Notas perdidas sobre o estado das literaturas nas Américas

Literatura

01.12.14

Estive pela pri­mei­ra vez em Santiago no iní­cio de novem­bro para a FILSA, a mai­or fei­ra lite­rá­ria do Chile. Aterrissei numa quin­ta à noi­te, e des­co­bri no dia seguin­te que sex­ta e sába­do eram feri­a­dos em Santiago, e domin­go, bem, era domin­go. De modo que não me res­ta­va opção: tudo esta­ria fecha­do e eu não conhe­ce­ria a cida­de como turis­ta. Restou ape­nas outra for­ma de turis­mo: o de pes­so­as. Nos cin­co dias que pas­sei na cida­de, con­ver­sei o tem­po todo com escri­to­res e escri­to­ras de todas as par­tes da América Latina e vol­tei a São Paulo com a mala cheia de livros de auto­res que, até então, eu nun­ca tinha ouvi­do falar, e que nun­ca foram tra­du­zi­dos para o por­tu­guês, mes­mo aque­les que ven­di­am milha­res de livros em seus paí­ses de ori­gem.

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Falar da lite­ra­tu­ra de um país é, gene­ra­li­zan­do, sem­pre uma gene­ra­li­za­ção. E, ain­da assim, a his­tó­ria da lite­ra­tu­ra sem­pre se estru­tu­rou da seguin­te manei­ra, e con­ti­nua se estru­tu­ran­do. Na facul­da­de, esco­lhe-se entre “Literatura bra­si­lei­ra” ou “Literatura por­tu­gue­sa” ou algo mais con­ti­nen­tal como “Literatura afri­ca­na” ou “Literatura lati­no-ame­ri­ca­na”. Mesmo a área que abor­da o diá­lo­go entre duas lite­ra­tu­ras de paí­ses dis­tin­tos — a “Literatura com­pa­ra­da” — pre­ci­sa lidar, em seus ensai­os e dis­ser­ta­ções, com o fato de que, antes de com­pa­rar­mos dois auto­res de dife­ren­tes naci­o­na­li­da­des, pre­ci­sa­mos refle­tir em como eles estão inse­ri­dos den­tro da tra­di­ção lite­rá­ria de seu país.

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Um escri­tor peru­a­no recen­te­men­te afir­mou em uma mesa na FILSA que gos­ta­va mui­to de ler livros nor­te-ame­ri­ca­nos, pois “não pare­ce que você está len­do um livro”.

Há mais de mês, come­cei a ler The Bone Clocks, novo roman­ce de David Mitchell, escri­tor inglês cujo esti­lo se encai­xa na defi­ni­ção nor­te-ame­ri­ca­na aci­ma. O livro foi bas­tan­te espi­na­fra­do pelo famo­so crí­ti­co James Wood – famo­so entre outras coi­sas, por espi­na­frar auto­res conhe­ci­dos e ado­ra­dos pelo públi­co, como Paul Auster. A rese­nha nega­ti­va de Wood não me deses­ti­mu­lou a ler o livro; pelo con­trá­rio, ado­ro a ideia de dis­cor­dar fron­tal­men­te de James Wood. No entan­to, o mês pas­sou e não con­si­go, de modo algum, ter­mi­nar o roman­ce de Mitchell. Ele é inte­res­san­te, legí­vel, engra­ça­do, às vezes tocan­te, tra­ta de um tema que mui­to me inte­res­sa (fenô­me­nos sobre­na­tu­rais em um mun­do céti­co e cien­ti­fi­cis­ta; fler­te com fic­ção cien­tí­fi­ca), e gos­to dos livros ante­ri­o­res do autor. E, no entan­to, não con­si­go aca­bar o roman­ce. A expli­ca­ção está na rese­nha de James Wood, com a qual quis dis­cor­dar e falhei. Wood afir­ma, resu­mi­da­men­te, que David Mitchell é um rei do story­tel­ling. Ele con­ta mui­to bem as his­tó­ri­as, e con­se­gue nar­rar cen­te­nas de pági­nas sem que isso se tor­ne maçan­te ou can­sa­ti­vo — uma ten­dên­cia dos nar­ra­do­res angló­fo­nos. Porém, pro­vo­ca Wood, do que ser­ve esse domí­nio téc­ni­co se Mitchell não tem nada a dizer?

