Paolo e Vittorio Taviani: Shakespeare no cárcere

No cinema

01.03.13

Paolo e Vittorio Taviani, dire­to­res de César deve mor­rer

O tex­to a seguir é um recor­te rea­li­za­do pelo coor­de­na­dor de cine­ma do IMS, José Carlos Avellar, da entre­vis­ta cedi­da pelos irmãos Taviani duran­te o Festival de Berlim, em 2012, sobre o fil­me César deve mor­rer, em car­taz no IMS-RJ.

Tudo acon­te­ceu por aci­den­te, como em Pai patrão, que come­çou depois do nos­so encon­tro com o lin­guis­ta Gavino Ledda, filho de um pas­tor da Sardenha. Desta vez — gra­ças a um tele­fo­ne­ma de uma ami­ga — entra­mos em con­ta­to com um uni­ver­so que só conhe­cía­mos atra­vés dos fil­mes nor­te-ame­ri­ca­nos, o pre­sí­dio, embo­ra a Rebibbia, a pri­são nos arre­do­res de Roma, seja bem dife­ren­te daque­las que vimos nas telas. Na nos­sa pri­mei­ra visi­ta, a atmos­fe­ra pesa­da de uma vida atrás das gra­des deu lugar à ener­gia e ao fre­ne­si de um even­to cul­tu­ral e poé­ti­co: depois de pas­sar por um sem núme­ro de por­tões e áre­as de iso­la­men­to, che­ga­mos num pal­co onde cer­ca de 20 deten­tos reci­ta­vam can­tos do Inferno de A divi­na comé­dia de Dante.

Depois des­co­bri­mos que eles eram pre­sos da ala de alta segu­ran­ça, a mai­o­ria liga­dos a dife­ren­tes tipos de orga­ni­za­ções cri­mi­no­sas — Máfia, Camorra, Ndrangheta — e, na mai­or par­te dos casos, con­de­na­dos a pri­são per­pé­tua. Sua atu­a­ção ins­tin­ti­va foi dina­mi­za­da pela ânsia dra­má­ti­ca de con­tar a ver­da­de, cana­li­za­da pelo tra­ba­lho fir­me e con­tí­nuo do dire­tor “encar­ce­ra­do” Fabio Cavalli.

Quando saí­mos de Rebibbia, ime­di­a­ta­men­te nos demos con­ta de que gos­ta­ría­mos de saber mais sobre eles e sua situ­a­ção, então fize­mos uma segun­da visi­ta e per­gun­ta­mos se eles gos­ta­ri­am de tra­ba­lhar numa adap­ta­ção cine­ma­to­grá­fi­ca de Júlio César de William Shakespeare.

A res­pos­ta de Fabio e dos pre­sos foi dire­ta e ime­di­a­ta: “Vamos come­çar ago­ra!”

Para ser­mos mais pre­ci­sos: os ato­res que você vê no nos­so fil­me são todos deten­tos da ala de alta segu­ran­ça, mas que­re­mos acres­cen­tar que Salvatore “Zazà” Striano — que faz o per­so­na­gem Brutus — já cum­priu sua sen­ten­ça na pri­são de Rebibbia. Ele foi ini­ci­al­men­te con­de­na­do a 14 anos e oito meses, cum­priu seis anos e dez meses e teve sua pena redu­zi­da, sen­do ago­ra um cida­dão livre. O úni­co “estran­gei­ro” é um dos pro­fes­so­res de atu­a­ção da cadeia, Maurilio Giaffreda.

Nós ado­ta­mos um méto­do bem sim­ples: pedi­mos para os ato­res se iden­ti­fi­ca­rem como se esti­ves­sem sen­do inter­ro­ga­dos por um agen­te; depois pedi­mos para se des­pe­di­rem de alguém, demons­tran­do dor na pri­mei­ra vez e rai­va na segun­da.

