Millôr: uma errata

Literatura

04.12.14

O Instituto Moreira Salles infor­ma que subs­ti­tui­rá toda a tira­gem do livro Millôr 100 dese­nhos + 100 fra­ses, lan­ça­do em julho de 2014. Os lei­to­res que o adqui­ri­ram pode­rão tro­car seu exem­plar por um novo, sem ônus, em datas e locais a serem anun­ci­a­dos nos pró­xi­mos dias.

A medi­da visa cor­ri­gir a pri­mei­ra edi­ção, que equi­vo­ca­da­men­te atri­bui a Millôr Fernandes a auto­ria de uma obra de Saul Steinberg (1914–1999). Trata-se do séti­mo dese­nho do livro, o que acom­pa­nha a fra­se “Analista é um sujei­to que par­tin­do de pre­mis­sas fal­sas con­se­gue che­gar a con­clu­sões per­fei­ta­men­te equi­vo­ca­das”.

Arquivado por Millôr em meio a tra­ba­lhos de sua auto­ria, o dese­nho traz na mar­gem esquer­da infe­ri­or um comen­tá­rio escri­to à mão: “O pé é aqui. Domingo saiu de cabe­ça pra bai­xo. Que pena! Abração Millôr”. Anotações des­te tipo eram fre­quen­tes no acer­vo do artis­ta e, em geral, tinham como des­ti­na­tá­ri­os edi­to­res dos jor­nais e revis­tas em que seus dese­nhos eram publi­ca­dos. Em geral, são ins­tru­ções para dia­gra­ma­ção ou sim­ples­men­te reca­dos para seus inter­lo­cu­to­res.

Por fazer par­te de sua roti­na de tra­ba­lho, o comen­tá­rio de Millôr indu­ziu os edi­to­res do IMS a atri­buir a ele o dese­nho – que foi publi­ca­do não num domin­go, mas na quar­ta-fei­ra 24 de outu­bro de 2001, no Jornal do Brasil. No “qua­dra­do”, como era conhe­ci­do o espa­ço de sua colu­na no jor­nal cari­o­ca, Millôr repro­du­ziu o dese­nho com o seguin­te tex­to, inequí­vo­co: “Em 1960, Saul Steinberg, um dos mai­o­res artis­tas grá­fi­cos do sécu­lo XX, tra­çou minu­ci­o­sa­men­te o cami­nho que, no sécu­lo XXI, leva­ria Bush a Abin Laden. (Cuidado, man­ter em lugar fres­co, lon­ge das cri­an­ças e sobre­tu­do de tali­bãs. Bin Laden pode apro­vei­tar pra fazer enge­nha­ria rever­sa.)”.

O Instituto Moreira Salles pede des­cul­pas pelo erro e, tam­bém, pela demo­ra em detec­tá-lo. Este mes­mo comu­ni­ca­do foi envi­a­do à The Saul Steinberg Foundation, a quem agra­de­ce­mos publi­ca­men­te pela com­pre­en­são.

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