O escritor britânico David Mitchell

Mas o gran­de erro que come­ti len­do David Mitchell foi este: li outro roman­ce ao mes­mo tem­po. Cada lei­tor tem sua téc­ni­ca para ler mais de um livro ao mes­mo tem­po; a minha é alter­nar um roman­ce lon­go (como The Bone Clocks e suas 600 pági­nas) com con­tos, poe­mas ou ensai­os. Mas, por algum des­vio de cará­ter, ou pelo fato de que o livro de Mitchell era pesa­do demais para car­re­gar na mochi­la, come­cei a ler Cantiga de fin­dar, pri­mei­ra obra do mexi­ca­no Julián Herbert publi­ca­da no Brasil. Por ser cur­to e fácil de trans­por­tar, li o livro intei­ro no ôni­bus. A his­tó­ria, que a pri­o­ri não me inte­res­sa­va — um rela­to auto­fic­ci­o­nal de um escri­tor que ten­ta lidar com o fato de que sua mãe era pros­ti­tu­ta, e o perío­do em que a acom­pa­nhou no hos­pi­tal — foi me con­ta­gi­an­do aos pou­cos. Terminei a lei­tu­ra com os olhos chei­os d’água. É um livro desa­jei­ta­do, de cer­ta for­ma, como o pró­prio pos­fá­cio, escri­to por Gustavo Pacheco, indi­ca. As mar­cas da “boa lite­ra­tu­ra”, o domí­nio téc­ni­co, a estru­tu­ra bem for­ma­ta­da, nada dis­so está pre­sen­te. Ainda há espa­ço para meia dúzia de fra­ses de efei­to no final dos capí­tu­los que alguns edi­to­res cogi­ta­ri­am cor­tar. É um livro de exces­sos, até por­que nada nele pare­ce exa­ta­men­te nar­rá­vel, pare­ce ser maté­ria de roman­ce. E, ain­da assim, ter­mi­nan­do a lei­tu­ra, a sen­sa­ção que fica é que o livro sur­giu de uma neces­si­da­de do autor. Ele pre­ci­sou escre­ver aque­le livro, da mes­ma manei­ra como o pepi­no-do-mar pre­ci­sa expul­sar suas par­tes inter­nas (rou­ban­do uma metá­fo­ra do roman­ce).

O mexicano Julián Herbert

Foi assim que Cantiga de fin­dar sabo­tou ain­da mais a minha lei­tu­ra de David Mitchell.

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Um livro inte­res­san­tís­si­mo de não-fic­ção foi publi­ca­do recen­te­men­te nos Estados Unidos. Trata-se de MFA vs. NYC, orga­ni­za­do por Chad Harbach, da N+1. Trata-se de uma inves­ti­ga­ção acer­ca dos dois polos que regem qua­se toda a lite­ra­tu­ra nor­te-ame­ri­ca­na atu­al: de um lado, os cur­sos de escri­ta cri­a­ti­va (MFA), que se mul­ti­pli­cam mais do que grem­lins; de outro, as gran­des casas edi­to­ri­ais de Nova Iorque (NYC) e a cons­tan­te bus­ca pelo novo Jonathan Franzen. MFA vs. NYC reú­ne um deba­te aca­lo­ra­do com diver­sos depoi­men­tos dos dois lados; ambos afir­mam que não há homo­ge­nei­za­ção da escri­ta, nem pelas aulas de escri­ta cri­a­ti­va, nem pelas pres­sões do mer­ca­do novai­or­qui­no. O livro é inte­res­san­tís­si­mo por um punha­do de razões, e uma delas é a seguin­te: leva em con­ta, o tem­po intei­ro, que os modos de pro­du­ção aca­bam sen­do defi­ni­do­res da obra, mui­to mais do que um escri­tor que se ima­gi­na livre gos­ta­ria que fos­sem. Seria incrí­vel se alguém com tem­po livre e espí­ri­to inves­ti­ga­ti­vo fizes­se um pro­je­to seme­lhan­te no Brasil.

