Ernesto Nazareth — Querido por todos (parte 2): para além das rodas de choro

Música

08.05.12

No post pas­sa­do vimos que Ernesto Nazareth rece­beu diver­sas home­na­gens de seus cole­gas do meio eru­di­to, que uti­li­za­ram mui­tas vezes o neo­lo­gis­mo “Nazarethiana”.

Hoje vere­mos que no meio popu­lar sua admi­ra­ção é mani­fes­ta­da atra­vés de títu­los como “Se eu fos­se Nazareth” e “Recordando Nazareth”.

Em sua famo­sa pales­tra em home­na­gem a Ernesto Nazareth em 1926, Mário de Andrade afir­mou que “o com­po­si­tor teve a gló­ria de ser tão fami­li­ar na pátria intei­ri­nha, que todos fala­vam ?o Nazaré’, que nem se tra­ta um pri­mo, um sobri­nho e os ami­gos do nos­so cora­ção.”

Algumas home­na­gens que rece­beu em vida ates­tam isso.  É o caso da pol­ca-tan­go de difí­cil exe­cu­ção Nazareth de Antônio Cardoso de Menezes (avô deCarolina Cardoso de Menezes), dedi­ca­da “ao talen­to­so com­po­si­tor e ami­go Ernesto Nazareth” na déca­da de 1920. Alguns anos antes, pos­si­vel­men­te retri­buin­do a dedi­ca­tó­ria do tan­go Carioca, o ator e can­tor Olympio Nogueiracompôs sua úni­ca peça conhe­ci­da: Suíte! para pia­no solo, em cujo manus­cri­to cons­ta “ao bom cama­ra­da o maes­tro Ernesto Nazareth, offe­re­ce o autor esta insig­ni­fi­cân­cia. Rio 11–5-1914”.

Em 1920, Theophilo Magalhães  dedi­cou seu tan­go Não vou n’isso!… Op.25 “Ao rei do tan­go Ernesto Nazareth”.  Em 1926 João Bifano dedi­cou “ao ins­pi­ra­do com­po­si­tor Ernesto Nazareth” seu tan­go Só no Nazareth, e no exem­plar da cole­ção do home­na­ge­a­do, cons­ta a dedi­ca­tó­ria manus­cri­ta “como demons­trac­ção de gran­de admi­ra­ção, offe­re­ce ao pri­mus inter pares dos com­po­si­to­res bra­si­lei­ros Ernesto Nazareth, o autor”. E ain­da nes­ta épo­ca A. Paraguassú dedi­cou seu tan­go Jovial “ao insu­pe­rá­vel com­po­si­tor Ernesto Nazareth”. Em 1930, Teotônio Correa teve seu Bancando o Nazareth gra­va­do pelo gru­po Três Sustenidos.

Grandes ins­tru­men­tis­tas depois pres­ta­ram suas home­na­gens, como Garoto(Recordando Nazareth), Carolina Cardoso de Menezes (Relembrando Nazareth), Luperce Miranda (Lembrando Nazareth, que Luperce toca­va ao pia­no), Tia Amélia (Nazareth, e Cheio de Truques, que faz men­ção aos desa­fi­os téc­ni­cos na obra de Nazareth).

E até mea­dos do sécu­lo XX vemos vári­as outras home­na­gens, de Juventino Maciel (Homenagem a Nazareth), Armandinho Neves (Recordando Nazareth), Antonio Rago (Saudoso Nazareth), Henrique Simonetti (Páginas Brasileiras No.6- Homenagem a Nazareth), Muraro (Portrait de Ernesto Nazareth), Nabor Pires Camargo (Si eu Fosse Nazareth) Ângelo Scorza Neto (Retrato de NazarethSouvenir a Nazareth, e Travesso Polichinelo — de Nazareth a Villa-Lobos),

