José Geraldo Couto

Um país malvado

José Geraldo Couto

14.04.17

“O Brasil é um país malvado”, disse o exibidor Adhemar de Oliveira durante um debate sobre “Aquarius” em São Paulo, há um ano. Dois novos filmes permitem entender – e comprovar – essa frase terrível: o documentário Martírio, de Vincent Carelli, e a ficção Joaquim, de Marcelo Gomes.

O país que poderia ter sido

José Geraldo Couto

07.04.17

Antonio Pitanga é um ator intuitivo, vigoroso, que justifica o clichê “força da natureza”. Como retratar num documentário as várias dimensões desse singular artista? O caminho escolhido pelos diretores Beto Brant e Camila Pitanga foi fazer um filme com Antonio Pitanga, mais do que sobre Antonio Pitanga. Em Pitanga, é o próprio ator que conduz a narrativa.

A terceira margem do rio

José Geraldo Couto

31.03.17

O cinema português é um fenômeno. Mesmo com uma produção relativamente pouco numerosa, conta hoje com pelo menos três dos cineastas mais originais e potentes em atividade no mundo: Miguel Gomes, Pedro Costa e João Pedro Rodrigues, cujo longa-metragem mais recente, O ornitólogo, premiado em Locarno, está entrando em cartaz em cerca de vinte cidades brasileiras. Salvo engano, é o primeiro filme do diretor a ser exibido comercialmente no país.

A doença da imaginação

José Geraldo Couto

24.03.17

Split, o título original de Fragmentado, tem várias traduções possíveis, além da adotada pelos distribuidores brasileiros: cindido, despedaçado, dividido, esfacelado... Todas se aplicam ao esplêndido filme de M. Night Shyamalan que está chegando aos nossos cinemas.

Maloca moderna

José Geraldo Couto

17.03.17

Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé, é, de certa forma, o adendo que faltava ao clássico de Adoniran Barbosa, "Saudosa maloca". Poucos filmes podem ser considerados mais atuais. O que vemos ali é a crônica, entre a ficção e o documentário, do dia a dia de uma “ocupação” no centro de São Paulo, às vésperas da sua “reintegração de posse”, eufemismo para despejo.

Cinema, matéria e espírito

José Geraldo Couto

10.03.17

Apesar de ter conquistado o prêmio de direção em Cannes, Personal shopper, de Olivier Assayas, não foi muito bem recebido pela maior parte da crítica, segundo relatos jornalísticos do festival. Neste caso, vou trafegar na contramão, pois o filme me pareceu no mínimo formidável.

Entre a neve e o fogo

José Geraldo Couto

03.03.17

Premiado com o Oscar de roteiro original, Manchester à beira-mar é um melodrama que, em muitos aspectos, transcende o gênero e ajuda a renová-lo. No atual estágio do cinema hollywoodiano, não é pouca coisa. No filme de Kenneth Lonergan, a tragédia explode em meio à atmosfera melancólica do inverno na praia.

Via-crúcis do corpo

José Geraldo Couto

24.02.17

Uma das proezas do diretor Barry Jenkins é a de encontrar em três atores de idades e aspectos inteiramente diferentes o mesmo olhar de perplexidade, dor e solidão. Esses olhos são o cerne de Moonlight. Depois de tudo, Chiron continua se perguntando quem ou o que é. A ausência de resposta é a beleza maior desse filme surpreendente, que não ignora os condicionamentos sociais, mas também não os vê como um determinismo fatalista e nivelador.

O lugar do negro

José Geraldo Couto

17.02.17

“A história do negro na América é a história da América – e não é uma história bonita.” A frase, dita pelo escritor James Baldwin (1924-87) a certa altura de Eu não sou seu negro, sintetiza muito bem o espírito do esplêndido documentário de Raoul Peck que concorre ao Oscar da categoria.

Risco e controle

José Geraldo Couto

14.02.17

Estão em cartaz dois belos filmes brasileiros que, por seus contrastes, mostram a diversidade de caminhos que o cinema pode seguir, sem que um deles seja necessariamente mais correto ou oportuno do que outro. Estou falando de Redemoinho (foto), estreia cinematográfica do aclamado diretor de minisséries televisivas José Luiz Villamarim (Justiça, Amores roubados), e de A cidade onde envelheço, primeiro longa-metragem de ficção de Marília Rocha, conhecida por ensaios poético-documentais como Aboio e A falta que me faz.