Carrancas no Rio

Em cartaz

12.11.15

A via­gem das car­ran­cas, que abre em 5 de dezem­bro no Instituto Moreira Salles, apre­sen­ta ao públi­co 40 car­ran­cas de cole­ções públi­cas e par­ti­cu­la­res e 42 foto­gra­fi­as de Marcel Gautherot per­ten­cen­tes ao acer­vo do IMS, além de peque­nas escul­tu­ras, um mode­lo de bar­co e docu­men­tos diver­sos. Entre os des­ta­ques da mos­tra, está a figu­ra de proa da len­dá­ria bar­ca Minas Gerais, a mai­or embar­ca­ção que já nave­gou o São Francisco, escul­pi­da por Afrânio – pri­mei­ro escul­tor de car­ran­cas conhe­ci­do, ain­da no fim do sécu­lo XIX. Por oca­sião da aber­tu­ra, às 17h tere­mos uma visi­ta gui­a­da com o cura­dor Lorenzo Mammì.

Desde o iní­cio, as car­ran­cas eram conhe­ci­das pelos tra­ços gro­tes­cos, que se tor­na­ram uma carac­te­rís­ti­ca recor­ren­te do gêne­ro. No entan­to, mui­tas das mais anti­gas são bas­tan­te rea­lis­tas. É o caso de uma série de cabe­ças de leão, de con­tor­nos qua­se clás­si­cos, e da mai­o­ria dos cava­li­nhos, usa­dos geral­men­te em embar­ca­ções meno­res”, expli­ca Lorenzo Mammì, cura­dor da expo­si­ção.

Também faz par­te da expo­si­ção a figu­ra escul­pi­da para a bar­ca Americana por Francisco Biquiba Dy Lafuente Guarany (1882–1985), o escul­tor de car­ran­cas mais conhe­ci­do e res­pei­ta­do do país. Ele come­çou a enta­lhar car­ran­cas em 1905, e essa foi a ter­cei­ra que fez, fina­li­za­da em 1907. Outras car­ran­cas escul­pi­das por ele com­põem a expo­si­ção, incluin­do seis ‘não nave­ga­das’, ou seja, pro­du­zi­das por enco­men­da de cole­ci­o­na­do­res, entre as déca­das de 1950 e 1960.

As fotos de Gautherot, publi­ca­das nas revis­tas O Cruzeiro (1947), Sombra (1951) e Módulo (1955) e no livro Brésil (1950), cha­ma­ram a aten­ção na épo­ca do públi­co e de pes­qui­sa­do­res, pela qua­li­da­de esté­ti­ca das peças e por não haver nada pare­ci­do em outros luga­res do mun­do. A publi­ca­ção des­sas ima­gens e a con­se­quen­te des­co­ber­ta das car­ran­cas inau­gu­rou uma nova fase na ava­li­a­ção e até na cri­a­ção de arte popu­lar no Brasil. Para Lorenzo Mammì, “abor­dar hoje esse assun­to nos cobra o desen­vol­vi­men­to de novos ins­tru­men­tos crí­ti­cos para a ava­li­a­ção des­se tipo de pro­du­ção”.

(Elias Rovielo)

Acompanha a mos­tra um livro edi­ta­do pelo Instituto do Imaginário do Povo Brasileiro, pela Editora Martins Fontes e pelo Instituto Moreira Salles, ampla­men­te ilus­tra­do com ima­gens das car­ran­cas e com a série foto­grá­fi­ca de Marcel Gautherot, além de regis­tros de Hans Gunter Flieg, Pierre Verger e do pes­qui­sa­dor Paulo Pardal. A publi­ca­ção inclui ain­da ensai­os do cura­dor e de Samuel Titan Jr., coor­de­na­dor exe­cu­ti­vo cul­tu­ral do IMS.

A via­gem das car­ran­cas é uma rea­li­za­ção do Instituto do Imaginário do Povo Brasileiro e cor­re­a­li­za­ção do Instituto Moreira Salles e da Pinacoteca do Estado de São Paulo, por onde a mos­tra pas­sou antes de che­gar ao Rio de Janeiro.

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