Equipe IMS

O trabalho e as noites

José Geraldo Couto

17.08.17

Entre um extremo e outro, Corpo elétrico, o longa-metragem de estreia de Marcelo Caetano, pode ser visto como um estudo poético do corpo, de suas constrições e sua pulsão de liberdade, num contexto muito específico: o de jovens trabalhadores na cidade de São Paulo. Em Malasartes e o duelo com a morte, de Paulo Morelli, a tentativa é retomar, numa narrativa atraente às novas gerações, um personagem clássico da tradição popular luso-brasileira, o pícaro caipira Malasartes.

A serra e o pampa

José Geraldo Couto

04.08.17

Entram em cartaz dois bons filmes brasileiros, ambos filmados no Rio Grande do Sul, mas contrastantes em tudo mais. Um deles, O filme da minha vida, de Selton Mello, tem potencial para atingir um grande público. O outro, Rifle, de Davi Pretto, é um projeto comercialmente mais modesto, mas não menos ambicioso na estética e no alcance sociopolítico.

Os filmes de agosto

Equipe IMS

01.08.17

Fique por dentro da programação completa para agosto da Sala José Carlos Avellar, o cinema do IMS Rio, com datas e horários das exibições e instruções para compra de ingressos. Um dos destaques é o premiado Rifle, de Davi Pretto, passado no extremo sul do Brasil.

Cinema líquido

José Geraldo Couto

21.07.17

De canção em canção, o novo filme de Terrence Malick, é um objeto – melhor seria dizer: um organismo – difícil de apreender, pois tudo nele é fluido: a história, os personagens, o modo de filmá-los. São fragmentos, retalhos, sem ordem cronológica ou progressão dramática aparente, das vidas de quatro personagens centrais.

Inventário de solidões

José Geraldo Couto

14.07.17

Fala comigo, longa-metragem de estreia do carioca Felipe Sholl, começa e termina no escuro, isto é, com palavras sendo ditas sobre a tela preta. O filme parece partir do princípio de que sempre haverá coisas – nos outros, no mundo e em nós mesmos – que nunca saberemos por completo. Enfeixando pulsões delicadas e complexas, esse filme surpreendentemente seguro para um estreante demonstra integridade e consistência cinematográfica.

A doçura do irracional

Ieda Marcondes

10.07.17

A volta da série Twin Peaks, com o subtítulo The return, é um teste para os nostálgicos. Os primeiros episódios são puro David Lynch, sem filtros, despreocupado com a estrutura novelesca ou policialesca que deram forma ao piloto da série original. Temos um dos diretores mais inovadores do nosso tempo trabalhando sem qualquer amarra, e com todo o apoio, para expandir um universo rico e complexo. Cabe, de nossa parte, um ajuste de expectativas, ou no mínimo uma certa abertura ao que ele tem a nos oferecer.

Os filmes de julho

Equipe IMS

03.07.17

Fique por dentro da programação completa para julho da Sala José Carlos Avellar, o cinema do IMS Rio, com datas e horários das exibições e instruções para compra de ingressos.  Um dos destaques é a cópia restaurada de Gritos e sussurros, de Ingmar Bergman.

Cinema sem arestas

José Geraldo Couto

30.06.17

Talvez não seja casual que, a certa altura de Uma família de dois, de Hugo Gélin, se faça referência a Eddie Murphy. Omar Sy está hoje para o cinema comercial francês como o comediante norte-americano estava para Hollywood nos anos 1980: é o astro negro oficial, escalado para dar aos filmes um verniz de simpatia e correção política e, no fim das contas, ajudar a mascarar ou edulcorar tensões raciais mais incômodas e verdadeiras.

Eros e Tânatos

José Geraldo Couto

22.06.17

Dia de falar brevemente de assuntos diversos. Um deles é Tabu (1931), último filme do gênio Friedrich Murnau. A história do trágico amor proibido entre dois jovens nativos de uma ilha dos Mares do Sul será exibido na Sessão Cinética desta quinta, dia 22/6, no cinema do IMS Rio. Como de costume, depois da exibição haverá um debate com os críticos da revista.

Os fundos falsos da guerra

José Geraldo Couto

14.06.17

Entre os filmes franceses da nova safra exibidos no Festival Varilux, um dos mais interessantes é sem dúvida Frantz, de François Ozon. Ser um drama de época não tira nem um pouco de sua atualidade, muito pelo contrário: ao evocar a animosidade da atmosfera europeia logo após a Primeira Guerra, coloca em relevo temas urgentes como o nacionalismo, a xenofobia, a dificuldade de entender e conviver com o “outro”.