No closet de David Bowie

Música

22.04.13

Exposição "David Bowie is"

Coloque os fones de ouvi­do e come­ce a dan­çar. David Bowie is, expo­si­ção que está em car­taz no Victoria and Albert Museum, em Londres, é uma fes­ta. Ao com­prar o ingres­so, ima­gi­ne que está indo para uma cele­bra­ção. Uma ver­da­dei­ra come­mo­ra­ção da obra des­te artis­ta que é um íco­ne da músi­ca, da moda e da arte. É a pri­mei­ra retros­pec­ti­va inter­na­ci­o­nal da car­rei­ra de Bowie. Não é à toa que há filas e mais filas e que os ingres­sos já estão qua­se esgo­ta­dos. A expo­si­ção fica em car­taz em Londres até 11 de agos­to des­te ano, e em 2014 será leva­da ao Brasil pelo Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS/SP).

Mas como é uma fes­ta, vamos nos diver­tir. Só não se ani­me mui­to, por­que não se pode entrar com bebi­das nem tirar fotos. O res­to está ali. O come­ço da car­rei­ra, as músi­cas, as letras, os obje­tos, as fotos e as rou­pas. É como entrar no mun­do do artis­ta. Conforme você vai pas­san­do pelas salas, as músi­cas entram auto­ma­ti­ca­men­te nos fones de ouvi­do. Sim, não era modo de dizer, eles real­men­te dis­tri­bu­em fones de uso obri­ga­tó­rio. E é aí que você olha para o lado e come­ça a ver pes­so­as dan­çan­do, baten­do o pé e can­ta­ro­lan­do as músi­cas. E é aí que você relem­bra diver­sas can­ções e pen­sa em como Bowie faz par­te da sua vida e emba­lou tan­tas fes­ti­nhas na sua ado­les­cên­cia. E é aí que você vê que ele faz par­te da his­tó­ria de todos des­de que compôs Space oddity sobre a ima­gem azul da Terra.

Exposição "David Bowie is"

Os cura­do­res da expo­si­ção, Victoria Broackes e Geoffrey Marsh, sele­ci­o­na­ram mais de 300 obje­tos, reu­ni­dos pela pri­mei­ra vez. Para os fãs, é como entrar na casa do Bowie. Ou melhor, no clo­set. Tem o figu­ri­no do Ziggy Stardust dese­nha­do por Freddie Burretti e a jaque­ta com a ban­dei­ra bri­tâ­ni­ca cri­a­da por Alexander McQueen para a capa do álbum Earthling, entre tan­tos outros. Muitos mes­mo. Vendo tan­tos figu­ri­nos ao lon­go das salas, fica níti­do o quan­to Bowie é um artis­ta obce­ca­do com a ima­gem, que se expres­sa tan­to atra­vés das letras quan­to do visu­al. Outra coi­sa que se evi­den­cia é a influên­cia de sua obra no mun­do e em outros artis­tas, sem­pre que­bran­do bar­rei­ras. Devemos mui­to a Bowie.

Telões enor­mes levam os visi­tan­tes para a pri­mei­ra fila de um show. Vídeos de entre­vis­tas com Bowie os trans­for­mam em espec­ta­do­res VIP. É pos­sí­vel tocar em vári­os dis­cos, des­co­brir mais e mais coi­sas sobre o artis­ta e ser sur­pre­en­di­do com o bone­qui­nho de duas cabe­ças que apa­re­ce no vídeo de “Where are we now”, lan­ça­do este ano. Podemos assis­tir a tre­chos de fil­mes dos quais ele par­ti­ci­pou, ver como ele escre­ve as can­ções, quem são seus ami­gos e as par­ce­ri­as fir­ma­das ao lon­go de cin­quen­ta anos de car­rei­ra. Vemos o artis­ta, ouvi­mos as músi­cas, conhe­ce­mos fotos suas quan­do cri­an­ça. Enfim, é como um encon­tro com David Bowie. Do jei­to que ele é.

Exposição "David Bowie is"

Mais eu não falo. Agende-se para feve­rei­ro de 2014 no Brasil, ou com­pre hoje a sua pas­sa­gem para Londres. E faça-me um favor: colo­que um dis­co do Bowie e vá dan­çar.

* Leticia Nascimento é jor­na­lis­ta e mora em Londres.

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