Fotografando o novo IMS

Fotografia

16.02.16

Você tem medo de altu­ra?”, per­gun­ta o fotó­gra­fo Bruno Fernandes, enquan­to ves­te o cin­to de pro­te­ção ama­re­lo, com seus vári­os encai­xes e gan­chos anti-que­da. Há mais de dois anos, Bruno fre­quen­ta a obra que ocu­pa um tre­cho estrei­to da filei­ra de pré­di­os da Av. Paulista, qua­se na Consolação. Na épo­ca, a obra não pas­sa­va de um ter­re­no pla­no, e esta­va lon­ge de ser esta estru­tu­ra de vári­os anda­res que visi­ta­mos e que virá a com­por, em 2017, o novo IMS de São Paulo. O novo cen­tro cul­tu­ral, ape­sar do peque­no ter­re­no, terá um espa­ço expo­si­ti­vo mai­or que o IMS do Rio, com três salas de pé-direi­to ele­va­do, além de cine­ma, bibli­o­te­ca, res­tau­ran­te e mui­to mais.

Bruno Fernandes ves­te o cin­to de segu­ran­ça para altu­ras

Bruno che­ga cum­pri­men­tan­do os tra­ba­lha­do­res que abrem a por­ta e cui­dam dos equi­pa­men­tos de segu­ran­ça. Apesar da apa­ren­te inti­mi­da­de, o fotó­gra­fo não conhe­ce boa par­te dos fun­ci­o­ná­ri­os: “Tento ser ape­nas um obser­va­dor silen­ci­o­so. Venho, pego a câme­ra, tiro as fotos, vou embo­ra, sem atra­pa­lhar nin­guém”.

Começamos o per­cur­so pelo sub­so­lo. Há inú­me­ros ele­men­tos inte­res­san­tes, geo­me­tri­as ines­pe­ra­das, um local de reu­niões que pare­ce uma cape­la. Comento que há mui­to o que pode ser foto­gra­fa­do. Bruno, que visi­ta men­sal­men­te a obra, me garan­te que, no iní­cio, as coi­sas muda­vam com mai­or frequên­cia. Agora, nes­ta par­te do sub­so­lo, por exem­plo, tudo já está mais ou menos igual. Tubos empi­lha­dos for­mam cír­cu­los abs­tra­tos. Bruno foca em deta­lhes míni­mos e expli­ca: “Procuro sem­pre alter­nar entre o macro e o micro. Registro um deta­lhe, uma for­ma, e depois tiro uma foto geral.”

Nossa pre­sen­ça cha­ma a aten­ção de alguns tra­ba­lha­do­res. Bruno é um velho conhe­ci­do na obra, e está ves­ti­do de for­ma ade­qua­da ao ambi­en­te. Já eu, de tra­jes de escri­tó­rio, sou cla­ra­men­te uma cri­a­tu­ra estra­nha ali. Bruno afir­ma que não cos­tu­ma foto­gra­far os tra­ba­lha­do­res, ao menos não dire­ta­men­te. Evita ima­gens de ros­to e retra­tos – até por ques­tão de auto­ri­za­ção. Mas cap­tu­ra deta­lhes, como um fun­ci­o­ná­rio sol­dan­do metal, ins­ta­lan­do para­fu­sos. Uma mão em movi­men­to, um gol­pe de mar­te­lo.

Tomamos o ele­va­dor até o andar mais alto que ele nos leva. O res­to do cami­nho será por uma esca­da­ria que, para quem sofre de acro­fo­bia, pode se reve­lar um pavor. A luz das qua­tro e meia da tar­de é for­te e ama­re­la­da. Bruno diz pre­fe­rir vir um pou­co mais tar­de, pelas cin­co, ain­da mais com o horá­rio de verão. “Não é por cau­sa da cor da luz”, expli­ca, “mas por­que no fim do dia as som­bras são mais tênu­es, menos mar­ca­das”.

Subimos um andar de esca­da­ria e obte­mos uma visão pri­vi­le­gi­a­da da av. Paulista. O pré­dio, quan­do ficar pron­to, terá 44 metros de altu­ra. Para mim, tudo é novi­da­de, e comen­to mais uma vez: como há coi­sas para se foto­gra­far! É quan­do Bruno reve­la o mai­or desa­fio da tare­fa: recon­di­ci­o­nar o olhar. Sim, a obra está sem­pre em movi­men­to, mas ao avan­çar, tam­bém pas­sa a se tor­nar mais está­ti­ca, repe­ti­ti­va aos olhos. Até as mudan­ças se tor­nam pre­vi­sí­veis. É pre­ci­so esque­cer o que já foi foto­gra­fa­do e enxer­gar a obra como se nun­ca tives­se esta­do antes ali.

Clique aqui para ver algu­mas das ima­gens já cap­ta­das da obra.

O fotó­gra­fo Michael Wesely tam­bém está regis­tran­do a obra do IMS atra­vés de ima­gens de lon­ga dura­ção. Saiba mais sobre o pro­je­to.

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