Os artistas de Lugar nenhum

Artes

28.02.13

Lugar nenhum, expo­si­ção de 56 obras que o Instituto Moreira Salles abre no Rio de Janeiro em 2 de mar­ço, apre­sen­ta foto­gra­fi­as e pin­tu­ras de oito artis­tas bra­si­lei­ros con­tem­po­râ­ne­os: Ana Prata, Celina Yamauchi, Lina Kim, Luiza Baldan, Marina Rheingantz, Rodrigo Andrade, Rubens Mano e Sofia Borges. Conheça um pou­co mais a tra­je­tó­ria e a obra des­tes artis­tas:

 

Grande cir­co, 2011. Ana Prata.

Ana Prata: a artis­ta não pin­ta as coi­sas, mas as ima­gens das coi­sas: Sete Lagoas (2012) é um car­tão pos­tal, Grande cir­co (2011) é uma trans­mis­são tele­vi­si­va, Rua (2012) se pare­ce com uma foto tira­da de um celu­lar. Seu pro­ces­so cri­a­ti­vo, rápi­do e diver­si­fi­ca­do, apro­xi­ma sua pin­tu­ra da ver­sa­ti­li­da­de pró­pria da foto­gra­fia.

 

Sem títu­lo (série Sans), 2012. Celina Yamauchi.

Celina Yamauchi ado­ta a foto­gra­fia em bran­co e pre­to como tema, mais do que como meio. Serão apre­sen­ta­das 12 ima­gens pro­du­zi­das entre os anos de 2011 e 2012, todas com pla­nos mui­to fecha­dos, com a câme­ra apon­ta­da para o chão para um can­to ou para uma pare­de. A artis­ta foto­gra­fa com câme­ra digi­tal e, pos­te­ri­or­men­te, eli­mi­na as cores da ima­gem. O resul­ta­do são cenas de um colo­ri­do tênue e deli­ca­do. São as ima­gens mais inti­mis­tas da expo­si­ção.

 

Sem títu­lo, 2003 — 2006. Lina Kim.

- Lina Kim: as obras expos­tas fazem par­te da série Rooms (2003–2006), um de seus úni­cos tra­ba­lhos exclu­si­va­men­te foto­grá­fi­cos. São três ima­gens de ins­ta­la­ções — hoje aban­do­na­das — do Exército Soviético, na anti­ga Alemanha Oriental.

 

Sem títu­lo (série Lagos), 2004 — 2007. Luiza Baldan.

Luiza Baldan: serão exi­bi­das foto­gra­fi­as das séri­es Lagos (2004–2007), De murun­duns e fron­tei­ras (2010), Insulares (2010), Pinturinhas (2009–2012), A uma casa de dis­tân­cia da minha (2012) e Diário urba­no (2004–2012). “A artis­ta pro­cu­ra as dia­go­nais que con­du­zem o olhar, os obje­tos pró­xi­mos às mar­gens do enqua­dra­men­to, as coi­sas que andam em pares, como se dia­lo­gas­sem”, ana­li­sa Mammì.

 

Pelada cai­pi­ra, 2011. Marina Rheingantz.

Marina Rheingantz: para Lorenzo Mammì, “se há uma pin­to­ra do ter­rain vague, é ela. (…) Os seis óle­os sobre tela apre­sen­ta­dos nes­sa expo­si­ção não ape­nas repre­sen­tam ter­re­nos bal­di­os, luga­res aban­do­na­dos em que a his­tó­ria con­ti­nua cor­ren­do, ain­da que num rit­mo mais len­to: eles são um des­ses luga­res, se com­por­tam como eles”.

 

Ponte ao entar­de­cer, 2011. Rodrigo Andrade.

Rodrigo Andrade: o artis­ta tam­bém tra­ba­lha a par­tir de foto­gra­fi­as reti­ra­das da inter­net, de mídi­as impres­sas ou de seu arqui­vo pes­so­al. Em uma das telas apre­sen­ta­das na mos­tra, ele faz refe­rên­cia a uma foto­gra­fia do japo­nês Daido Moriyama. Rodrigo Andrade trans­põe ima­gens foto­grá­fi­cas para a tela por meio de uma pin­tu­ra sofis­ti­ca­da e diver­sa para, em segui­da, cobrir par­te des­sa pin­tu­ra com cama­das espes­sas de tin­ta à óleo.

 

con­fli­to em ris­co, 2013. Rubens Mano.

Rubens Mano apre­sen­ta dois díp­ti­cos, um deles é “Entre”, que retra­ta uma cons­tru­ção aban­do­na­da já pres­tes a ser reab­sor­vi­da pelo mato. Há em Lugar nenhum mais qua­tro ima­gens de sua auto­ria, entre elas “Construção da pai­sa­gem” (2010), que deri­va de uma inter­ven­ção fei­ta no Museu de Belas Artes de Córdoba, na Espanha. O artis­ta tra­ba­lha com regis­tros de cenas que encon­tra ou modi­fi­ca fisi­ca­men­te os luga­res (pin­tan­do ou des­truin­do par­te de cons­tru­ções) antes de foto­gra­far.

 

Coelho, 2012. Sofia Borges.

Sofia Borges foto­gra­fa obje­tos e luga­res, mas tam­bém repro­duz foto­gra­fi­as de famí­lia, ima­gens de livros, pai­néis expli­ca­ti­vos de museus cien­tí­fi­cos. Ela apre­sen­ta ima­gens de dife­ren­tes natu­re­zas lado a lado, con­fun­din­do suas ori­gens e usos. Seu tra­ba­lho inves­ti­ga e ques­ti­o­na a foto­gra­fia como repre­sen­ta­ção da rea­li­da­de. “Há uma foto­gra­fia de Sofia Borges que tal­vez pos­sa ser toma­da como mote des­sa expo­si­ção: nela, uma meni­na, dian­te de uma pare­de cheia de fen­das ao pon­to de pare­cer um mapa hidro­grá­fi­co, apon­ta para outra meni­na uma cor­ti­na espes­sa de cipres­tes. Não sabe­mos o que vê nela, ou o que ima­gi­na que este­ja atrás dela”, ana­li­sa Loranzo Mammì.

, , , ,