Golpe de vista — 1964 sob a perspectiva de Clarice e Otto

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15.04.14

Em 27 de mar­ço, acon­te­ceu no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro o even­to Golpes de vis­ta, com o pro­fes­sor de lite­ra­tu­ra bra­si­lei­ra da USP e crí­ti­co lite­rá­rio Augusto Massi. Nela, o pro­fes­sor tra­çou para­le­los entre os roman­ces O bra­ço direi­to (1963), de Otto Lara Resende, e A pai­xão segun­do G.H. (1964), de Clarice Lispector, ten­do como pano de fun­do o qua­dro poli­ti­co de 1964. O Instituto Moreira Salles é deten­tor do acer­vo com­ple­to de Resende e de par­te do acer­vo de Lispector.

Massi, que está cui­dan­do da ree­di­ção da obra de Otto Lara Resende pela Companhia das Letras, fez uma refle­xão sobre como a pala­vra gol­pe, ques­tão impor­tan­te nos dois livros, dia­lo­ga com o cená­rio polí­ti­co bra­si­lei­ro da épo­ca. O desa­fio do pales­tran­te resi­dia em poli­ti­zar his­tó­ri­as indi­vi­du­ais de escri­to­res cuja voca­ção lite­rá­ria não pare­cia polí­ti­ca e que não tinham a pre­ten­são de falar do gol­pe mili­tar.

A ideia do gol­pe de vis­ta, no entan­to, é tra­ba­lha­da como um momen­to de vio­lên­cia, de tor­ção, de mudan­ça de cur­so que a lite­ra­tu­ra ten­ta mime­ti­zar. Em Clarice, por exem­plo, ele sur­ge em momen­tos em que os per­so­na­gens obser­vam um ele­men­to comum de relan­ce — uma bara­ta, um cego mas­can­do chi­cle­te — e aqui­lo de repen­te pare­ce mudar toda sua pers­pec­ti­va de vida. Tanto em O bra­ço direi­to quan­to em A pai­xão segun­do G.H., esse pro­ce­di­men­to está entra­nha­do des­de as pri­mei­ras pági­nas e a pales­tra bus­ca ana­li­sar como isso refle­te a atmos­fe­ra de desas­sos­se­go que o país pas­sa­va no ano de lan­ça­men­to des­sas obras.

A pales­tra de Massi, que con­tou com apre­sen­ta­ção de Paulo Roberto Pires, foi par­te da pro­gra­ma­ção de Em 1964, que ao lon­go do ano se dedi­ca a dis­cu­tir os 50 anos do gol­pe mili­tar.

Assista aqui à inte­gra do deba­te Golpes de vis­ta:

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