Eduardo Portella inédito

Literatura

05.05.17

A vida públi­ca de Eduardo Portella (1932–2017), fru­to de sua notó­ria habi­li­da­de polí­ti­ca, eclip­sou em gran­de medi­da o fino inte­lec­tu­al que ele foi.  Por isso é de algu­ma for­ma injus­to que uma fra­se – “Não sou minis­tro. Estou minis­tro”, dis­se no últi­mo dia de seu man­da­to na pas­ta da Educação do gover­no Figueiredo – se sobre­po­nha a uma lon­ga refle­xão que desen­vol­veu, de for­ma bem menos estri­den­te, sobre lite­ra­tu­ra e pen­sa­men­to crí­ti­co. Este Portella era bem conhe­ci­do de quem foi seu alu­no ou por ele ori­en­ta­do. E, tal­vez sem o saber, dos que tive­ram aces­so a auto­res como  Jürgen Habermas, Paul Celan ou Walter Benjamin nas tra­du­ções da Tempo Brasileiro, edi­to­ra que fun­dou em 1962.

Em mais de vin­te livros, o autor de Confluências dedi­cou-se prin­ci­pal­men­te ao ensaio. A for­ma cur­ta e cui­da­do­sa­men­te ina­ca­ba­da ser­via com per­fei­ção a seus múl­ti­plos inte­res­ses inte­lec­tu­ais e, tam­bém, mos­tra­va-se a melhor con­du­to­ra da fina iro­nia indis­so­ciá­vel de seus comen­tá­ri­os, fos­sem eles teó­ri­cos ou mun­da­nos. Leitor oní­vo­ro e entu­si­as­ma­do, foi cul­tor da tra­di­ção e curi­o­so expe­ri­men­ta­dor de novi­da­des. Em tudo e por tudo, era exce­len­te con­ver­sa.

Em junho de 2014, rece­be­mos Portella na sede cari­o­ca do  Instituto Moreira Salles para um depoi­men­to na série Visões da Literatura Brasileira, ain­da iné­di­ta. Entrevistado por Beatriz Resende e Alberto Pucheu, cole­gas na Faculdade de Letras da UFRJ, ele falou livre­men­te, ao lon­go de duas horas, sobre sua car­rei­ra, gos­tos lite­rá­ri­os e, cla­ro, sobre polí­ti­ca. Nos tre­chos sele­ci­o­na­dos abai­xo, que fre­quen­te­men­te ter­mi­nam em gar­ga­lha­das, está um Eduardo Portella refle­xi­vo e diver­ti­do, que per­dia o ami­go para não per­der a tira­da: “Eu pre­fi­ro Paulinho da Viola a toda a Geração de 45”.

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