Equipe IMS

O maior pintor do Brasil

Rafael Cardoso

16.03.17

Provocou inveja e amargura, em certo meio mais do que restrito, a declaração de Luiz Zerbini de que Elvis Almeida seria “no momento, o maior pintor do Brasil”. O comentário conseguiu desagradar tanto a artistas veteranos, que se acharam preteridos, quanto a outros mais novos, que gostariam de ter sido alvo de um elogio tão público. Não pretendo entrar minimamente no mérito dessa questão. O que se quer discutir aqui é outra coisa: a quem serve esse processo de lançar uma nova promessa?

Liberdade e luta

Rafael Cardoso

10.01.17

John Berger, falecido no último dia 2, não se contentava com pouco. Aliás, pouco se contentava. Era um radical, no melhor sentido do termo. Desde seu combativo, e delicioso, primeiro livro de ensaios críticos, nunca deixou de denunciar a ganância por poder, dinheiro e celebridade que põe em perigo os valores mais essenciais da humanidade, nem poupou as manobras de um meio cultural que busca enredar a arte em tramas e discursos capazes de esvaziá-la de seu sentido crítico e alinhá-la com os interesses de quem o controla. Tal procedimento, ele nomeava, em alto e bom som marxista, como ‘mistificação’. Arte, para Berger, era liberdade e luta.

Um adeus a Tunga

Laura Erber

07.06.16

Tunga (1952-2016) foi um artista do Antropoceno muito antes que tal discussão viesse à tona no campo das artes. A predileção pelo cobre, com sua enorme potência de significação, os dentes e os cabelos, partes de nós que testemunharão nossa morte e nossa reconversão mineral, para sermos devolvidos ao mundo antropoceno que criamos. Perdê-lo nos deixa confusos. Ficaremos aqui meio tontos, meio perdidos entre vestígios visionários e reverberações da sua curiosidade barroca, reunidos diante dessa matéria vital gerada por fantasia tão generosa.

Os caminhos de Serra

Equipe IMS

02.07.14

Richard Serra explica, em documentário realizado pelo núcleo de vídeo do IMS, como realiza seus desenhos, porque mudou a configuração da casa do IMS-RJ para expô-los e ainda fala sobre Burle Marx, Lygia Clark e as curvas do Rio de Janeiro. O filme mostra os trabalhos da exposição e conta com imagens feitas por um drone.

Araújo Porto-Alegre: singular & plural

Equipe IMS

17.03.14

Leticia Squeff e Julia Kovensky, curadoras da exposição Araújo Porto-Alegre: singular & plural, falam sobre esse artista múltiplo que se destacou no cenário brasileiro do século XIX com ideias fundamentais para a sedimentação de uma cultura nacional.

Tacita Dean: a medida das coisas

Equipe IMS

30.10.13

Assista ao minidocumentário de Laura Liuzzi sobre Tacita Dean: a medida das coisas, primeira exposição individual da artista na América Latina, em cartaz no IMS-RJ até 26 de janeiro de 2014. Tacita Dean fala a respeito de seus interesses e objetos de trabalho em depoimento a Heloisa Espada.

A arte contemporânea de “Lugar nenhum”

Equipe IMS

12.03.13

O Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro abriu em março a exposição Lugar Nenhum, com 56 obras, entre pinturas e fotografias, produzidas por oito artistas contemporâneos brasileiros: Ana Prata, Celina Yamauchi, Lina Kim, Luiza Baldan, Marina Rheingantz, Rodrigo Andrade, Rubens Mano e Sofia Borges. No dia da abertura do evento, realizou-se uma mesa-redonda com os curadores Heloisa Espada e Lorenzo Mammì e com o crítico de arte Sérgio Bruno Martins. Assista ao debate.

A experiência radical do mundo – Quatro perguntas a Rodrigo Naves

Equipe IMS

06.08.12

Rodrigo Naves é, ao lado de Heloisa Espada, um dos curadores da mostra Raphael e Emygdio: dois modernos no Engenho de Dentro, em cartaz no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro. A exposição conta com 100 obras, entre desenhos e pinturas de Raphael Domingues (1912-1979) e Emygdio de Barros (1895-1986), artistas diagnosticados com esquizofrenia. Naves é autor do ensaio Emygdio de Barros: o sol por testemunha, incluído no catálogo da exposição, e respondeu a quatro perguntas do Blog do IMS acerca dos artistas.

Oswaldo Goeldi, Chuva

Ronaldo Brito

11.11.11

A essa altura - a obra-prima é de 1957 - o expressionismo congênito de Oswaldo Goeldi (1895-1961) dominava à perfeição a economia estética do suspense. Por mais agitados que fossem seus desenhos e gravuras, apinhados de diletos escombros e detritos, passavam sobretudo a sensação de vazio. Vazio opressivo, porém, outra forma de claustro, a céu aberto. Reina aí, absoluta, a solidão incomunicável. Eis exatamente o que se comunica com fervor, o que se transmite com pungente intensidade.

A palavra encenada

Sérgio Sant'Anna

15.08.11

Mas não poderia falar de teatro sem mencionar aquele espetáculo, no meu entender e no de muita gente, o maior de todos já realizado no Brasil, Macunaíma, de Antunes Filho, dirigindo uma adaptação do francês Jacques Thieriot do romance de Mário de Andrade. Aliás, Antunes não negava, entre suas influências, Bob Wilson, assim como Kazuo Ohno e Pina Bausch. Como fiquei amigo do pessoal do grupo do Antunes, fui convidado algumas vezes para ver os bastidores de Macunaíma e de Nelson Rodrigues, o eterno retorno, também do diretor paulista. Esta experiência está narrada no meu conto "O concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro", e também posso dizer que nunca mais fui o mesmo depois dela.