Ver ou não ver, eis a questão

Correspondência

15.12.11

Clique aqui para ver a car­ta ante­ri­or                                            Clique aqui para ver a car­ta seguin­te 

Meu que­ri­do Dapieve:

Rapaz, você me deu um tre­men­do sus­to! Falou na ras­pa­di­nha — capô de fus­ca é 10 — da Bárbara Evans, e las­cou a fra­se: “Não sei se você lem­bra…”. Puxa, Dapieve, de bai­xo dos meus 65 anos, pos­so garan­tir que os capôs, embo­ra cober­tos de arbus­tos orva­lha­dos em minha épo­ca áurea, eu não esque­ci.

Vi a moça na Playboy, e pen­so na, com todo o res­pei­to, mãe dela. Algumas pes­so­as legais anda­ram ata­can­do a Monique.  Não con­cor­do.  É uma lin­da mulher, cheia de sim­pa­tia (qua­se amor). Tenho um cau­so com ela (modes­to, modes­to). A pedi­do do meu ines­que­cí­vel irmão, Marco Aurélio Braga Nery, Monique pou­sou para a capa do CD 50 anos. Aquela per­na lin­da não é mon­ta­gem! Foi apoi­a­da no bra­ço de minha pol­tro­na, de sapa­to ver­me­lho no pezi­nho! Eu, apar­va­lha­do, esta­va com lipo­ti­mia na refe­ri­da pol­tro­na. Monique, pro­fis­si­o­na­lís­si­ma, me dava tapi­nhas gene­ro­sos na face, notan­do minha extre­ma pali­dez. Ela che­gou aqui em casa, tirou a rou­pa com a cate­go­ria que só as mulhe­res que se garan­tem exi­bem e entrou de cal­ci­nha no sagra­do escri­tó­rio no qual você já me deu o pra­zer de cobi­ri­tar. Aí, os fotó­gra­fos Mello Menezes, Henrique e Ricardo Sodré tal­vez, tal­vez  conhe­cen­do o que se pas­sa­va, como diz o jaguar, em minha men­te insa­na, ten­ta­ram manei­rar. E a Monique:

- Não, não! Tá meio care­ta! Acho legal colo­car o pé assim, ó, no bra­ço da pol­tro­na e abrir as per­nas de um jei­to baca­na mas sen­su­al, sem bai­xa­ria.

Eu, de copo em punho e cigar­ri­lha, pro­cu­ra­va não olhar a Monique com a míni­ma cal­ci­nha exi­bin­do a, diga­mos, segun­da tes­ta a um pal­mo de meu avan­ta­ja­do nariz! O que um tiju­ca­no faz numa hora des­sas? Mari con­fe­ria tudo com olhos de águia.

Ver ou não ver, eis a ques­tão. Confesso que vi — e era des­lum­bran­te, com sua­ve per­fu­me de mar. Notando que eu esta­va às por­tas do des­fa­le­ci­men­to, Mari teve a cara de pau de per­gun­tar para a gene­ro­sa Monique:

- Ele está se com­por­tan­do bem?

Monique, natu­ra­lís­si­ma:

- Ele é uma gra­ci­nha. Outro sujei­to já teria dito algu­ma palha­ça­da.

Invejo esses caras. Com a, hmmmm, proa da Monique Evans per­ti­nho da boca e eles con­se­guem falar?!?

Eu fiquei mudi­nho de fas­ci­na­ção. Só quem teve o jar­dim da Monique ao alcan­ce dos lábi­os sabe o que eu sen­ti. Ou melhor, não sabe. Complicado demais expres­sar em pala­vras. Conforme você, argu­to edi­tor, está notan­do, ten­to des­cre­ver o ine­nar­rá­vel. Após as fotos, tre­men­do mais que golei­ro do Vasco nos últi­mos cin­co minu­tos de jogo, e aguen­tan­do o risi­nho irô­ni­co da Mari, botei uma dose dupla de Jack e fui agra­de­cer a gen­ti­le­za da estre­la. Monique, na mesa da copa comia uma bana­na! Menino…  Acredito que o Tijucor não este­ja na minha estra­da ou a inter­na­ção teria acon­te­ci­do nes­se dia aben­ço­a­do. Não que­ro pare­cer um ancião caqué­ti­co. A Bárbara é um show — mas a mãe que vi naque­la tar­de era o pal­co, as luzes, o tea­tro intei­ro, a rua, o bair­ro, o Rio que mora no mar.

Uma nota só — plim! (lágri­ma?) — para fechar: a pol­tro­na sumiu. Temor de que se trans­for­mas­se em obje­to de cul­to?

Bom, des­per­tan­do para a rea­li­da­de: Mourinho fez um golo aos 30 segun­dos do pri­mei­ro tem­po, e tomou de 3 do Barça. Em Madri. Fiquei ima­gi­nan­do um tro­ço meio, reco­nhe­ço, escro­to. Se na der­ro­ta ante­ri­or, Mourinho enfi­ou o dedo no olho de um cara do Barça, o que ele meteu onde des­ta vez? Especulem à von­ta­de!

Sobre o Engenheiro, vibrei com a resis­tên­cia no Sul, metra­lha­do­ras no teto do Palácio, o escam­bau. Já na gover­nan­ça do Rio, hou­ve uma tre­men­da man­ca­da que não ficou bem escla­re­ci­da até hoje, quan­do se abriu uma tole­ran­te por­ta dos fun­dos para seto­res da cri­mi­na­li­da­de. Eu tinha ado­ra­ção por Darcy Ribeiro até vê-lo em um deba­te polí­ti­co na casa do Chico Buarque. Não esta­va em um dia ins­pi­ra­do, para dizer o míni­mo. Bom, ele dei­xou uma obra que fala­rá sem­pre por ele.

Uma pena que o velho PTB, cha­ma­do pelos ude­nis­tas his­té­ri­cos de Partido Tarde Baixinho, tenha sido seques­tra­do por figu­ras ina­cre­di­tá­veis como Bob “Mato nos pei­to” Jefferson. Aquela exi­bi­ção de cinis­mo e des­pu­dor na CPI do men­sa­lão deve­ria pro­vo­car a vol­ta do degre­do — se pos­sí­vel, usan­do gri­lhões. Você é gen­te fina demais para lamen­tar o des­ti­no de lupos Lupi. É, com licen­ça do tro­ca­di­lho infa­me, um mero pei­dei­tis­ta.

Abraço fra­ter­no,

Aldir

 

* Na ima­gem da home que ilus­tra este post: a foto de capa do CD 50 anos — Aldir Blanc

 

, , , , , , , , , , ,