Poesia e utilidade em Niemeyer — Guilherme Wisnik e Pedro Fiori Arantes

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08.07.11

O quar­to encon­tro da seção “Desentendimento” tra­ta da obra de Oscar Niemeyer, pen­san­do-se seu papel na his­tó­ria da arqui­te­tu­ra bra­si­lei­ra, e tem medi­a­ção de Fernando Serapião, crí­ti­co e edi­tor da revis­ta Monolito. Neste espa­ço, o lei­tor encon­tra no blog um deba­te em vídeo em que os con­vi­da­dos apre­sen­tam opi­niões diver­gen­tes sobre um tema pro­pos­to pela revis­ta serro­te. Aqui, as refle­xões cabem a Guilherme Wisnik, pro­fes­sor da Escola da Cidade (São Paulo-SP) e autor de Lúcio Costa (Cosac Naify, 2001), e a Pedro Fiori Arantes, pro­fes­sor da Unifesp e autor de Arquitetura nova (Editora 34, 2002).

 

Bloco 1: “Ao lado de João Gilberto, Niemeyer é o mai­or artis­ta bra­si­lei­ro do sécu­lo 20”

 

No pri­mei­ro seg­men­to, Wisnik ana­li­sa o pri­mei­ro pro­je­to de Niemeyer, o Conjunto de Pampulha (1942–1944), como uma arqui­te­tu­ra inau­gu­ral de uma esté­ti­ca para um país com ten­ta­ti­vas de dar sal­tos de desen­vol­vi­men­to e vê nes­sa obra “uma poé­ti­ca plás­ti­ca de acor­do com a situ­a­ção econô­mi­ca, téc­ni­ca e soci­al do momen­to vivi­do pelo Brasil naque­le momen­to”. E tam­bém avan­ça ao situ­ar a arqui­te­tu­ra como a ver­da­dei­ra mani­fes­ta­ção de van­guar­da do moder­nis­mo bra­si­lei­ro, ven­do-a como res­pon­sá­vel pela evo­lu­ção das artes plás­ti­cas na déca­da de 50.

Para Arantes, cou­be dis­cu­tir sobre a asso­ci­a­ção entre Niemeyer e o poder e o finan­ci­a­men­to públi­co, como no caso de Pampulha, enco­men­da do então pre­fei­to de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, que o con­vi­da­ria anos depois para pro­je­tar a cida­de de Brasília. E pon­de­ra sobre o que há ou não de esdrú­xu­lo nes­se con­jun­to, for­ma­do por uma cape­la, uma casa de bai­le, um cas­si­no e um clu­be.

 

Bloco 2: “São sím­bo­los de um país que não con­se­guiu resol­ver seus pro­ble­mas mais fun­da­men­tais”

 

Pedro Fiori Arantes ini­cia o blo­co enfa­ti­zan­do a neces­si­da­de de a obra arqui­tetô­ni­ca estar inte­gra­da e não segre­ga­da da cida­de. Para tan­to, ava­lia a per­ti­nên­cia de dife­ren­tes pro­du­ções de Niemeyer, como o Memorial da América Latina, o Edifício Copan e o Parque Ibirapuera, todos loca­li­za­dos em São Paulo.

Wisnik reto­ma a aná­li­se de Pampulha para tra­tar do valor da obra, rela­ti­vi­zan­do a inter­fe­rên­cia de quem enco­men­da um pro­je­to sobre o pla­no esté­ti­co do resul­ta­do.

 

 

Bloco 3: “Na arqui­te­tu­ra, não há sepa­ra­ção entre pro­du­to e pro­ces­so”

 

Arantes tra­ta na ter­cei­ra par­te sobre­tu­do da pre­o­cu­pa­ção que se deve ter para além da for­ma na arqui­te­tu­ra. Sobre Niemeyer, che­ga a dizer: “Há um per­ma­nen­te dese­jo de redu­ção de com­ple­xi­da­de para que a úni­ca a ser expos­ta sejam as rami­fi­ca­ções da obra com dife­ren­tes seto­res da soci­e­da­de”.

Já Wisnik cha­ma a aten­ção para a sen­si­bi­li­da­de de Niemeyer para o “posi­ti­vis­mo” de sua obra, que, em vez de negar seu momen­to, o explo­ra plas­ti­ca­men­te.

 

 

Bloco 4 e 5: A arqui­te­tu­ra públi­ca con­tra­pos­ta à arqui­te­tu­ra de poder

 

Tratando de Brasília e do esfor­ço huma­no envol­vi­do, Arantes ini­cia o quar­to blo­co citan­do o arqui­te­to João da Gama Filgueiras Lima, o Lelé, para con­tra­por o papel des­te na cons­tru­ção da capi­tal bra­si­lei­ra e seu pen­sa­men­to sobre a fun­ci­o­na­li­da­de do edi­fí­cio públi­co aos de Niemeyer. Ruy Ohtake é outro artis­ta con­tem­pla­do pelos pro­fes­so­res, que pen­sam até que pon­to ele pode ser vis­to como her­dei­ro e suces­sor de Niemeyer.

No últi­mo seg­men­to, os deba­te­do­res se dedi­cam às super­qua­dras de Brasília e a como essa pro­pos­ta con­se­guiu pre­ser­var — em um pri­mei­ro momen­to e mes­mo nas esca­las monu­men­tais da cida­de cos­mo­po­li­ta — “o bucó­li­co”, “a vida coti­di­a­na da cal­ça­da”.

 

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