Nesse caso, nós tive­mos uma espé­cie de pré-esca­la­ção com Fabio Cavalli, que nos mos­trou foto­gra­fi­as de alguns deten­tos que já tinha pré-sele­ci­o­na­do e que aca­ba­ram sen­do esca­la­dos depois sem mui­to tra­ba­lho. Quanto aos demais, duran­te as audi­ções, nós dizía­mos que, por fins de pri­va­ci­da­de, se eles qui­ses­sem, pode­ri­am nos dar nomes fal­sos. Ficamos mui­to impres­si­o­na­dos quan­do todos insis­ti­ram em nos dizer seus nomes ver­da­dei­ros, os nomes de seus pais e as cida­des onde nas­ce­ram. Depois de um tem­po, che­ga­mos à con­clu­são de que o fil­me pode­ria ser uma for­ma de lem­brar a todas as pes­so­as que moram do lado de fora que eles esta­vam viven­do suas vidas no silên­cio da pri­são.

Foi só depois de vê-los diri­gin­do-se para fren­te da câme­ra, um por um, que pude­mos conhe­cê-los e des­co­brir sua ver­da­dei­ra natu­re­za feri­da, vio­len­ta­da e enfu­re­ci­da.

Escrevemos um rotei­ro, como faze­mos em todos os nos­sos fil­mes. Depois, é sem­pre assim, uma vez no set, a câme­ra rodan­do e os ato­res repre­sen­tan­do, o rotei­ro se tor­nou uma coi­sa dife­ren­te — gra­ças tam­bém às loca­ções, à ilu­mi­na­ção e tam­bém à fal­ta de luz.

Com todo o res­pei­to por Shakespeare (que sem­pre foi um pai, um irmão e depois — con­for­me enve­lhe­ce­mos — um filho para nós), pega­mos o Júlio César dele, des­mon­ta­mos e recons­truí­mos. É cla­ro, man­ti­ve­mos o espí­ri­to da tra­gé­dia ori­gi­nal, assim como a nar­ra­ti­va, mas, ao mes­mo tem­po, a sim­pli­fi­ca­mos, tiran­do-a um pou­co do rit­mo do tra­ba­lho de um pal­co tra­di­ci­o­nal. Tentamos cons­truir o orga­nis­mo audi­o­vi­su­al a que cha­ma­mos de fil­me, filho dege­ne­ra­do de todas as artes que ante­ce­de­ram o cine­ma. Um filho dege­ne­ra­do que com cer­te­za Shakespeare teria ama­do! Fabio Cavalli foi extre­ma­men­te gene­ro­so ao tra­du­zir os diá­lo­gos para as gíri­as dos dia­le­tos dos deten­tos-ato­res. Eles enten­de­ram o que nós que­ría­mos fazer e nos deram per­for­man­ces impres­si­o­nan­tes com dife­ren­tes graus de emo­ção e envol­vi­men­to. Graças a eles, às vári­as ver­da­des que eles expres­sa­ram e às atu­a­ções ines­pe­ra­das, o rotei­ro evo­luiu.

Vamos dar um exem­plo, só para escla­re­cer mais: o adi­vi­nho, o “Pazzariello” napo­li­ta­no que leva a pal­ma aber­ta até o nariz e faz uns ges­tos inqui­e­tan­tes para que a pla­teia fique em silên­cio, não esta­va no rotei­ro. No entan­to, ele nos lem­brou uma das mui­tas per­so­na­gens lou­cas de Shakespeare, um Yorick, por exem­plo, que tives­se fugi­do de uma de suas tra­gé­di­as. Foi qua­se um tri­bu­to e um dese­jo de ter­mos todos aque­la geni­a­li­da­de.

