Mar de filmes no Rio

No cinema

28.09.12

Quem lê tan­ta notí­cia?”, per­gun­ta­va Caetano Veloso numa can­ção de 1967. Diante da pro­gra­ma­ção de mais de 400 títu­los do Festival do Rio, que come­çou ontem (28 de setem­bro), cabe per­gun­tar: quem vê tan­to fil­me?

Nesse labi­rin­to de pro­du­ções vin­das de todas as par­tes do mun­do, é ine­vi­tá­vel a sen­sa­ção de atur­di­men­to, além da cer­te­za de estar per­den­do coi­sas impor­tan­tes. Para bai­xar a ansi­e­da­de e fazer do even­to uma expe­ri­ên­cia pra­ze­ro­sa e enri­que­ce­do­ra, o melhor é pre­pa­rar um rotei­ro pré­vio. Há vári­os iti­ne­rá­ri­os pos­sí­veis, de acor­do com o per­fil de cada ciné­fi­lo.

Haverá, por exem­plo, quem quei­ra con­fe­rir os tra­ba­lhos mais recen­tes de auto­res con­sa­gra­dos. Tudo bem. Estarão nas telas do Rio os novos de Coppola (Twixt), irmãos Taviani (César deve mor­rer), François Ozon (Dentro de casa), Leos Carax (Holy Motors), Spike Lee (Verão em Red Hook), Stephen Frears (Lay the favo­ri­te), Mike Leigh (o lon­ga Mais um ano e o cur­ta Corrida de obs­tá­cu­los), Wes Anderson (Moonrise king­dom), Faith Akin (Poluindo o paraí­so) etc. etc.

Brasil, Ásia, América Latina

Quem qui­ser, por sua vez, conhe­cer a nova safra naci­o­nal terá, entre outros, Chamada a cobrar, de Anna Muylaert; Entre vales, de Philipe Barcinski; Colegas, de Marcelo Galvão; O som ao redor, de Kleber Mendonça Filho; Primeiro dia de um ano qual­quer, de Domingos Oliveira; O gori­la, de José Eduardo Belmonte; Gonzaga de pai para filho, de Breno Silveira; Éden, de Bruno Safadi; e Meu pé de laran­ja lima, de Marcos Bernstein. O trai­ler do fil­me de Domingos pro­me­te:

http://www.youtube.com/watch?v=oaHaGEhU_kE

Os astros do novo cine­ma asiá­ti­co mar­ca­rão pre­sen­ça: o tai­lan­dês Apichatpong Weerasethakul com Hotel Mekong, o sul-core­a­no Kim Ki-Duk com Pietá, ganha­dor do Leão de Ouro em Veneza. O mes­mo vale para o mais ins­ti­gan­te cine­ma lati­no-ame­ri­ca­no, com Elefante bran­co, de Pablo Trapero, Post tene­bras lux, de Carlos Reygadas, e Dias de pes­ca, de Carlos Sorín, além do lon­ga cole­ti­vo Sete dias em Havana.

http://www.youtube.com/watch?v=iGFE0ZQEX2Q

Outro rotei­ro pos­sí­vel é acom­pa­nhar as sucu­len­tas retros­pec­ti­vas, este ano dedi­ca­das a John Carpenter, Manoel de Oliveira, Alberto Cavalcanti e João Pedro Rodrigues, de quem reco­men­do viva­men­te Morrer como um homem (2009), seu mais recen­te lon­ga de fic­ção.

Documentários

Há ain­da os docu­men­tá­ri­os vol­ta­dos para o pró­prio cine­ma, como Roman Polanski: Memórias, de Laurent Bouzerau, Woody Allen: Um docu­men­tá­rio, de Robert B. Weide, Jerry Lewis — Loucura e méto­do, de Gregg Barson, e o curi­o­so Quarto 237- Teorias lou­cas, de Rodney Ascher, que abor­da as vári­as espe­cu­la­ções em tor­no dos supos­tos sen­ti­dos embu­ti­dos no fil­me O ilu­mi­na­do, de Stanley Kubrick.

Por fim, qua­se um gêne­ro à par­te é cons­ti­tuí­do pelos docu­men­tá­ri­os musi­cais. Alguns deles:Michael Jackson — Bad 25, de Spike Lee, Neil Young jour­neys, de Jonathan Demme, Marley, de Kevin Macdonald, e os bra­su­cas Jards, de Eryk Rocha (sobre Macalé), Jorge Mautner — O filho do holo­caus­to, de Pedro Bial e Heitor D’Alincourt, e MPB de câma­ra, a can­ção bra­si­lei­ra, de Walter Lima Jr.

Mas o melhor é ter em mãos a pro­gra­ma­ção com­ple­ta e mon­tar seu pró­prio que­bra-cabe­ças. Aqui vai ela: http://2012.festivaldorio.com.br/. Agora cada um que se vire. E a par­tir de 19 de outu­bro tem a Mostra Internacional de São Paulo. Haja fôle­go, haja olhos.

* Na ima­gem que ilus­tra a home des­se post: o cine­as­ta Manoel de Oliveira, cuja obra é um dos des­ta­ques do Festival do Rio.

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