Modernidades sem retoques

Fotografia

19.03.16

O perío­do entre 1940 e 1964 foi fun­da­men­tal para a for­ma­ção da foto­gra­fia moder­na no país. Quatro fotó­gra­fos, de ori­gens mui­to dife­ren­tes, repre­sen­tam esse momen­to cul­tu­ral na expo­si­ção Modernidades foto­grá­fi­cas, em car­taz a par­tir de hoje, às 17h, no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro.

Um dos fotó­gra­fos é o ale­mão Hans Gunter Flieg, que se mudou para o Brasil aos dezes­seis anos, fugin­do do antis­se­mi­tis­mo que domi­na­va seu país em 1939. A par­tir de 1945, quan­do se esta­be­le­ceu no mer­ca­do como fotó­gra­fo indus­tri­al, de publi­ci­da­de e de arqui­te­tu­ra, lan­çou um olhar rigo­ro­so – com influên­ci­as mar­ca­das da Bauhaus e do gru­po ale­mão Nova Objetividade – sobre ins­ta­la­ções indus­tri­ais, edi­fí­ci­os, inte­ri­o­res e obje­tos. Durante três déca­das, acu­mu­lou um arqui­vo de ima­gens que docu­men­ta como pou­cos o pro­ces­so de indus­tri­a­li­za­ção do Brasil, espe­ci­al­men­te de São Paulo.

Neste vídeo, fei­to espe­ci­al­men­te para a mos­tra, Flieg comen­ta o cená­rio da foto­gra­fia no pós-guer­ra. “Ainda era o cos­tu­me tirar foto­gra­fi­as de peças de máqui­na para anún­ci­os”, con­ta, “mas o papel não era gran­de coi­sa, as máqui­nas não eram gran­de coi­sa…”. Tinha-se o hábi­to de fazer reto­ques, porém Flieg, que pedia peças per­fei­tas, con­ven­ceu os cli­en­tes que reto­ques eram des­ne­ces­sá­ri­os, arti­fi­ci­a­li­za­vam a ima­gem. O resul­ta­do são ima­gens pecu­li­a­res como esta abai­xo:

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