Millôr: Nosso maior filósofo

Séries

22.03.13

Millôr foi a mais ful­gu­ran­te inte­li­gên­cia do Brasil, o nos­so mai­or humo­ris­ta, o nos­so mai­or fra­sis­ta, o nos­so Bernard Shaw, o nos­so La Rochefoucauld, o nos­so Groucho Marx, o nos­so Saul Steinberg. Com pelo menos uma van­ta­gem sobre os cita­dos: Shaw, La Rochefoucauld e Groucho não sabi­am dese­nhar, e Steinberg não era de escre­ver. Além de escre­ver, Millôr era um esplên­di­do artis­ta plás­ti­co. Gênio de mui­tas faces e nomes (Vão Gôgo, Volksmillor, Milton à Milanesa), foi um dos mai­o­res pen­sa­do­res do país e seu mais diver­ti­do filó­so­fo.

De uma cri­a­ti­vi­da­de assom­bro­sa, vol­ta e meia depa­ra­mos com uma novi­da­de ? expres­sões, brin­ca­dei­ras, defi­ni­ções, saca­das jor­na­lís­ti­cas ? inven­ta­da por ele alguns ou mui­tos anos atrás. Dominava o ver­ná­cu­lo à per­fei­ção, bus­can­do, obs­ti­na­da­men­te, a supos­ta imper­fei­ção da lín­gua fala­da, colo­qui­al. Por ser a con­ci­são o timing do humor escri­to, jamais gas­tou 11 pala­vras onde cabi­am dez ? e às vezes con­se­guia o mes­mo efei­to com nove. Vez por outra, porém, deso­be­de­cia esse pre­cei­to e desem­bes­ta­va, sem jamais ficar enxun­di­o­so. Cometia em sua pro­sa toda sor­te de firu­las e audá­ci­as, e até o esti­lo anfi­gú­ri­co de Guimarães Rosa paro­di­ou numa memo­rá­vel ver­são (ou river­são) da his­tó­ria do Chapeuzinho Vermelho.

Sergio Augusto é jor­na­lis­ta

O acer­vo de Millôr Fernandes aca­ba de ser incor­po­ra­do ao IMS. Em seu estú­dio, foram inven­ta­ri­a­dos 7.858 itens, sen­do 6.577 obras, mate­ri­al que come­ça a ser cata­lo­ga­do.

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