Ernesto Nazareth — Querido por todos (parte 1): nas salas de concerto

Música

02.05.12

Como medir o lega­do da obra de um com­po­si­tor?  Uma das manei­ras é ana­li­san­do o reco­nhe­ci­men­to que teve por seus pares.

Ernesto Nazareth pos­sui a rara qua­li­da­de de ser ampla­men­te apre­ci­a­do tan­to pelos músi­cos da esfe­ra eru­di­ta quan­to pelos músi­cos da esfe­ra popu­lar.

No post de hoje ini­ci­a­re­mos um vis­lum­bre sobre a “pega­da” que Nazareth dei­xou na músi­ca bra­si­lei­ra atra­vés das home­na­gens musi­cais que rece­beu pelos com­po­si­to­res de músi­ca de con­cer­to.

Uma das pri­mei­ras gran­des home­na­gens que rece­beu, ain­da em vida, foi a de seu ami­go Heitor Villa-Lobos, que lhe dedi­cou em 1920 o pri­mei­ro de sua monu­men­tal série de Choros, para vio­lão solo.  Também encon­tra­re­mos cita­ções de músi­cas de Nazareth em outras qua­tro obras de Villa-Lobos:Choros No.8 (que cita Turuna), Concerto bra­si­lei­ro para dois pia­nos e coro(que cita Odeon Atrevido), o 5º movi­men­to Charlot Aviateur (comi­que) da Suite Sugestive (que cita Apanhei-te, cava­qui­nho), e o com­ple­xo Noneto(que tam­bém cita Apanhei-te, cava­qui­nho).

Francisco Mignone, que tam­bém conhe­ceu Nazareth, mani­fes­tou seu apre­ço atra­vés das com­po­si­ções Nazarethiana — cin­co peças para pia­no (sobre as peças SarambequeProeminenteEspalhafatoso, e Nenê); Quatro cho­ros(sobre as peças EscovadoLabirintoDuvidoso Fon-fon!), a ter­cei­ra das Quatro peças bra­si­lei­ras (Nazareth), o cho­ro Este é bem Nazareth, e a “val­sa paró­dia” Apanhei-te meu fago­ti­nho, para fago­te solo.

Radamés Gnattali, que ouviu Nazareth tocar na déca­da de 1920, dedi­cou-lhe a Homenagem a Nazareth para pia­no solo, a peça Nazareth para dois pia­nos, e o famo­so segun­do movi­men­to da Suíte Retratos, com­pos­to sobre a val­saExpansiva. Também encon­tra­mos uma cita­ção de Apanhei-te, cava­qui­nho na fuga de um de seus Trios para vio­li­no, vio­la e vio­lon­ce­lo.

Marlos Nobre, outro gran­de admi­ra­dor, compôs seu Op.1a com o títu­loHomenagem a Nazareth para pia­no solo, extraí­do do 3º mov. de seuConcertino para pia­no e orques­tra de cor­das Op.1. No op.2 cons­ta suaNazarethiana para pia­no solo, que depois inte­grou o 3º mov. do Trio para pia­no, vio­li­no e vio­lon­ce­lo Op.4. Outras obras influ­en­ci­a­das por Nazareth são suas Reminiscências para vio­lão solo Op.78 e o Divertimento para pia­no e orques­tra Op.14, que cita as peças TupynambáTenebroso, Elegantíssima eBrejeiro.

Para além das fron­tei­ras do Brasil, vemos com­po­si­tor ame­ri­ca­no William Bolcom dedi­can­do a Nazareth três peças: o 4º movi­men­to de seu Capriccio, inti­tu­la­do Gingando (Brazilian Tango) Tombeau d’Ernesto Nazareth, para vio­lon­ce­lo e pia­no; Rag Tango (Hommage to Ernesto Nazareth), para pia­no solo; e o 1º movi­men­to de sua suí­te Recuerdos, inti­tu­la­do Choro — Hommage to Nazareth, para dois pia­nos.

Outros com­po­si­to­res do âmbi­to da músi­ca de con­cer­to que home­na­ge­a­ram Ernesto foram:

Camargo Guarnieri (Ponteio No.19 — Homenagem a Ernesto Nazareth, para pia­no solo);

José Vieira Brandão (Estudo No.2  — Homenagem a Ernesto Nazareth, para pia­no solo);

Lorenzo Fernandez (Suite Nazarethiana, que per­ma­ne­ceu em ras­cu­nhos manus­cri­tos);

Brasílio Itiberê (Homenagem a Nazareth para cla­ri­ne­ta, fago­te, pia­no e bate­ria; Conversa de Bach e Nazareth, para pia­no solo);

José Alberto Kaplan (Nazarethiana — Suíte em Estilo Popular em três movi­men­tos, para dois vio­lon­ce­los);

Murilo Santos (Duas Peças ‘Nazarethiana’ em dois movi­men­tos, para pia­no, vio­li­no e vio­lon­ce­lo);

Edmar Fenício (Memórias de Nazareth — Tango Brasileiro, para vio­lão solo);

Nilson Lombardi (Ponteio No.8 — Homenagem a Nazareth, para pia­no solo);

Alfred Hülsberg (Rapsódia Nazaretiana, para pia­no e orques­tra de sopros);

Cyro Pereira (Fantasia para pia­no e orques­tra sobre temas de Ernesto Nazareth);

Daniel Wolff (As três faces de ernes­to, em três movi­men­tos, para pia­no e orques­tra; o ter­cei­ro movi­men­to foi trans­cri­to pelo com­po­si­tor para vio­lão e orques­tra de cor­das, sob o títu­lo de A ter­cei­ra face de ernes­to)

No pró­xi­mo post con­ti­nu­a­re­mos com as obras dedi­ca­das a Nazareth no âmbi­to popu­lar.

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