A esco­lha de Júlio César de Shakespeare veio por neces­si­da­de: os homens com quem que­ría­mos tra­ba­lhar tinham um pas­sa­do — recen­te ou dis­tan­te — com o qual que­ri­am se recon­ci­li­ar; um pas­sa­do carac­te­ri­za­do por trans­gres­sões, erros, deli­tos, cri­mes e rela­ções des­truí­das. Portanto, tínha­mos que con­fron­tá-los com uma his­tó­ria igual­men­te pode­ro­sa que cami­nhas­se na dire­ção opos­ta. E, nes­ta ver­são cine­ma­to­grá­fi­ca ita­li­a­na de Júlio César, tra­ze­mos para a tela as rela­ções gran­di­o­sas e lamen­tá­veis entre seres huma­nos, e isso inclui ami­za­de, trai­ção, poder, liber­da­de e dúvi­da.

E assas­si­na­to tam­bém. Vários dos nos­sos deten­tos-ato­res eram “homens de hon­ra”; e, em sua acu­sa­ção, Antonio cita os “homens de hon­ra”. No dia em que fil­ma­mos a sequên­cia do assas­si­na­to de César, pedi­mos para nos­sos ato­res, arma­dos com ada­gas, encon­tra­rem o mes­mo ins­tin­to assas­si­no den­tro deles. Um segun­do depois, per­ce­be­mos o que tínha­mos aca­ba­do de dizer e que­ría­mos poder reti­rar nos­sas pala­vras. Mas isso não foi neces­sá­rio, por­que eles foram os pri­mei­ros a reco­nhe­cer a neces­si­da­de de enca­rar a rea­li­da­de.

Como resul­ta­do, resol­ve­mos acom­pa­nhar seus dias e noi­tes extre­ma­men­te lon­gos. Queríamos que o nos­so tra­ba­lho se des­se nas celas minús­cu­las, nos cor­re­do­res e no pátio onde eles pas­sam o úni­co tem­po ao ar livre, ou enquan­to espe­ram pelas visi­tas dos paren­tes.

Para lhe dar uma ideia da nos­sa coo­pe­ra­ção e do entu­si­as­mo de Fabio Calli, vou lhe con­tar o que ele nos dis­se quan­do con­ver­sa­mos sobre o fil­me pela pri­mei­ra vez: “Nós pode­mos fil­mar a sequên­cia da Batalha de Filipos no cam­po atrás da pri­são, pode­mos pedir para o dire­tor dei­xar os pre­sos par­ti­ci­pa­rem…”

Mas, esse não era o pon­to de vis­ta que nós que­ría­mos ado­tar no fil­me, Fabio enten­deu nos­sa abor­da­gem ime­di­a­ta­men­te e a acei­tou, gra­ças à sua sen­si­bi­li­da­de inte­lec­tu­al e ao seu pro­fun­do conhe­ci­men­to do show busi­ness.

Nós des­cre­ve­mos como que­ría­mos cons­truir o enre­do e Fabio cola­bo­rou conos­co duran­te a escri­ta do rotei­ro; ele nos aju­dou a des­co­brir alguns dos luga­res mais secre­tos da pri­são, a orga­ni­zar reu­niões com os deten­tos, sele­ci­o­nan­do os mais indi­ca­dos para alguns papéis.

Antes de fechar­mos o elen­co final, ele ten­tou ence­nar algu­mas das sequên­ci­as com um gru­po sele­to de deten­tos, mas, aci­ma de tudo, com a aju­da de seu assis­ten­te, ele se con­cen­trou na ence­na­ção das sequên­ci­as finais. Numa fase pos­te­ri­or, ele nos mos­trou um esbo­ço do cená­rio com duas colu­nas roma­nas fei­tas de fibra de vidro colo­ri­da, como os escu­dos dos sol­da­dos.

E, por fim, ele deu o gran­de sal­to: desis­tiu de seu papel como dire­tor e tor­nou-se um ator inter­pre­tan­do o impor­tan­te papel do dire­tor de tea­tro no fil­me. Sua per­for­man­ce foi exce­len­te… Até por­que seus ato­res esta­vam assis­tin­do! Fabio dis­se para eles: “Até hoje eu fui o seu dire­tor de tea­tro; ago­ra vamos pas­sar para o cine­ma e usar uma lin­gua­gem total­men­te dife­ren­te. Então, des­sa vez, eles vão nos diri­gir.”