Apesar de todos os dis­cur­sos anti-homo­ge­nei­za­ção, a ver­da­de é que um lei­tor estran­gei­ro como eu enxer­ga, sim, um padrão na lite­ra­tu­ra angló­fo­na atu­al. Os temas mudam, mas há algo mui­to bási­co no ato de nar­rar, na arte do story­tel­ling, que une Jonathan Franzen a Jennifer Egan e David Mitchell a Zadie Smith. Uma manei­ra de des­cre­ver ação. O uso de diá­lo­go sem­pre acom­pa­nha­do de ver­bo espe­cí­fi­co des­cre­ven­do como o diá­lo­go foi arti­cu­la­do (“he gas­ped”, “she frow­ned”, “he shrug­ged” e outras expres­sões infer­nais de tra­du­zir ao por­tu­guês), a des­cri­ção de um per­so­na­gem que apa­re­ce em cena sem­pre com metá­fo­ras sobre sua manei­ra de se des­lo­car no espa­ço etc. etc. Como se todos tives­sem fre­quen­ta­do o mes­mo cur­so de escri­ta cri­a­ti­va, embo­ra sai­ba­mos que os cur­sos não são redu­ci­o­nis­tas. É pos­sí­vel, enfim, gene­ra­li­zar um “modo de escre­ver angló­fo­no”, mes­mo que haja inú­me­ras exce­ções à regra (como Ben Lerner, Lars Iyer, Ali Smith…). Podemos espe­cu­lar, ain­da, que há um moti­vo, para além do geo­po­lí­ti­co e da for­ça do mer­ca­do e da publi­ci­da­de, pelo qual a mai­o­ria esma­ga­do­ra de best-sel­lers são de lín­gua ingle­sa — como se a for­ma mais legí­vel de story­tel­ling tives­se sido aper­fei­ço­a­da e domi­na­da a pon­to de virar fór­mu­la pela tra­di­ção angló­fo­na. E que as ten­ta­ti­vas bra­si­lei­ras de best-sel­ler bus­cam imi­tar jus­ta­men­te esse esti­lo.

A lite­ra­tu­ra lati­no-ame­ri­ca­na, por sua vez, exis­te e pul­sa como um espa­ço de diver­gên­cia a esse modo de nar­rar.

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O dita­do afir­ma: reú­na um gru­po de ban­quei­ros e eles só fala­rão de arte; reú­na um gru­po de artis­tas e eles só fala­rão de dinhei­ro. Na Filsa, o assun­to “como você paga as suas con­tas” era recor­ren­te entre os auto­res. Há quem tra­ba­lhe lou­ca­men­te por seis meses para poder pas­sar outros seis meses sem tra­ba­lhar, ape­nas escre­ven­do; há quem foi jor­na­lis­ta por um lon­go tem­po e ago­ra, que con­se­guiu alguns con­tra­tos de publi­ca­ção melho­res, tenha aban­do­na­do a área do jor­na­lis­mo ofi­ci­al e se dedi­ca­do a peque­nos tra­ba­lhos fre­e­lan­ce, umas ofi­ci­nas lite­rá­ri­as aqui e aco­lá, e vai ten­tar sobre­vi­ver dis­so. Mas não há garan­ti­as. Há um sujei­to que sal­ta de uma resi­dên­cia lite­rá­ria para outra. Não fixa raí­zes; pas­sa três meses em Portland, três meses em Bruxelas e assim por dian­te. Há quem tenha um empre­go fixo, 40 horas sema­nais, e ten­ta escre­ver fic­ção nos fins de sema­na. Há quem tra­du­za, quem orga­ni­ze anto­lo­gi­as, quem tra­ba­lhe no meio edi­to­ri­al. Há, ain­da, quem ado­te um modo de vida de con­su­mo míni­mo, moran­do numa região qua­se flo­res­tal da Bolívia, viven­do com 200 dóla­res por mês. Ninguém sabe mui­to bem como con­se­gue pagar as con­tas, embo­ra todos sai­bam que pagar as con­tas e escre­ver fic­ção sejam duas coi­sas em guer­ra.