Em tem­pos recen­tes as home­na­gens só aumen­ta­ram, com músi­cas comoErnesto Nazareth (pre­sen­te no Anuário do Choro I, de Maurício Carrilho),Homenagem a Nazareth de Dominguinhos e Anastácia,  Um Tom pro Ernestode Armandinho Macedo e Yacoce, e Bonbon (Tango in the sty­le of Nazareth) do com­po­si­tor ame­ri­ca­no Hal Isbitz. Vejam abai­xo outras home­na­gens:
Antonio Adolfo — Eternamente Nazareth
Arthur Athayde e Ormindo Fontes “Toco Preto” — Lembrando Nazareth
Canhotinho Evocação a Nazareth
Clovis Pereira — Lembrando Nazareth
Elisa Meyer Ferreira — Assobiando
Horvildes Simões — Recordando Nazareth
Jorge Cardoso Ernesto Nazareth no Cerrado
José Luis de Jesus — Recordando Ernesto Nazareth
Leandro Braga — Nazareth
Leory Amendola — Lembrando Nazaré
Luciano Alves Pipocando
Maria Alice Saraiva — Recordando Nazareth (re-inti­tu­la­do “Sonhando com Nazareth”)
Monique Aragão Nazaretheando
Neusa França — Recordando Nazareth
Roberto Barbosa — Evocação a Nazareth
Torhé — Lembrando Nazareth
Valmar Amorim — Valsa a Nazareth
Zé Paulo Becker De Pernambuco a Nazareth

Por fim, vejam a letra de Relembrando Nazareth, de Capiba Luis Tatit, que faz uma deli­ci­o­sa brin­ca­dei­ra com os  títu­los de diver­sas músi­cas

Insuperável
Esse turu­na vito­ri­o­so
Sem ser espa­lha­fa­to­so
Diz na músi­ca o que quer
É arro­ja­do
E todo cheio de capri­cho
Já falou até de bicho
De pin­guim jaca­ré
De bei­ja-flor ele falou
De piri­lam­po já falou
escor­re­gan­do e res­pin­gan­do
Foi viran­do o que ele é
Desengonçado
Com suas notas incli­na­das
Só dizi­am pro Ernesto
Pinta as has­tes mais de pé

Digo de impro­vi­so
Que é melhor que paraí­so
Quando sin­to que har­mo­ni­zo
Nazaré
Mas sei que é duvi­do­so
Perigoso tene­bro­so
Quando esco­lho tan­tas notas
Que elas todas
Vão parar no roda­pé
Então não caio nou­tra des­sa
E quan­do vou escre­ver uma peça
Num com­pas­so que eu não pos­sa atra­ves­sar
Polca a pol­ca vou can­tan­do
Até tudo ajus­tar

É ado­rá­vel
Que ele lá todo cutu­ba
E eu aqui todo capi­ba
Já pode­mos con­ver­sar
E que o bre­jei­ro
De seu bei­ji­nho de moça
Vire um tur­bi­lhão de bei­jos
E dese­jos a saci­ar
E que mau-mau vire bom-bom
E que odi­ar vire ode­on
E todo tan­go bra­si­lei­ro
Tenha um pou­co do fon-fon
E é uma delí­cia
Ver as has­tes incli­na­das
Todas dese­qui­li­bra­das
E ele nun­ca per­de o tom

Até que enfim
Eu vivo bem com a dor secre­ta
Pois ouvi o sinal de aler­ta
Que sua doce ele­gia me dei­xou
Que não exis­te a dor erra­da
E a dor cor­re­ta
A dor anti­ga do poe­ta
A dor moder­na ele­gan­tís­si­ma
Do ator
Que a dor é tudo
Que nos faz ficar em dia
Com a sau­da­de e a ale­gria
Com a letra e a melo­dia das can­ções
É o labi­rin­to onde o cho­ro cho­ra e ri
Ri e cho­ra, cho­ra tan­to
Chora até poder sair

Na sema­na que vem encer­ra­re­mos esta tri­lo­gia com músi­cas diver­sas que, sem serem home­na­gens dire­tas, citam Nazareth.

Atualizações:

dis­co­gra­fia foi ampla­men­te atu­a­li­za­da. Temos ago­ra mais de 2.500 regis­tros cata­lo­ga­dos de gra­va­ções comer­ci­ais, das quais cer­ca de 2.200 estão dis­po­ní­veis para audi­ção onli­ne.

, ,