Quando encer­ra­mos a pro­du­ção, saí­mos ner­vo­sos da pri­são, nos per­gun­tan­do se, na ver­da­de, o Fabio não tinha o sonho secre­to de sair tam­bém e tra­ba­lhar nos tea­tros do “mun­do livre”.

Mas fica­mos saben­do que ele vol­tou para Rebibbia, para o con­ví­vio com seus deten­tos-ato­res, para mon­tar a ver­são ori­gi­nal de Júlio César. “A cena mais boni­ta” — ele nos con­tou com um sor­ri­so desa­fi­a­dor — é a cena em que Brutus está fren­te a fren­te com Calpúrnia.” Nós eli­mi­na­mos essa cena por­que tínha­mos um elen­co exclu­si­va­men­te de homens.

Nos meses ante­ri­o­res à fil­ma­gem, íamos com frequên­cia para Rebibbia. Cruzávamos as dife­ren­tes alas de alta segu­ran­ça e, atra­vés das por­tas semi­cer­ra­das, vía­mos os deten­tos dei­ta­dos silen­ci­o­sa­men­te em suas camas. Eles nos dizi­am que devi­am ser cha­ma­dos de “os obser­va­do­res de tetos”, já que pas­sa­vam os dias dei­ta­dos, olhan­do para o teto. Mas, numa manhã em par­ti­cu­lar, numa cela mai­or, des­co­bri­mos uma coi­sa que nos fez rir de espan­to e cum­pli­ci­da­de: seis ou sete pre­sos sen­ta­dos ao redor de uma mesa len­do um tex­to. O tex­to era o nos­so rotei­ro, aque­les homens eram nos­sos ato­res e esta­vam tra­du­zin­do as falas para seus res­pec­ti­vos dia­le­tos (napo­li­ta­no, sici­li­a­no, apu­li­a­no) com a aju­da de outros cole­gas que não eram do elen­co do fil­me. Então, todo o tra­ba­lho foi super­vi­si­o­na­do e coor­de­na­do — como sem­pre — pelo Fabio Cavalli e por Cosimo Rega (que inter­pre­ta Cássio).

Mesmo antes dis­so, ao assis­tir aos tes­tes deles, fica­mos mui­to feli­zes e sur­pre­sos em ouvir Próspero e Ariel dis­cu­tin­do em napo­li­ta­no ou Romeu e Polônio sus­sur­ran­do, gri­tan­do e xin­gan­do em sici­li­a­no ou apu­li­a­no? Nós per­ce­be­mos que a pro­nún­cia erra­da dos dia­le­tos não dimi­nuía o tom da tra­gé­dia, pelo con­trá­rio, empres­ta­va às falas uma nova ver­da­de. Ouvíamos as falas com uma cons­ci­ên­cia mais pro­fun­da. Os deten­tos-ato­res e seus per­so­na­gens encon­tra­ram uma cone­xão mais ínti­ma atra­vés de uma lín­gua em comum e segui­ram com mai­or faci­li­da­de até o des­fe­cho da tra­ma. Shakespeare sem­pre teve um lado popu­lar. Então, não fomos nós quem deci­di­mos usar os dia­le­tos, foram nos­sos ato­res que se apo­de­ra­ram do rotei­ro e o adap­ta­ram às suas res­pec­ti­vas natu­re­zas.

O fil­me foi todo roda­do em Rebibbia. Passamos qua­tro sema­nas lá: che­gá­va­mos de manhã e saía­mos à noi­te, exaus­tos, mas feli­zes e satis­fei­tos. Um dia, dis­se­mos para nós mes­mos: “Estamos fil­man­do com a mes­ma ousa­dia e a mes­ma impul­si­vi­da­de dos nos­sos pri­mei­ros fil­mes”.

