Martín Chambi

Por dentro do acervo

18.07.13

Autorretrato no alto de Carabaya (1928)

Autorretrato no alto de Carabaya (1928)

Martín Chambi (1891–1973), de ori­gem cam­po­ne­sa, nas­ceu no povo­a­do de Coaza, pro­vín­cia de Puno, às mar­gens do lago Titicaca, no Peru. Iniciou-se na foto­gra­fia ain­da jovem, ao obter uma colo­ca­ção como assis­ten­te de fotó­gra­fo na Mineradora Santo Domingo, na cida­de de Cambaya, para onde seus pais se muda­ram impul­si­o­na­dos pelo ciclo do ouro na região.

Já em Arequipa, em 1908, teve como mes­tre Max T. Vargas, céle­bre fotó­gra­fo local, com quem tra­ba­lhou até mon­tar seu pró­prio estú­dio em Sicuani, nove anos depois. Na oca­sião, publi­ca de for­ma pio­nei­ra no Peru seus pri­mei­ros car­tões pos­tais.

Ezequiel Arce e sua colheita de batatas (1934)

 

Ezequiel Arce e sua colheita de batatas (1934)

Também de ori­gem indí­ge­na, Chambi se dedi­cou a regis­trar a popu­la­ção nati­va do Peru, prin­ci­pal­men­te as etni­as Quéchua e Aymará, com uma abor­da­gem dife­ren­te da for­ma exó­ti­ca comum à épo­ca. Registrou a humil­da­de da vida andi­na sem des­res­pei­tá-la, tor­nan­do seu tra­ba­lho reco­nhe­ci­do mun­di­al­men­te tan­to pelo cará­ter etno­grá­fi­co quan­to pelo aspec­to artís­ti­co.

Primeiro a foto­gra­far Machu Picchu, a cida­de sagra­da dos incas, des­co­ber­ta em 1911, Chambi ficou tam­bém conhe­ci­do como foto­jor­na­lis­ta, ten­do tra­ba­lha­do nos jor­nais locais de Cusco. Teve tam­bém fotos publi­ca­das em outros paí­ses, como no jor­nal argen­ti­no La Nación e na revis­ta National Geographic.

Vista parcial de Wiñay Wayna, Macchu Picchu (1941)

 

Vista parcial de Wiñay Wayna, Macchu Picchu (1941)

Em 1977, qua­tro anos após sua mor­te, os filhos, Victor e Julia Chambi, e o fotó­gra­fo e antro­pó­lo­go ame­ri­ca­no, Edward Ranney, cata­lo­ga­ram as 14 mil pla­cas de vidro do fotó­gra­fo. A pes­qui­sa resul­tou em uma gran­de expo­si­ção no Museu de Arte Moderna de Nova York (MOMA), em 1979. A for­te reper­cus­são inter­na­ci­o­nal levou essa mos­tra a cir­cu­lar por museus e uni­ver­si­da­des ame­ri­ca­nas, pas­san­do pelo Canadá e ter­mi­nan­do na Photographer’s Gallery, de Londres.

Na déca­da de 1980 foram orga­ni­za­das impor­tan­tes mos­tras sobre a obra de Chambi, como a de 1981, que pas­sa por Zurique, Berlim, Madrid e Roterdã, e a de 1984, com cura­do­ria de Juan Carlos Belón, apre­sen­ta­da em Veneza. Desde então vári­as expo­si­ções vêm sen­do exi­bi­das em diver­sos paí­ses, inclu­si­ve no Brasil, como no Museu Oscar Niemeyer de Curitiba, em 2010.

Festa de Carnaval (1926)

 

Festa de Carnaval (1926)

Atualmente os ori­gi­nais de Chambi encon­tram-se no Archivo Fotográfico Martín Chambi, em Cusco, ins­ti­tui­ção fun­da­da e diri­gi­da por seu neto Teo Allain Chambi, que pri­ma pela pre­ser­va­ção e difu­são da obra do avô. Em suas apro­pri­a­das pala­vras, Martín Chambi é o pri­mei­ro fotó­gra­fo de san­gue indí­ge­na a retra­tar seu pró­prio povo com alti­vez e dig­ni­da­de soma­das a um altís­si­mo nível téc­ni­co, um olhar excep­ci­o­nal e um magis­tral domí­nio da luz.

As 88 ima­gens que ago­ra podem ser vis­tas no site do IMS, foto­gra­fa­das entre 1919 e 1948, são pro­ve­ni­en­tes des­sa fun­da­ção, e foram sele­ci­o­na­das e ampli­a­das a par­tir de seus nega­ti­vos ori­gi­nais de vidro, nos anos 1980, por Teo Chambi.

Dois gigantes cusquenhos (1925)

 

Dois gigantes cusquenhos (1925)

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