Parque Lage em 1944

Por dentro do acervo

03.10.13

O Parque Lage é uma refe­rên­cia para as artes no Rio de Janeiro por abri­gar a Escola de Artes Visuais (EAV) des­de 1966, mas além de sua estrei­ta liga­ção com as artes visu­ais, foi con­ce­bi­do para ser o lar de uma gran­de can­to­ra líri­ca — Gabriella Besanzoni Lage.

Antigo enge­nho de açú­car na épo­ca do Brasil Colonial, o então Engenho Del Rey per­ten­cia a Antonio Salema, gover­na­dor do Rio de Janeiro no sécu­lo XVI. Em 1660 as ter­ras do enge­nho pas­sa­ram a ser pro­pri­e­da­de da famí­lia Rodrigo de Freitas Mello, e em 1859 par­te da fazen­da é adqui­ri­da por Antonio Martins Lage. Henrique Lage, seu neto, toma pos­se da pro­pri­e­da­de em 1920.

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Aspecto exter­no do casa­rão do Parque Lage (1944)

Admiradordas artes, Henrique Lage se casou com a can­to­ra líri­ca ita­li­a­na Gabriella Besanzoni em 1925. Em segui­da, man­dou cons­truir um casa­rão ins­pi­ra­do na arqui­te­tu­ra dos palá­ci­os roma­nos e con­tra­tou Mário Vodrel para assi­nar o pro­je­to. Foi quan­do se alte­rou par­te do pro­je­to pai­sa­gís­ti­co ori­gi­nal, fei­to pelo inglês John Tyndale em 1840. Henrique e Gabriella pas­sa­ram a viver no casa­rão, onde eram rea­li­za­dos ani­ma­dos saraus e even­tos soci­ais nos quais Gabriella se apre­sen­ta­va aos con­vi­da­dos tocan­do pia­no e can­tan­do.

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Gabriella Besanzoni Lage e seus con­vi­da­dos duran­te sarau (1944)

Em 1939, Gabriella dei­xou de se apre­sen­tar publi­ca­men­te em tea­tros. Dois anos mais tar­de, em 1941, Henrique Lage veio a fale­cer. O casal não teve filhos e Gabriella, como estran­gei­ra, não pôde her­dar gran­de par­te dos bens de Henrique, des­ti­na­dos à União por con­ta das leis vigen­tes na épo­ca. Alguns anos após a mor­te do mari­do, Gabriella retor­nou para a Itália e pas­sou a leci­o­nar can­to. A can­to­ra fale­ceu em 1962.

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Aspecto da pis­ci­na, toma­do do ter­ra­ço do casa­rão do Parque Lage (1944)

Em 1957, o Parque Lage foi tom­ba­do pelo IPHAN como patrimô­nio pai­sa­gís­ti­co, ambi­en­tal e cul­tu­ral. As foto­gra­fi­as des­te post, dis­po­ni­bi­li­za­das no Banco de Imagens do IMS (veja aqui as 72 ima­gens que inte­gram o con­jun­to), foram fei­tas por Carlos Moskovics para uma maté­ria da Revista Sombra, inti­tu­la­da “Gabriella Besanzoni Lage — uma voz de com­ba­te” e publi­ca­da em mar­ço de 1944.

Pesquisa: Joanna Balabram

MAIS

Banco de ima­gens on-line: explo­re par­te do acer­vo foto­grá­fi­co do Instituto Moreira Salles.

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