Quanto à câme­ra, nos deram liber­da­de para levá-la a todos os luga­res: nas alas, nas esca­das, nos cubí­cu­los, no pátio, nas celas e na bibli­o­te­ca. Só havia uma exce­ção: a área de aces­so proi­bi­do onde ficam os pri­si­o­nei­ros con­fi­na­dos em soli­tá­ri­as. Ninguém pode ver seus ros­tos, nem nós. Do lado de fora, um guar­da nos mos­tra­va as jane­las das celas dos “vira-casa­cas”, que fica­vam imer­sas em silên­cio pro­fun­do.

Nós só inter­rom­pía­mos as fil­ma­gens quan­do os pre­sos de outras alas tinham que pas­sar pelos cor­re­do­res para irem até o pátio ou para os chu­vei­ros, ou quan­do nos­sos ato­res tinham visi­tas de paren­tes. Quando eles vol­ta­vam, sem­pre esta­vam pro­fun­da­men­te emo­ci­o­na­dos, toca­dos, entris­te­ci­dos ou ator­men­ta­dos. Eles vol­ta­vam a atu­ar, mas seus olha­res fica­vam dis­tan­tes, eles per­di­am a espon­ta­nei­da­de crua e ingê­nua de sua atu­a­ção.

Um set de fil­ma­gens é um lugar onde bro­tam a ami­za­de e a cum­pli­ci­da­de, e esse fil­me não foi exce­ção. Um dos guar­das mur­mu­rou para nós: “Não fiquem mui­to ínti­mos deles; eu tenho rela­ções exce­len­tes com eles, e às vezes tam­bém sin­to uma pon­ta de pena, com­pai­xão, até ami­za­de? Mas depois tenho que me lem­brar de man­ter uma dis­tân­cia e pen­sar naque­les que sofre­ram e sofrem mais do que eles: as víti­mas de seus cri­mes e suas famí­li­as?”.

Isso é ver­da­de, mas, mes­mo assim, quan­do as fil­ma­gens aca­ba­ram e dei­xa­mos a pri­são e os nos­sos ato­res, foi uma des­pe­di­da dolo­ro­sa. Subindo as esca­das de vol­ta para sua cela, Cosimo Rega — que inter­pre­ta Cássio — levan­tou os bra­ços e gri­tou: “Paolo, Vittorio: a par­tir de ama­nhã, nada mais será o mes­mo!”.

A cor é rea­lis­ta, o pre­to e bran­co é ilu­só­rio. Pode pare­cer uma afir­ma­ção auto­ri­tá­ria, mas, pelo menos nes­se fil­me, isso é ver­da­de. Quando che­ga­mos à pri­são, sen­ti­mos que havia o ris­co de cair­mos no natu­ra­lis­mo da TV e fugi­mos dis­so usan­do o pre­to e bran­co, que nos deu mais liber­da­de para cri­ar e fil­mar num cená­rio absur­do como a pri­são. Usando o pre­to e bran­co, nos sen­ti­mos mais livres para fil­mar numa cela onde Brutus repe­te com sofri­men­to e pai­xão seu monó­lo­go: “César deve mor­rer”. Nós opta­mos por ima­gens for­tes e vio­len­tas em pre­to e bran­co que, no final, ganham cores mági­cas no pal­co, enal­te­cen­do a ale­gria furi­o­sa dos deten­tos impres­si­o­na­dos com seu suces­so.

Os deten­tos vol­tam para suas celas. Até Cássio, um dos per­so­na­gens prin­ci­pais, um dos melho­res. Ele está na pri­são há mui­to tem­po, mas esta noi­te a cela pare­ce dife­ren­te, hos­til. Ele fica para­do. Depois vira-se, olha para a câme­ra e nos diz: “Desde que eu conhe­ci a arte, essa cela virou uma pri­são”.

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