M. Petit/FDC

Kleber Mendonça Filho

Yann Rabanier

Kleber Mendonça Filho

Kleber Mendonça Filho no IMS

Em cartaz

05.12.16

A par­tir de dezem­bro o Instituto Moreira Salles con­ta com um novo coor­de­na­dor de cine­ma. O car­go, ante­ri­or­men­te ocu­pa­do pelo crí­ti­co José Carlos Avellar, que mor­reu em mar­ço des­te ano, está ago­ra nas mãos do cine­as­ta e crí­ti­co per­nam­bu­ca­no Kleber Mendonça Filho, dire­tor dos pre­mi­a­dos O som ao redor e Aquarius.

Kleber, que será res­pon­sá­vel pela pro­gra­ma­ção das salas de cine­ma do IMS no Rio de Janeiro e em São Paulo (na nova uni­da­de da Avenida Paulista, a par­tir de julho de 2017), e pelos lan­ça­men­tos da cole­ção de DVDs do ins­ti­tu­to, tem uma lon­ga e elo­gi­a­da tra­je­tó­ria: de 1998 até outu­bro de 2016 tra­ba­lhou na Fundação Joaquim Nabuco, em Recife, como coor­de­na­dor de cine­ma, área reco­nhe­ci­da pela qua­li­da­de de sua cura­do­ria e salas. “Procuramos a expe­ri­ên­cia extra­or­di­ná­ria do Kleber. É impres­si­o­nan­te o quan­to ele enten­de e gos­ta da sala de cine­ma, do local em si enquan­to fon­te de encan­ta­men­to”, obser­va Flávio Pinheiro, supe­rin­ten­den­te exe­cu­ti­vo do IMS.

Para Kleber, que vai per­ma­ne­cer em Recife, além de ser um desa­fio “mui­to gran­de e mui­to ape­ti­to­so” – “O novo pré­dio do IMS está em uma área for­te, algu­mas das melho­res salas de cine­ma de São Paulo estão ao redor, e pre­ci­sa de uma pro­gra­ma­ção mui­to espe­ci­al”, diz – assu­mir a coor­de­na­ção de cine­ma do ins­ti­tu­to tam­bém é uma opor­tu­ni­da­de de hon­rar o tra­ba­lho de Avellar. “Todo mun­do que tra­ba­lha com cine­ma no Brasil teve con­ta­to com ele e rece­beu suas boas influên­ci­as”, lem­bra Kleber, que tra­ba­lhou como crí­ti­co para publi­ca­ções como o Jornal do Commercio, de Recife, a Folha de S. Paulo e a revis­ta Continente, além de seu pró­prio site, CinemaScópio.

A cida­de de Recife, onde tam­bém diri­ge a Janela Internacional de Cinema, even­to que está em sua nona edi­ção, é o cená­rio dos dois acla­ma­dos lon­ga-metra­gens do cine­as­ta, que se for­mou em Jornalismo e, des­de o iní­cio dos anos 2000, já rea­li­zou diver­sos cur­tas e docu­men­tá­ri­os. Em O som ao redor, de 2013, seu pri­mei­ro lon­ga-metra­gem de fic­ção, Kleber nar­ra a ten­são vivi­da num bair­ro de Recife com a che­ga­da de uma milí­cia, fato que vai mudan­do a vida dos mora­do­res. A pro­du­ção con­quis­tou públi­co, crí­ti­ca e prê­mi­os em fes­ti­vais no Brasil (Gramado e do Rio) e no exte­ri­or (Polônia, Copenhagen e Toronto, entre outros), e foi con­si­de­ra­do pelo New York Times um dos dez melho­res fil­mes do ano.

Aquarius, de 2016, que con­cor­reu à Palma de Ouro em Cannes, tem como pro­ta­go­nis­ta Sonia Braga numa inter­pre­ta­ção que foi con­si­de­ra­da uma das mais bri­lhan­tes de sua car­rei­ra. Ela é Clara, viú­va que luta com todas as for­ças para man­ter de pé o últi­mo pré­dio da Avenida Boa Viagem, em Recife, onde mora. O edi­fí­cio está na mira de uma cons­tru­to­ra que quer o ter­re­no para erguer ali um novo empre­en­di­men­to. O fil­me ganhou prê­mi­os nos fes­ti­vais de cine­ma de Lima, Jerusalém, Sidney, Munique e Mar del Plata, além de con­quis­tar tam­bém o tro­féu da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) de melhor fil­me e rotei­ro.

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