O estúdio fotográfico Chico Albuquerque

Fotografia

24.02.14

O IMS-RJ apre­sen­ta a par­tir de 25 de feve­rei­ro a expo­si­ção O estú­dio foto­grá­fi­co Chico Albuquerque. A cura­do­ria é de Sergio Burgi, coor­de­na­dor de foto­gra­fia do IMS e tam­bém autor do tex­to de apre­sen­ta­ção cujo excer­to apre­sen­ta­mos abai­xo, reti­ra­do do catá­lo­go da expo­si­ção. São 120 ima­gens da pro­du­ção do fotó­gra­fo em seu perío­do de atu­a­ção em São Paulo, sele­ci­o­na­das a par­tir de suas prin­ci­pais ver­ten­tes.

Praça Ramos de Azevedo, c. 1955 | São Paulo

Chico Albuquerque nota­bi­li­zou-se como um dos pio­nei­ros da foto­gra­fia de publi­ci­da­de no Brasil ao foto­gra­far, em 1949, a pri­mei­ra cam­pa­nha publi­ci­tá­ria ilus­tra­da por um bra­si­lei­ro. Referência no país nas áre­as de foto­gra­fia de estú­dio (retra­tos), foto­gra­fia publi­ci­tá­ria, foto­gra­fia indus­tri­al, foto­grafia de arqui­te­tu­ra e de docu­men­ta­ção urba­na, o estú­dio de Chico Albuquerque, com sede na ave­ni­da Rebouças, 1700, cri­ou, duran­te os seus qua­se 30 anos de ati­vi­da­de, um acer­vo de mais de 75 mil ima­gens foto­grá­fi­cas, em sua mai­o­ria nega­ti­vos ori­gi­nais, em pre­to e bran­co ou em cores. Voltado no iní­cio prin­ci­pal­men­te para o retra­to, o ende­re­ço esco­lhi­do bus­cou a pro­xi­mi­da­de com a poten­ci­al cli­en­te­la das novas áre­as dos Jardins, bair­ros pau­lis­ta­nos abas­ta­dos que viri­am a consti­tuir, efe­ti­va­men­te, sua prin­ci­pal cli­en­te­la para por­traits, retra­tos de casa­men­to, pri­mei­ra comu­nhão, bai­le de debu­tan­tes e outros even­tos fami­li­a­res.

Hilda Hilst, 1952 | São Paulo

 

Letreiro, c.1955 | São Paulo

Filho de um cine­gra­fis­ta ama­dor, Chico Albu­querque rea­li­zou, aos 15 anos, um docu­men­tá­rio de cur­ta-metra­gem com seu pai. A expe­ri­ên­cia com o cine­ma o levou à foto­gra­fia. Com o dinhei­ro obti­do pelo fil­me, seu pai mon­tou um labo­ra­tó­rio de foto­grafia, onde, em 1934, Chico Albuquerque tornou­-se pro­fis­si­o­nal, fazen­do retra­tos. Em 1942, ele tra­ba­lhou como fotó­gra­fo de cena nas fil­ma­gens do míti­co It’s All True, fil­me ina­ca­ba­do diri­gi­do por Orson Welles no Ceará. Segundo o pró­prio Chico Albuquerque, a con­vi­vên­cia com Welles influ­en­ci­ou toda sua car­rei­ra. Segundo decla­rou, antes de conhe­cer Welles não sabia nada de com­po­si­ção, mas o dire­tor mos­trou “que era neces­sá­rio ter uma noção de esté­ti­ca para se foto­gra­far cor­re­ta­men­te”. It’s All True acom­pa­nha­va a saga de um jan­ga­dei­ro cea­ren­se que mor­reu duran­te as fil­ma­gens. O tema refor­çou a iden­ti­da­de de Chico Albuquerque com sua ter­ra natal. Em 1952, retor­nou a Fortaleza para rea­li­zar um de seus ensai­os mais céle­bres, Mucuripe, que regis­tra­va a pai­sa­gem cea­ren­se e a dinâ­mi­ca da vida dos jan­ga­dei­ros.

Campanha Simca Chambord, c. 1960 | Brasília

 

Bonde elé­tri­co, 1952 | São Paulo

Quando Chico Albuquerque se trans­fe­riu para São Paulo, em 1947, após está­gi­os no Rio de Janeiro com os fotó­gra­fos espe­ci­a­li­za­dos em por­trait Stefan Rosenbauer e Erwin von Dessauer, o mer­ca­do foto­grá­fi­co ain­da era res­tri­to e vol­ta­do, sobre­tu­do, para repor­ta­gens de famí­lia e retra­tos de estú­dio. Atuando a prin­cí­pio exclu­si­va­men­te como retra­tista, des­ta­cou-se ao foto­gra­far per­so­na­li­da­des como Juscelino Kubitschek (1902–1976), Cacilda Becker (1921–1969), Victor Brecheret (1894–1955) e Burle Marx (1909–1994), entre outros. Por meio de enqua­dra­men­tos fecha­dos e da ênfa­se na expres­são dos olha­res, os retra­tos suge­rem o esta­do psi­co­ló­gi­co dos mode­los ou mos­tram fla­gran­tes de emo­ções. O aspec­to tea­tral dos regis­tros é real­ça­do pelo tipo de ilu­mi­na­ção geral­men­te late­ral, com som­bras mar­ca­das e con­tra­lu­zes.

Vista da ave­ni­da São João, déca­da de 1950 | São Paulo

 

Jânio Quadros, 1954 | São Paulo

Em 1949, tra­ba­lhou na pri­mei­ra cam­pa­nha publi­ci­tá­ria ilus­tra­da com ima­gem rea­li­za­da por um fotó­gra­fo bra­si­lei­ro para a Johnson & Johnson, assi­na­da pela agên­cia J.W. Thompson. Foi o pri­mei­ro de mui­tos tra­ba­lhos para cam­pa­nhas publi­ci­tá­ri­as entre as déca­das de 1950 e 1970. Foto­grafou para pro­pa­gan­das de auto­mó­veis, ali­men­tos, rou­pas, per­fu­mes, ele­tro­do­més­ti­cos e mui­tos outros pro­du­tos, rea­li­zou tra­ba­lhos comis­si­o­na­dos para indús­tri­as e ser­vi­ços, além de docu­men­tar pro­je­tos de arqui­te­tu­ra. Em 1958, impor­tou o pri­mei­ro equi­pa­men­to de flash ele­trô­ni­co do Brasil. Seu pio­nei­ris­mo na foto­gra­fia de publi­ci­da­de ain­da é pou­co conhe­ci­do. Poucas ima­gens de seu acer­vo, com­pos­to por milha­res de nega­ti­vos, já vie­ram a públi­co. Imagens iné­di­tas de cam­pa­nhas de publi­ci­da­de, como as que fez para Rinso, Singer e Johnson & Johnson, entre outras, além de con­jun­tos iné­di­tos de foto­gra­fi­as de arqui­te­tu­ra, indús­tria, docu­men­ta­ção urba­na e de retra­tos de estú­dio (por­trait), estão reu­ni­das nes­ta publi­ca­ção e recu­pe­ram o uni­ver­so cri­a­ti­vo e auto­ral de Chico Albuquerque nes­ses anos de matu­ri­da­de pro­fis­si­o­nal e artís­ti­ca em São Paulo.

Fabricação do cre­me den­tal Kolynos, 1953 | São Paulo

 

Detalhe do edi­fí­cio CBI-Esplanada, 1951 | São Paulo

* Sergio Burgi é coor­de­na­dor de foto­gra­fia do IMS.

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