Equipe IMS

Quem é Josenildo?

Ana Maria Gonçalves

26.07.17

Quem é Josenildo? se passa em São Paulo, em 2064, depois que o estado se separa do Brasil e se torna um país independente. É a história de um garoto de 13 anos que simplesmente desaparece, deixando pistas que levam a três linhas de investigação: pode ter se suicidado (seguida pelos colegas), pode ter fugido de casa (seguida pela polícia), e pode ter sido sequestrado (seguida pelos pais). Durante as investigações, vão surgindo personalidades bastante distintas para o Josenildo que cada um achava que conhecia.

A senhora é afro-americana?

Christian Schwartz

26.06.17

Quem lê a história contada por Rachel Dolezal em sua autobiografia In Full Color se depara com um flagrante caso omisso no código de conduta otimista do multiculturalismo. A ex-ativista que se identifica como transnegra tocou em contradições sensíveis das políticas de inclusão ditas progressistas, segundo as quais haveria uma suposta receita universal para a coabitação pacífica da diferença. E, de forma inesperada, o caso Dolezal também ganha ressonância na complexa discussão racial brasileira.

Marrom e amarelo

Paulo Scott

26.04.17

Estou trabalhando neste romance já há três anos (o contrato para o livro com a Alfaguara foi assinado em 2012, quando esta onda mundial de debates em torno do racismo nem sequer estava sugerida no horizonte). O volume do material recolhido é expressivo, na verdade, imenso. O que dizer? Parece um livro sobre racismo no Brasil (e é), mas penso que está mais para uma narrativa sobre modos diversos de vitória, de afirmação vitoriosa.

O lugar do negro

José Geraldo Couto

17.02.17

“A história do negro na América é a história da América – e não é uma história bonita.” A frase, dita pelo escritor James Baldwin (1924-87) a certa altura de Eu não sou seu negro, sintetiza muito bem o espírito do esplêndido documentário de Raoul Peck que concorre ao Oscar da categoria.

O mundo se divide…

Carla Rodrigues

18.05.16

O mundo se divide entre aqueles que acreditam que o mundo se divide em duas partes e os que acreditam que tudo é muito mais complicado do que isso. Esteja de que lado você estiver, é impossível ignorar o problema da representação  na não representatividade do ministério do governo interino. Um regime democrático depende da representação de infinitas singularidades, impossíveis de estar contidas em qualquer estrutura representativa, mas possíveis de não serem totalmente ignoradas como se não existissem.

Os oito odiados, réquiem por uma nação

José Geraldo Couto

08.01.16

Em Os oito odiados, novo filme de Tarantino, parece nascer uma nação dilacerada, de todos contra todos, em que cada um se move apenas pelo ódio e pela cobiça. O negro, o mexicano, a mulher, o ianque, o sulista – todos são sujeito e objeto do ódio homicida em algum momento, se não o tempo todo. Não há sentimento possível de comunidade. É o precoce ocaso de uma nação.

Preto não entra

Bernardo Carvalho

03.12.14

Em poucos segundos, a cadelinha Jack Russell já estava engalfinhada com o pobre cachorro preto. O dono, com a caipirinha na mão, virou-se para mim e disse, com um sorriso maroto de cumplicidade: “Ela não deixa preto entrar na festa”. O que faz um sujeito supor que outro branco, por ser branco, deve ser necessariamente racista, como ele?

No espelho de Angela Davis

Paulo Roberto Pires

24.10.14

Assistir a Libertem Angela Davis no calor da corrida presidencial brasileira é melhor do que todo o noticiário junto. O documentário de Shola Lynch sobre o processo movido contra a ativista negra americana nos Estados Unidos dos anos 1970 mostra abundantemente o que nos falta hoje, no Brasil dos 2000: política. Não se trata de política nova ou velha, mas de política em seu sentido renovador, incômodo e polêmico.