MFA vs. NYC sus­ci­ta uma infi­ni­da­de de ques­tões, e um tex­to dis­cu­tin­do essas ques­tões pode­ria ser tão ou mais lon­go que o pró­prio livro. Mas, para o estran­gei­ro que o ler, ele tam­bém ofe­re­ce uma decla­ra­ção bas­tan­te cla­ra: os novos escri­to­res nor­te-ame­ri­ca­nos encon­tra­ram um cami­nho, des­co­bri­ram onde se esco­rar. O MFA – o cur­so de escri­ta cri­a­ti­va – se espa­lhou de tal for­ma que há mais de 1.200 cur­sos que con­fe­rem diplo­ma no país. E, ao con­trá­rio de mui­tas facul­da­des, não cobram for­tu­nas. Pelo con­trá­rio, dis­tri­bu­em bol­sas mui­to bem pagas a escri­to­res nova­tos que demons­trem talen­to. Há uma mas­sa de escri­to­res sur­gi­dos do MFA que escre­vem livros lidos por… alu­nos do MFA – todo um mer­ca­do auto­fá­gi­co. E auto­res que via­jam pelos Estados Unidos dan­do cur­sos por aí, quan­do não se tor­nam pro­fes­so­res de MFA. O MFA está por toda par­te que, con­for­me um tex­to do livro suge­re, todos os escri­to­res são influ­en­ci­a­dos por ele: mes­mo os que não fize­ram um cur­so de escri­ta cri­a­ti­va com cer­te­za leram algum autor que pas­sou por isso (gran­de par­te dos nomes sur­gi­dos nos últi­mos ses­sen­ta anos). A ideia e a esté­ti­ca do MFA se tor­nou uma cul­tu­ra: a pro­sa nor­te-ame­ri­ca­na, afi­nal. E essa mas­sa de escri­to­res pro­duz, na opi­nião de David Foster Wallace, “con­tos ente­di­an­tes nos quais é tão difí­cil encon­trar um pro­ble­ma téc­ni­co quan­to é lem­brar do que se tra­ta a his­tó­ria depois do fim da lei­tu­ra”.

Do outro lado, no mun­do do mer­ca­do edi­to­ri­al sel­va­gem, ou você se dá bem e é publi­ca­do por uma das “gran­des”, ou desa­pa­re­ce. Mas, se você con­se­gue entrar no cir­cui­to, o adi­an­ta­men­to é de seis dígi­tos… Afinal, não pode­mos esque­cer que o mer­ca­do lite­rá­rio ame­ri­ca­no é infi­ni­ta­men­te mai­or que o bra­si­lei­ro, e que lá o con­su­mo de lite­ra­tu­ra angló­fo­na cor­res­pon­de a mais de 90% das lei­tu­ras (ou seja, é um país mui­to fecha­do ao que vem de fora). Todavia, como afir­ma um depoi­men­to no livro, “ser um escri­tor NYC sign­fi­ca se sub­me­ter a uma pres­são incons­ci­en­te, porém pode­ro­sa, de legi­bi­li­da­de”.

