Melhores do ano: o que fica do que passa

No cinema

31.12.11

Todos fazem sua lis­ta, tam­bém vou fazer a minha.

Um bre­vís­si­mo balan­ço de 2011 diria que o ano não foi dos pio­res, nem para o cine­ma estran­gei­ro, nem para o naci­o­nal. 

Sopro reno­va­dor

Por aqui, o que hou­ve de mais ani­ma­dor, a meu ver, foi o fres­cor de um punha­do de fil­mes de novos rea­li­za­do­res, des­pi­dos, por um lado, dos ran­ços e víci­os do cine­ma declaratório/explicativo (heran­ça cine­ma­no­vis­ta?) que nos mar­cou duran­te déca­das e, por outro, do opor­tu­nis­mo dos “pro­du­tos” fei­tos sob medi­da para cap­tu­rar de ime­di­a­to as amplas pla­tei­as (de)formadas pelas tele­no­ve­las e pelos block­bus­ters ame­ri­ca­nos.

Alguns exem­plos des­se sopro reno­va­dor: Trabalhar can­saTranseunteO céu sobre os ombrosRiscadoA ale­griaBollywood dre­am.

A má notí­cia é que pou­ca gen­te viu esses fil­mes, pois nos­so mer­ca­do exi­bi­dor está mais estran­gu­la­do do que nun­ca. A rota­ti­vi­da­de é cru­el: pou­cos títu­los con­se­guem ficar mais do que duas sema­nas em exi­bi­ção — isso quan­do con­se­guem che­gar a uma sala.

Nesse con­tex­to, em que duas ou três pro­du­ções Globo Filmes ven­dem milhões de ingres­sos, enquan­to a imen­sa mai­o­ria não pas­sa dos 20 mil, o sur­gi­men­to de um fil­me como O palha­ço che­ga a ser alvis­sa­rei­ro. Realização inde­pen­den­te, hones­ta e de qua­li­da­de, o segun­do lon­ga de Selton Mello já foi vis­to por mais de um milhão de bra­si­lei­ros, num raro êxi­to simul­tâ­neo de públi­co e de crí­ti­ca.

E para dei­xar cla­ro que não há aqui nenhum par­ti pris gera­ci­o­nal (até por­que, em ter­mos etá­ri­os, estou mais pró­xi­mo da velha do que da nova gera­ção), um dos fil­mes que mais me deram pra­zer este ano foi a comé­dia Todo mun­do tem pro­ble­mas sexu­ais, do vete­ra­no Domingos de Oliveira.

Não tão vete­ra­no, mas tam­bém não tão jovem, Cao Guimarães fez uma das obras mais belas, radi­cais e inclas­si­fi­cá­veis da cine­ma­to­gra­fia bra­si­lei­ra recen­te, Ex-Isto, sua ver­são pes­so­al para o Catatau, de Paulo Leminski.

Estrangeiros

Entre os estran­gei­ros, gran­des nomes com­pa­re­ce­ram com gran­des fil­mes: Kiarostami (Cópia fiel), Lars von Trier (Melancolia), Almodóvar (A pele que habi­to), Jean-Pierre e Luc Dardenne (O garo­to da bici­cle­ta). A minha decep­ção, nes­se setor, foi o infla­do A árvo­re da vida, de Terrence Malick.

Os argen­ti­nos mar­ca­ram pre­sen­ça com o sim­pá­ti­co Um con­to chi­nês, de Sebastián Borensztein, suces­so de públi­co no Brasil, e o intri­gan­te O homem ao lado, de Gastón Duprat e Mariano Cohn.

Mas vamos às lis­tas, sem ordem de clas­si­fi­ca­ção, que isto aqui não é con­cur­so de miss.

Filmes bra­si­lei­ros:

Trabalhar can­sa, de Marco Dutra e Juliana Rojas

Transeunte, de Eryk Rocha

Ex-isto, de Cao Guimarães

O céu sobre os ombros, de Sérgio Borges

Riscado, de Gustavo Pizzi 

Filmes estran­gei­ros:

Melancolia, de Lars von Trier

O garo­to da bici­cle­ta, de Jean-Pierre e Luc Dardenne

A pele que habi­to, de Pedro Almodóvar

Cópia fiel, de Abbas Kiarostami

O homem ao lado, de Gastón Duprat e Mariano Cohn

 
Agora é com vocês.
* Na ima­gem da home que ilus­tra este post: o ator João Miguel em cena de Ex-isto, de Cao Guimarães

 

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