Fotolivros latino-americanos

Em cartaz

06.03.13

No dia 9 de mar­ço será inau­gu­ra­da a expo­si­ção de Fotolivros lati­no-ame­ri­ca­nos no IMS-RJ, base­a­da no livro homô­ni­mo publi­ca­do pela Cosac Naify em 2011.  A mos­tra, de cura­do­ria do argen­ti­no Horacio Fernández, apre­sen­ta 66 publi­ca­ções, 119 foto­gra­fi­as e oito víde­os pro­du­zi­dos a par­tir de ima­gens dos livros pre­sen­tes na mos­tra. No dia da aber­tu­ra, às 17h, o IMS pro­mo­ve uma mesa-redon­da entre Horacio Fernández, Marcelo Brodsky, Iatã Cannabrava e Cassiano Elek Machado.

Para Thyago Nogueira, edi­tor da revis­ta ZUM, os foto­li­vros repre­sen­tam uma for­ma demo­crá­ti­ca de cir­cu­la­ção das foto­gra­fi­as. Em épo­cas pré-inter­net, fotó­gra­fos neces­si­ta­vam de foto­li­vros para conhe­cer a obra de artis­tas como Cartier-Bresson sem pre­ci­sar via­jar à Europa. Todavia, con­ta Thyago, “até alguns anos, os foto­li­vros eram pouquís­si­mo conhe­ci­dos, com raras exce­ções. Horacio Fernández mos­trou como as publi­ca­ções con­tam uma his­tó­ria para­le­la da foto­gra­fia, mais des­co­nhe­ci­da, mas tão impor­tan­te quan­to a his­tó­ria ofi­ci­al”.

Entre as obras da mos­tra, encon­tram-se foto­li­vros raros, como “Amazônia”, da Claudia Andujar, cujo pre­fá­cio de Thiago de Mello foi cen­su­ra­do na épo­ca de sua publi­ca­ção, que apre­sen­ta fotos da região onde vivi­am os índi­os Yanomamis.

Para o cura­dor da mos­tra, os foto­li­vros “não repre­sen­tam a his­tó­ria polí­ti­ca dos paí­ses, pois são incom­ple­tos, mas muda­ram a his­tó­ria da foto­gra­fia. Fotolivros repre­sen­tam dis­cur­sos mui­to dife­ren­tes, com rela­ções inter­nas com­ple­xas entre as foto­gra­fi­as. É uma manei­ra viva, plu­ral e meta­fó­ri­ca de con­tar uma nar­ra­ti­va”. Entre os cri­té­ri­os ado­ta­dos para a esco­lha das obras esta­va o de incluir ape­nas fotó­gra­fos que resi­di­ram na América Latina, excluin­do fotó­gra­fos via­jan­tes, mas dan­do espa­ço a euro­peus e nor­te-ame­ri­ca­nos que cons­truí­ram sua obra em ter­ri­tó­rio lati­no-ame­ri­ca­no, como Pierre Verger e Maureen Bisilliat.

Os foto­li­vros, por se tra­ta­rem de um esfor­ço con­jun­to, onde há deci­sões edi­to­ri­ais de mui­tas pes­so­as, se apro­xi­mam mais do cine­ma do que da arte”, refle­te Horacio Fernández. “De cer­to modo, os foto­li­vros estão à mar­gem do mer­ca­do da arte, ain­da que o cená­rio este­ja mudan­do. O mer­ca­do da arte é mar­ca­do pelo cole­ci­o­nis­mo do obje­to úni­co, e foto­li­vros são pro­du­zi­dos em gran­de esca­la”. Talvez por isso mes­mo repre­sen­tem um dos mei­os mais demo­crá­ti­cos de cir­cu­la­ção da arte foto­grá­fi­ca.

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