Equipe IMS

Trama, treta, drama

Kleber Mendonça Filho

11.05.17

Eu vi essa cópia nova de O que terá acontecido a Baby Jane? (1962), de Robert Aldrich, no Festival de Londres, em 2012, e me chamou a atenção a reação da plateia. Não sei se eu havia construído a minha própria relação com o filme em casa, mas eu me lembrava de um verdadeiro horror movie. Naquela sala de cinema, muita gente parecia rir, e logo descobri que eu também ria, um tipo tenso de riso pós-moderno, uma liberação coletiva de energia humana.

O sonho recauchutado

José Geraldo Couto

13.01.17

E o que chama a atenção é justamente o modo como Hollywood, de tempos em tempos, a pretexto de questionar ou problematizar seus clichês, acaba por reafirmá-los. Em La la land essa operação abarca alguns dos mais recorrentes lugares-comuns do imaginário americano: a máxima de que vale a pena “acreditar em seus sonhos”, a ideia de que no meio da multidão há alguém especial para cada pessoa, o mito do self made man (ou woman). Não há nada de muito revolucionário aqui, portanto.

Estado de graça

José Geraldo Couto

26.08.16

O que há de novo em Café society, filme mais recente de Woody Allen? A rigor, talvez nada. Mas, mais do que suma, talvez uma palavra melhor seja depuração. O cineasta parece ter podado as arestas de ansiedade, a incontinência verbal que às vezes fazia as palavras darem a impressão de não caber na imagem e no ritmo de seus filmes. Aqui tudo flui com uma segurança e uma elegância que alguns grandes artistas encontram em suas obras de maturidade.

Videogame do dinheiro

José Geraldo Couto

03.06.16

Por algum motivo, ou por todos, a especulação financeira – com os desastres sociais decorrentes – tornou-se tema frequente no cinema atual. Depois de O lobo de Wall Street e A grande aposta, agora é a vez de Jogo do dinheiro, com George Clooney e Julia Roberts. Como diretora, Jodie Foster demonstra grande segurança na orquestração dos diversos pontos de vista e no controle do ritmo. Trabalha dentro da tradição e das regras de gênero, mas atualizando-as e renovando-as com a dinâmica de seu (nosso) tempo. O resultado é um dos grandes filmes americanos do ano até agora.

Boyhood não coube no Oscar

José Geraldo Couto

23.02.15

Falou-se muito do inusitado modo de produção de Boyhood, de sua realização ao longo de doze anos, mas falou-se pouco do resultado, da narrativa que vemos na tela. E esta é extraordinária. Por isso é um filme que não cabe no Oscar, festa da repetição do mesmo sob a ocasional maquiagem da “novidade”. Birdman ganhou reinventando, quase sete décadas depois, a roda de Festim diabólico, de Hitchcock.

 

 

Trapaça e os malandros com gravata e capital

José Geraldo Couto

14.02.14

Para José Geraldo Couto, a chuva de indicações ao Oscar para Trapaça talvez diga muito sobre a pobreza da produção e dos critérios da Hollywood atual. Ao público mais exigente, recomenda com entusiasmo ver ou rever o clássico de Yasujiro Ozu, Era uma vez em Tóquio.

Ulisses: efeito terapêutico — por Eduardo Escorel

Eduardo Escorel

02.09.11

Ao voltar à União Soviética em 1932, as críticas a Outubro e A linha geral (O velho e o novo) haviam se transformado em acusações abertas de "formalismo" - equivalentes, na época, a uma condenação ao ostracismo. Eisenstein estava frustrado e desiludido (...). A leitura de Ulisses, feita quatro anos antes, quando estava convalescendo no Cáucaso, e o encontro com James Joyce no início de 1930, em Paris, não haviam sido esquecidos e passaram a ser referências constantes em seus escritos nos anos seguintes.