Não ganharemos a Copa em casa

Correspondência

03.11.11

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Meu que­ri­do Dapieve:

A fra­se do Verissimo, cita­da por você, é, de fato, pre­ci­sa. Quando, no domin­go pas­sa­do, o Grêmio virou pra riba do impé­rio midiá­ti­co, saiu uma das mai­o­res tro­cas de pala­vrões do bair­ro — e olha que estou na área faz tem­po. Um garo­to gri­tou “Fogo!” e depois acres­cen­tou uma goza­ção aos que “caí­ram de qua­tro por­que o Ronaldinho gos­ta…”. Recebeu de vol­ta um canho­neio dig­no do Dia D, mas não refres­cou. O resul­ta­do é que pude ano­tar (para uso futu­ro) em meu canhe­nho, oba!, algu­mas expres­sões curi­o­sís­si­mas, incluin­do uma sobre a orla de pêlos em tor­no do ânus. Enquanto o tiro­teio ver­bal comia, minha mulher, tal musa de Orestes Barbosa, sor­ria por trás da vene­zi­a­na e esfre­ga­va as lin­das mãos:

- Caceta, pare­ce minha infân­cia em Vila Valqueire…

Três vivas ao Verissimo!

Eu pre­ten­dia mes­mo digi­es­cre­vi­nhar umas obser­va­ções sobre o “rude espor­te bre­tão” (home­na­gem pós­tu­ma ao gran­de bota­fo­guen­se Luiz Mendes). No fun­do, pode­ri­am ser resu­mi­das numa úni­ca fra­se: como tem cas­ca­tei­ro “coman­dan­do” times no fute­bol tupi­ni­quim! Van Luxemba con­ti­nua impá­vi­do em sua linha de raci­o­cí­nio (???) “tudo den­tro do que pla­ne­jei”, ou seja, ele, táti­co bri­lhan­te, optou por dez jogos sem vitó­ria, tomou qua­tro de vira­da dos gar­ras­ta­zuis etc. Tenho um neto pau­lis­ta­no, o Vinícius, Corinthians de cho­rar. O Doutor Professor Tite — e não per­doo isso — enga­be­lou o garo­to com argu­men­tos cre­ti­nos: “Começamos a 150%. Isso não podia con­ti­nu­ar. Então, caí­mos para uns 70%, esta­mos atin­gin­do, ago­ra sim, a nos­sa meta para a che­ga­da, bus­can­do o cam­pe­o­na­to”. Gostaria que Tite expli­cas­se o seguin­te: os nume­ro­sos times que foram cam­peões invic­tos eram for­ma­dos por anor­mais, como os que fazi­am pac­to de mor­te atrás da Central do Brasil, nos anos 50?

Já con­tei que um ami­go, bota­fo­guen­se e mar­ren­to, foi a São Paulo ver um jogo e ficou o tem­po todo pres­tan­do aten­ção exclu­si­va­men­te em Adilson Já-Caiu. Meu ami­go, com papel e lápis, fazia um pau­zi­nho para cada “ins­tru­ção” do elo­gi­a­do téc­ni­co (as tor­ci­das que o brin­da­ram com diver­sos nomes podem con­fir­mar quan­to ele foi elo­gi­a­do…). No fim do jogo, o tal papel tinha duzen­tas e tan­tas ordens gri­ta­das aos des­nor­te­a­dos joga­do­res, com aque­las mãos, que pare­cem de deu­ses indi­a­nos, indi­can­do como devem se posi­ci­o­nar em cam­po. Dizem que num jogo no qual Rivaldo esta­va com oti­te e foi pro sacri­fí­cio, o São Paulo bri­lhou. Seu astro não ouvia direi­to. Para resu­mir esses exce­len­tes salá­ri­os que não coin­ci­dem com a rea­li­da­de em cam­po, pode­mos citar a figu­ra zen do Enrolador-Mor: Mano Menezes. À exce­ção de raras joga­das indi­vi­du­ais, ain­da não con­se­gui ver N-A-D-A na sele­ção diri­gi­da por ele. Não ganha­re­mos a Copa em casa — até por­que a casa não é nos­sa. Trata-se de um apa­re­lho do PC do B (mais um).

Eu não cho­ra­va por moti­vos polí­ti­cos des­de a pri­são, duran­te a cor­rup­ta dita­du­ra mili­tar, da tur­ma do Pasquim. Quando sou­be da nome­a­ção de Aldo, o Desmatador, Rebelo para subs­ti­tuir Orlando Furioso, sen­ti os olhos molha­dos e pen­sei: “Isso é brin­car com a ver­da­de. Preciso cha­mar logo o Dr. Paschoal Chrispin pra ver isso. Estou empur­ran­do o pro­ble­ma com as cór­ne­as des­de que a dia­be­tes 2 apa­re­ceu”. Fui ao espe­lho e tive que me con­ven­cer do óbvio: eu esta­va cho­ran­do de rai­va.

É tris­te o espe­tá­cu­lo públi­co de uma mulher de brio, ex-guer­ri­lhei­ra, que che­gou à Presidência da República, tor­nar-se refém de um par­ti­de­co que só faz apa­re­lhar os bicos que abo­ca­nha. O nefan­do pro­ce­di­men­to é mui­to anti­go. Há qua­se 20 anos, o PC do B fez uma ali­an­ça espú­ria com o pior tipo de cor­po­ra­ti­vis­mo e ven­ceu elei­ções num órgão fis­ca­li­za­dor do Rio. Algumas pre­ci­o­si­da­des éti­cas da linha neo­al­ba­ne­sa: um mem­bro da dire­to­ria res­pon­de — se ain­da não var­re­ram pra bai­xo do tape­te — por dois assé­di­os sexu­ais, arras­tan­do fun­ci­o­ná­ri­as para o escu­ri­nho do almo­xa­ri­fa­do. Outra: uma das pri­mei­ras pre­si­den­tas do, hum, órgão usa­va o car­go ofi­ci­al para encon­tros com um reco, vol­tan­do ao baten­te no fim da tar­de. Você deve ter nota­do que, por deli­ca­de­za, não a cha­mei de mem­bro da cópu­la, des­cul­pe, cúpu­la. Uma bal­za­qui­a­na tão volup­tu­o­sa mere­ce o títu­lo de dire­xo­ta.

Eles estão lá até hoje. A Dilma que, no bom sen­ti­do, abra o olho.

Hoje, acor­do e dou de cara com a man­che­te: faxi­na do Aldo não pode ser fei­ta no Ministério dos Esportes por­que esbar­ra em nume­ro­sos pro­je­tos do — tchãn! — PC do B.

Quero ter­mi­nar, por uma ques­tão de jus­ti­ça, acres­cen­tan­do: care­ce de fun­da­men­to que Aldo Rebelo, após a pos­se, encon­trou sobre sua mesa um abai­xo-assi­na­do das fun­ci­o­ná­ri­as minis­te­ri­ais cujo títu­lo era “NÃO QUEREMOS SER DESMATADAS”.

Abraço fra­ter­no,

Aldir

 

* Na ima­gem da home que ilus­tra este post: o téc­ni­co Mano Menezes ao anun­ci­ar a con­vo­ca­ção de joga­do­res para amis­to­sos da Seleção em novem­bro (foto: Mowa Press)

 

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