Equipe IMS

Travis, eleitor de Trump

José Geraldo Couto

02.06.17

Martin Scorsese realizou obras marcantes em vários gêneros, mas ficará na história do cinema sobretudo por filmes incontornáveis como Taxi Driver, que volta aos cinemas brasileiros.

Trama, treta, drama

Kleber Mendonça Filho

11.05.17

Eu vi essa cópia nova de O que terá acontecido a Baby Jane? (1962), de Robert Aldrich, no Festival de Londres, em 2012, e me chamou a atenção a reação da plateia. Não sei se eu havia construído a minha própria relação com o filme em casa, mas eu me lembrava de um verdadeiro horror movie. Naquela sala de cinema, muita gente parecia rir, e logo descobri que eu também ria, um tipo tenso de riso pós-moderno, uma liberação coletiva de energia humana.

Os sonhos geométricos de Antonioni

José Geraldo Couto

20.04.17

Quando se fala em modos de apreensão do espaço-tempo diferentes daquele do cinema narrativo clássico, herdeiro do romance realista do século XIX, um nome que sempre vem à tona é o de Michelangelo Antonioni, um dos expoentes do cinema moderno. A boa notícia é que o Centro Cultural Banco do Brasil apresenta a partir do próximo dia 26 em São Paulo e no Rio uma retrospectiva completa da obra do diretor italiano. No mês que vem a mostra chega também a Brasília.

A doença da imaginação

José Geraldo Couto

24.03.17

Split, o título original de Fragmentado, tem várias traduções possíveis, além da adotada pelos distribuidores brasileiros: cindido, despedaçado, dividido, esfacelado... Todas se aplicam ao esplêndido filme de M. Night Shyamalan que está chegando aos nossos cinemas.

Via-crúcis do corpo

José Geraldo Couto

24.02.17

Uma das proezas do diretor Barry Jenkins é a de encontrar em três atores de idades e aspectos inteiramente diferentes o mesmo olhar de perplexidade, dor e solidão. Esses olhos são o cerne de Moonlight. Depois de tudo, Chiron continua se perguntando quem ou o que é. A ausência de resposta é a beleza maior desse filme surpreendente, que não ignora os condicionamentos sociais, mas também não os vê como um determinismo fatalista e nivelador.

Renoir, amigo dos homens

José Geraldo Couto

03.02.17

Uma obra única e essencial, de encanto perene, está quase completa na grande retrospectiva A vida lá fora: o cinema de Jean Renoir, destacando aquilo que lhe perpassa e unifica: o infinito interesse por indivíduos concretos, imperfeitos, contraditórios, mais do que por ideias abstratas, enredos dramáticos ou grandes construções estéticas. Descendo vários degraus na escala de grandeza do cinema, entram em cartaz dois filmes norte-americanos candidatos ao Oscar e ambientados no mesmo período: o início da década de 1960.

O sonho recauchutado

José Geraldo Couto

13.01.17

E o que chama a atenção é justamente o modo como Hollywood, de tempos em tempos, a pretexto de questionar ou problematizar seus clichês, acaba por reafirmá-los. Em La la land essa operação abarca alguns dos mais recorrentes lugares-comuns do imaginário americano: a máxima de que vale a pena “acreditar em seus sonhos”, a ideia de que no meio da multidão há alguém especial para cada pessoa, o mito do self made man (ou woman). Não há nada de muito revolucionário aqui, portanto.

O fator humano

José Geraldo Couto

16.12.16

Diante de um filme como Sully, de Clint Eastwood, o espectador ingênuo tem a impressão de que tudo estava dado de antemão – o acontecimento real, os personagens, o drama – e de que bastavam os recursos materiais e tecnológicos disponíveis em Hollywood para colocar essa história na tela. “Com um material desses, qualquer um poderia ter feito esse filme”, diria ele. Ledo engano.

Ficção e reportagem

José Geraldo Couto

11.11.16

Mais do que retratar um “herói ou traidor” (segundo o apelativo subtítulo brasileiro), Snowden, novo filme de Oliver Stone, tem o mérito de expor alguns dos temas cruciais de nossa época: a ruptura das fronteiras entre o privado e o público propiciada pela internet, o uso da tecnologia da informação para o controle social e político, as tensões geopolíticas e as guerras remotas, a promiscuidade entre poder institucional e grandes corporações, a margem estreita para a atuação de uma mídia independente etc.

Apologia do esquisito

José Geraldo Couto

30.09.16

Não li a trilogia O lar da senhorita Peregrine para crianças peculiares, de Ransom Riggs (publicada no Brasil pela editora Intrínseca), mas não é difícil perceber por que Tim Burton se interessou pela história e a transformou em seu novo filme. Crianças peculiares habitam desde sempre a filmografia do cineasta e o tipo de fantasia presente no livro é o mesmo do seu universo, em que se entrelaçam o sinistro, o cômico e o maravilhoso.