Ou seja: para o escri­tor MFA, há todo um mer­ca­do inter­no por onde ele pode cir­cu­lar, escre­ven­do seus con­tos e poe­mas não mui­to comer­ci­ais, mas embre­nha­dos na esté­ti­ca do cur­so de escri­ta cri­a­ti­va; para o escri­tor NYC, há a pres­são aca­cha­pan­te do mer­ca­do que bus­ca jus­ta­men­te aque­la téc­ni­ca per­fei­ta de um David Mitchell: o livro de 600 pági­nas que você pode ler como se fos­se uma revis­ta. Um acha­ta­men­to em dire­ção ao “mid­dle­brow”, como suge­re ain­da outro tex­to do livro.

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A novai­or­qui­na Nicole Krauss, auto­ra do óti­mo A his­tó­ria do amor, recen­te­men­te decla­rou ser total­men­te apai­xo­na­da pela fic­ção em espa­nhol. A des­co­ber­ta de Roberto Bolaño, seu ído­lo lite­rá­rio, repre­sen­tou para ela a reve­la­ção de que “a lite­ra­tu­ra anglo­sa­xã está mor­ta”.

A novaiorquina Nicole Krauss

Não con­si­go me ima­gi­nar fazen­do um comen­tá­rio tão for­te quan­to o de Krauss, mas se tem algo que con­cluí após anos de lei­tu­ra inten­sa de novos auto­res angló­fo­nos e his­pa­nó­fo­nos é isso: para o escri­tor lati­no-ame­ri­ca­no, pro­du­zir fic­ção é uma for­ma de sui­cí­dio. Só alguém com­ple­ta­men­te malu­co se dedi­ca­ria a algo nada lucra­ti­vo, sem a menor esta­bi­li­da­de, sem ter onde se esco­rar. Isso, por um lado, pode suge­rir um pro­ble­ma gra­vís­si­mo: quem se arris­ca­rá a escre­ver fic­ção pro­va­vel­men­te virá de um back­ground de clas­se média. A solu­ção para isso tal­vez depen­da de outros fato­res, como demo­cra­ti­za­ção do aces­so a lei­tu­ra. Mas, no assun­to que essas notas abor­dam, o efei­to mais prá­ti­co é este: a fic­ção lati­no-ame­ri­ca­na é deses­pe­ra­da, enquan­to a angló­fo­na con­tem­po­râ­nea é tran­qui­la. Se Nicole Krauss tem a impres­são de que seus con­ter­râ­ne­os estão pro­du­zin­do uma lite­ra­tu­ra mor­ta, é por­que os lati­nos estão cri­an­do algo explo­din­do de vita­li­da­de. E mais: o mer­ca­do lite­rá­rio mam­bem­be dos nos­sos paí­ses tão peri­fé­ri­cos per­mi­tem uma diver­si­da­de mai­or; não há regras tão defi­ni­das, pois não temos adi­an­ta­men­tos de seis dígi­tos nem con­tra­tos hollywo­o­di­a­nos. Não temos o esti­lo MFA e não temos um “mid­dle­brow” demar­ca­do. E, ape­sar dis­so, quem vai numa livra­ria bra­si­lei­ra encon­tra mui­to mais escri­to­res medío­cres tra­du­zi­dos do inglês do que novos auto­res que escre­vem em espa­nhol (pou­cas edi­to­ras pare­cem inves­tir nis­so, inclu­si­ve). Mas as cau­sas dis­so são assun­to para outro tex­to.

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Desde o meu retor­no do Chile, li diver­sos novos auto­res lati­nos, nomes des­co­nhe­ci­dos no Brasil, como o chi­le­no pop Álvaro Bisama, a argen­ti­na vis­ce­ral Gabriela Cabezón, o peru­a­no de impres­si­o­nan­te for­ça nar­ra­ti­va Jeremías Gamboa e o boli­vi­a­no semi-mís­ti­co Juan Pablo Piñeiro. Cada um pare­ce habi­tar um uni­ver­so dife­ren­te. Cada um escre­ve com vigor, pois para eles não há outra esco­lha. Escrever lite­ra­tu­ra nun­ca foi uma opção, mas um aci­den­te, uma que­da, um mer­gu­lho, e eles estão dis­pos­tos a levar este aci­den­te ao limi­te.

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