tos do mun­do todo.  Com o tem­po, porém, ganhou cor­po o enten­di­men­to de que faria mais sen­ti­do bus­car entre arqui­te­tos bra­si­lei­ros o ide­a­li­za­dor do novo pré­dio, já que o Instituto se tor­nou um mar­co no apoio à cul­tu­ra bra­si­lei­ra. “O novo pro­je­to con­tri­bui para um pro­ces­so de reno­va­ção do IMS, sem dei­xar de lado seu com­pro­mis­so com o rigor e pre­ser­va­ção de acer­vos his­tó­ri­cos”, diz o Superintendente do IMS, o jor­na­lis­ta Flávio Pinheiro. “Desde sua fun­da­ção o IMS tem vín­cu­los com a boa arqui­te­tu­ra — e o con­cur­so dá con­ti­nui­da­de a isso.”

Ao lado de Pinheiro, tam­bém com­pu­nham o júri o diplo­ma­ta e mem­bro do con­se­lho de arqui­te­tu­ra e design do MoMa, André Corrêa do Lago, e  Pedro Moreira Salles, mem­bro do Conselho do IMS, a quem cou­be a tare­fa de pre­si­dir a comis­são ava­li­a­do­ra.  “É par­te da mis­são do IMS des­co­brir arte bra­si­lei­ra, memó­ria bra­si­lei­ra, talen­tos bra­si­lei­ros”, afir­ma Pedro Moreira Salles, que come­çou a ide­a­li­zar o con­cur­so em janei­ro do ano pas­sa­do. “Fiquei mui­to con­ten­te com o pro­ces­so, que per­mi­tiu gran­de inte­ra­ção entre os escri­tó­ri­os e o júri.”

Em entre­vis­ta ao blog do IMS, Karen Stein falou bre­ve­men­te sobre o pro­ces­so de esco­lha dos escri­tó­ri­os e do pro­je­to ven­ce­dor. Karen fri­sa a neces­si­da­de de um con­cur­so des­sa natu­re­za par­tir de uma amos­tra­gem capaz de dar ros­to à nova gera­ção — e não ficar ape­nas nos nomes de mai­or visi­bi­li­da­de. “Queríamos uma reno­va­ção em rela­ção à gera­ção con­sa­gra­da de Oscar Niemeyer e Paulo Mendes da Rocha, conhe­ci­da e res­pei­ta­da por todos há mui­tos anos. E esse con­cur­so mos­trou ao júri que a nova gera­ção de arqui­te­tos bra­si­lei­ros faz uma arqui­te­tu­ra que não fica a dever aos melho­res do mun­do.”

No pro­je­to ven­ce­dor, Karen des­ta­ca a capa­ci­da­de de demo­cra­ti­zar a expe­ri­ên­cia do espa­ço urba­no. Como se pode per­ce­ber nas ima­gens publi­ca­das abai­xo e nos sli­des exi­bi­dos no vídeo, o futu­ro pré­dio do IMS traz para o cen­tro do edi­fí­cio um pro­lon­ga­men­to da cal­ça­da da ave­ni­da Paulista, trans­for­man­do o ter­cei­ro andar, vaza­do, em tér­reo e pon­to de entra­da para as demais áre­as do con­jun­to.

Translúcido, o museu é envol­vi­do por uma segun­da pele — uma espé­cie de enve­lo­pe trans­pa­ren­te — que per­mi­te que do exte­ri­or se visu­a­li­zem as silhu­e­tas das entra­nhas e dos movi­men­tos no inte­ri­or do pré­dio. Além dis­so, o pré­dio dia­lo­ga inten­sa­men­te com o ambi­en­te ao redor e as outras edi­fi­ca­ções cul­tu­rais que estão espa­lha­das pela ave­ni­da. “O pro­je­to do novo pré­dio tor­na o IMS aber­to para o públi­co e o recep­ci­o­na para diver­sas expe­ri­ên­ci­as”, ava­lia Karen.

Flávio Pinheiro res­sal­ta atri­bu­tos seme­lhan­tes: “Admiro a leve­za des­se pro­je­to, seu tra­ços ele­gan­tes, are­ja­dos. Um de seus mai­o­res méri­tos é a fran­que­za com que fala com a rua. É con­vi­da­ti­vo e aber­to para o públi­co.”  Pedro Moreira Salles lem­bra ain­da a inven­ti­vi­da­de das solu­ções apre­sen­ta­das pelos arqui­te­tos. ” É um pro­je­to que trou­xe res­pos­tas a um ter­re­no difí­cil, com­pri­do e com pou­ca área de fren­te”, diz. “Eles tam­bém foram mui­to feli­zes na dis­tri­bui­ção do pro­gra­ma e na esco­lha dos mate­ri­ais.”

O vídeo abai­xo per­mi­te visu­a­li­zar, por fora e por den­tro, os diver­sos ambi­en­tes que coe­xis­ti­rão no museu.

IMS — Instituto Moreira Salles São Paulo from BijaRi on Vimeo.

Karen pre­fe­re não esta­be­le­cer dis­tin­ção de qua­li­da­de entre os pro­je­tos: para o lei­tor que se inte­res­sar, a edi­ção da Monolito traz um tex­to alen­ta­do sobre o pro­ces­so de esco­lha e far­ta cole­ção de ima­gens de cada uma das pro­pos­tas apre­sen­ta­das. Escrito por Serapião, o arti­go ofe­re­ce o pon­to de vis­ta de quem este­ve pre­sen­te no con­cur­so e acom­pa­nhou cada uma das eta­pas. “O pro­je­to per­mi­tia mudan­ças inter­nas sem afe­tar o cará­ter prin­ci­pal, a segun­da pele. Era tudo que o júri espe­ra­va. Sem con­tar que a área expo­si­ti­va, com 1.280 metros qua­dra­dos, era a mai­or entre os con­cor­ren­tes”, afir­ma ele no tex­to de aber­tu­ra da revis­ta.

Nem por isso a deci­são foi sim­ples. Karen Stein lem­bra que todos os pro­je­tos eram inte­res­san­tes e a esco­lha foi difí­cil. “Não é uma ciên­cia — é esco­lher um time para tra­ba­lhar”, diz ela. “Creio que o pro­ces­so foi mui­to impor­tan­te para todos os escri­tó­ri­os, não ape­nas para o ven­ce­dor. Agora, o júri está fami­li­a­ri­za­do com esses tra­ba­lhos e pode haver novas opor­tu­ni­da­des de encon­tro no futu­ro”.

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