O som da rebeldia

Música

21.01.16

Os aten­ta­dos ter­ro­ris­tas em Paris em 13 de novem­bro do ano pas­sa­do fize­ram, mais uma vez, a Marselhesa ser can­ta­da com fer­vor na França e ouvi­da em todo o mun­do. O hino fran­cês, com­pos­to em 1792, abre, na voz de Edith Piaf, a série O som da rebel­dia, que a Rádio Batuta apre­sen­ta entre os dias 25 e 29 de janei­ro – os epi­só­di­os fica­rão per­ma­nen­te­men­te dis­po­ní­veis no site da rádio de inter­net do Instituto Moreira Salles.

Aleksandr Rodchenko, “Lengiz. Books on all the bran­ches of kno­wled­ge”, 1924 ©The Pushkin State Museum of Fine Arts

A série tem con­cep­ção, rotei­ro e apre­sen­ta­ção de Roberto Muggiati, jor­na­lis­ta com seis déca­das de pro­fis­são, pas­sa­gens por alguns dos prin­ci­pais veí­cu­los de comu­ni­ca­ção do país e autor de diver­sos livros sobre músi­ca, tra­tan­do de jazz, blu­es e rock.

São cin­co capí­tu­los, soman­do cem músi­cas que foram con­tes­ta­do­ras, seja de modo expli­ci­ta­men­te polí­ti­co ou com viés com­por­ta­men­tal. Muggiati comen­ta todas, con­tan­do curi­o­si­da­des sobre elas. O pra­zer da audi­ção é acom­pa­nha­do de mui­tas infor­ma­ções his­tó­ri­cas.

O tema do pri­mei­ro epi­só­dio – que esta­rá na Batuta no dia 25 – é “Hinos de guer­ra, can­tos revo­lu­ci­o­ná­ri­os”. A Marselhesa é suce­di­da de can­ções como a Internacional (hino comu­nis­ta), o Hino da Resistência (à inva­são nazis­ta da França), Bella ciao, Guantanamera, Comandante Che Guevara (Victor Jara) e Clandestino (Manu Chao).

No dia 26 entra no site “O pro­tes­to afro­a­me­ri­ca­no: do blu­es e do folk ao jazz”. Muggiati sele­ci­o­nou gra­va­ções de artis­tas negros fun­da­men­tais como Bessie Smith, Robert Johnson, Paul Robeson (em Ol’ man river), Louis Armstrong, Billie Holiday (na dolo­ro­sa Strange fruit), Dizzy Gillespie e Charles Mingus.

O ter­cei­ro capí­tu­lo, que estreia no dia 27, vai ao outro lado do Atlântico: “Europa: caba­ré, chan­so­ni­ers, can­tau­to­ri”. No elen­co de intér­pre­tes e com­po­si­to­res estão Kurt Weill & Bertolt Brecht, Yves Montand, Gianni Morandi (can­tan­do a ver­são ori­gi­nal de Era um garo­to que como eu ama­va os Beatles e os Rolling Stones), Pedro Abrunhosa e a com­ba­ti­va dupla rus­sa Pussy Riot.

Chega no dia 28 “O som e a fúria do roquen­rol”. O reper­tó­rio come­ça com o pio­nei­ro Bill Haley e pas­sa por Elvis Presley, Bob Dylan, The Who, Rolling Stones, Jimi Hendrix, The Doors, Beatles, Sex Pistols, The Clash, Pink Floyd e Nirvana. Ainda dá tem­po de ir a Jamaica para ouvir o reg­gae de Bob Marley, Peter Tosh e Jimmy Cliff.

A série ter­mi­na com a estreia, no dia 29, de “Brasil: que país é este?”. Até che­gar ao rock da Legião Urbana que dá títu­lo ao epi­só­dio, ouvem-se Chiquinha Gonzaga, Dorival Caymmi, Maria Bethânia, Roberto Carlos, Chico Buarque, Caetano Veloso, Tim Maia e Cássia Eller.

Além de sua pro­gra­ma­ção fre­quen­te – que con­ta com Arthur Dapieve, Reinaldo Figueiredo, João Máximo, Joaquim Ferreira dos Santos e outros –, a Rádio Batuta pro­duz docu­men­tá­ri­os e séri­es como os dedi­ca­dos a Frank Sinatra, Orlando Silva, Cole Porter, João Gilberto, Noel Rosa e Jorge Ben Jor.

Roberto Muggiati

Nascido em Curitiba em 1937, é jor­na­lis­ta des­de 1954. Trabalhou na Gazeta do Povo (1954–60). Entre 1959 e 1962 cola­bo­rou no Suplemento Dominical do JB (SDJB), no suple­men­to lite­rá­rio do Estado de S. Paulo e na Revista Senhor. Cursou o Centre de Formation des Journalistes de Paris (1960–62), tra­ba­lhou no Serviço Brasileiro da BBC de Londres (1962–65), foi edi­tor de Artes & Espetáculos na fase ini­ci­al da revis­ta Veja em São Paulo (1968–69), edi­tor no Rio de Janeiro das revis­tas Fatos&Fotos (1969–70), Manchete (1975–1999) e edi­tor de Projetos Jornalísticos da Bloch Editores (1996–2000). Na área cul­tu­ral, cobriu o mun­do do jazz numa série de con­cer­tos e fes­ti­vais na Europa e no Brasil entre os anos 1960 e 2010. É cola­bo­ra­dor regu­lar de jor­nais, revis­tas e sites do país intei­ro. Publicou mais de 20 livros sobre polí­ti­ca (Mao e a China, 1968), músi­ca (Rock/ O gri­to e o mito, 1973 [Rock: el gri­to y el mito na Espanha, México e Argentina]; O que é jazz, 1983; Jazz: uma his­tó­ria em qua­tro tem­pos, 1985; Blues: da lama à fama, 1995; New Jazz: de vol­ta para o futu­ro, 1999), Improvisando solu­ções: o jazz como estra­té­gia para o suces­so, 2008); e fic­ção: A con­tor­ci­o­nis­ta mon­gol, 2000). É um dos auto­res de Aconteceu na Manchete/As his­tó­ri­as que nin­guém con­tou (2008) e de 1973/O ano que rein­ven­tou a MPB (2013).

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