Exercitando a liberdade de ser

Música

21.05.12

Não pare­ce ter sido a inten­ção de Madalena Schwartz no con­jun­to de foto­gra­fi­as que aca­bou levan­do o nome de Crisálidas regis­trar nada além do que a exu­be­rân­cia esté­ti­ca de per­so­na­gens vari­a­dos que lida­vam com os limi­tes da sexu­a­li­da­de e sub­ver­ti­am as con­ven­ções de repre­sen­ta­ção dos gêne­ros.

No entan­to, essa bus­ca aca­bou apro­xi­man­do a fotó­gra­fa de dois gru­pos que fize­ram his­tó­ria na his­tó­ria da cul­tu­ra bra­si­lei­ra, os Dzi Croquettes e os Secos & Molhados.

Ambos gru­pos usa­ram a expres­são artís­ti­ca como uma for­ma de desa­fi­ar o cli­ma ao mes­mo tem­po repres­si­vo, mas de enor­me expe­ri­men­ta­ção que se vivia no Brasil nos anos 70. Os pri­mei­ros leva­vam aos pal­cos um espe­tá­cu­lo musi­cal, onde a paró­dia e a irre­ve­rên­cia esta­vam de mãos dadas com o gla­mour cri­a­ti­vo. Entre o tea­tro de revis­ta e os shows de tra­ves­tis, as per­for­man­ces dos Dzi Croquettes mar­ca­ram a cena tea­tral dos anos 70 e tor­na­ram-se uma refe­rên­cia da cul­tu­ra de resis­tên­cia, ain­da que, como afir­ma um de seus inte­gran­tes, o ator Claudio Tovar em depoi­men­to ao IMS, eles não levan­tas­sem “ban­dei­ras”. “Estávamos exer­ci­tan­do a liber­da­de de ser, sim­ples­men­te.”

http://www.youtube.com/watch?v=j71cZgVaLWs

Já os Secos & Molhados sur­gi­ram da cena roquei­ra que cir­cu­la­va pelo under­ground daque­la déca­da. Com maqui­a­gem pesa­da, um voca­lis­ta que can­ta­va em fal­se­te, um con­jun­to de exce­len­te can­ções pop, o gru­po aca­bou se tor­nan­do um dos fenô­me­nos musi­cais da déca­da, ape­sar do teor alta­men­te trans­gres­si­vo de sua per­for­man­ce. “Toda minha per­for­man­ce artís­ti­ca era de resis­tên­cia à dita­du­ra mili­tar”, afir­ma Ney Matogrosso, o can­tor e líder dos Secos & Molhados em depoi­men­to ao IMS. Ainda segun­do Ney, a trans­gres­são tinha, para Madalena, um ape­lo que ia além do esté­ti­co: “Acho que isso fala­va ao espí­ri­to dela, como uma imi­gran­te fugi­da da guer­ra”.

http://www.youtube.com/watch?v=vA-mQHj6ur0&feature=youtu.be

* Bia Abramo é jor­na­lis­ta.

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