Luz, cedro e pedra: Horacio Coppola e a escolha da luz

Fotografia

21.10.14

A expo­si­ção Luz, cedro e pedra (em car­taz a par­tir do dia 23 de outu­bro no IMS-RJ) come­mo­ra o encon­tro entre Horacio Coppola (1906–2012), uma figu­ra cen­tral da his­tó­ria da foto­gra­fia lati­no-ame­ri­ca­na, e a escul­tu­ra do Aleijadinho, apo­geu da arte mes­ti­ça do Brasil colo­ni­al. Esse encon­tro ocor­reu em 1945, moti­va­do pelo reno­va­do inte­res­se pelas nas­cen­tes da arte autóc­to­ne, comum aos inte­lec­tu­ais moder­nis­tas tan­to na Argentina como no Brasil. O resul­ta­do foi uma expo­si­ção em Buenos Aires e a publi­ca­ção de um livro, dez anos depois, con­ten­do uma sele­ção de 96 foto­gra­fi­as e qua­tro poe­mas do espa­nhol Lorenzo Varela, intitulados:“La leyen­da”; “Al cedro de sus tal­las”; “Epitafio y bala­da de la pie­dra dul­ce de sus esta­tu­as”; e “Al foto­gra­fo”.

Fotografar escul­tu­ras é uma ques­tão de pon­tos de vis­ta. Sobretudo quan­do se tra­ta das escul­tu­ras do Aleijadinho, per­so­na­gens de um gran­di­o­so tea­tro sacro. O olhar de Coppola com­pre­en­deu o cará­ter deco­ra­ti­vo intrín­se­co ao artis­ta bra­si­lei­ro: ele trans­cen­de a exi­gên­cia natu­ra­lis­ta da veros­si­mi­lhan­ça e, ao explo­rar as qua­li­da­des sen­sí­veis dos diver­sos mate­ri­ais e téc­ni­cas, cria uma sem­pre reno­va­da expe­ri­ên­cia emo­ti­va do espa­ço.

Tudo tam­bém é uma ques­tão de esco­lha da luz. Ela pode anu­lar os volu­mes, trans­for­mar o rele­vo no rit­mo de uma silhu­e­ta; pode des­ven­dar as suti­le­zas da mode­la­gem, des­ta­car os pla­nos e as tex­tu­ras com deli­ca­de­za ou com ines­pe­ra­da ris­pi­dez. Então, os ato­res imó­veis daque­le eter­no espe­tá­cu­lo con­vo­cam para com­par­ti­lhar seus sen­ti­men­tos. Pelos olhos do fotó­gra­fo retor­na o tem­po que se foi e o tem­po que não pas­sa: em Coppola, a qui­e­tu­de pere­ne das está­tu­as traz de vol­ta, por vir­tu­de da luz, a vida e os ansei­os da épo­ca que as escul­piu.