Literatura

Mo Yan, quem?!

Paulo Roberto Pires

11.10.12

Uma certa soberba da ignorância costuma exalar dos comentários, entre nós, sobre aqueles vencedores do Nobel de Literatura que escapam às listas dos eternos candidatos. Mo Yan, chinês que foi anunciado nesta quinta como premiado de 2012, é, por aqui, candidato forte ao epíteto de "desconhecido". Acha-se que o problema é da Academia Sueca, sem dúvida idiossincrática como qualquer júri literário. Mas bem que pode ser nosso.

Manuel Bandeira: poema e oração

Elvia Bezerra

10.10.12

Desde que li o ensaio sobre Edson Nery da Fonseca em piauí 72, penso em contar a esse bandeiriano essencial, pernambucano como o poeta de Pasárgada, sobre o achado que fizemos há alguns meses no arquivo de Paulo Mendes Campos, sob a guarda do Instituto Moreira Salles desde 2011. Trata-se de um manuscrito do poema "Ubiquidade", de Bandeira,  em papel já bem amarelecido, datado de Petrópolis, 11 de março de 1943.

Kafka, ano zero

Leandro Sarmatz

22.09.12

A história da literatura, assim como as outras histórias, é feita de guinadas radicais. Um único momento decisivo sobrepuja séculos de monótona continuidade. Na história literária do século XX nada parece superar a noite de 22 para 23 de setembro de 1912 quando - entre 22h e 6 da manhã - o jovem advogado praguense Franz Kafka escreveu de um só fôlego O veredicto.

O cérebro na ficção

Vinícius Castro

18.09.12

É possível constatar que o cérebro anda ganhando mais atenção dos escritores de ficção nas últimas décadas. Faz todo sentido que isso aconteça, já que a ficção sempre lida com as imagens que o homem faz de si mesmo, as metáforas de identidade mais correntes e convincentes de cada época, e a neurologia vem nos dizendo há algum tempo que todo o espetáculo assombroso da nossa consciência acontece, ao que tudo indica, dentro do nosso cérebro.

Um terno para dois: Otto Lara Resende e Millôr Fernandes

Elvia Bezerra

13.09.12

"O Otto casou com o terno do Millôr", disse ela, cuja memória prodigiosa muito tem contribuído para esclarecer dúvidas que surgem no arquivo do marido. Em 1950, ano do casamento, Otto trabalhava freneticamente em alguns periódicos do Rio, cidade onde chegara em janeiro de 1946. Em quatro anos teve de alugar apartamento, firmar-se profissionalmente, encantar-se com o Rio de Janeiro, e, de quebra, encontrar a mulher com quem viveria por toda a vida.

A tempestade de Bob Dylan

Alexandre Matias

12.09.12

A carreira de Bob Dylan, 71 anos, pode ser vista como uma montanha russa de reviravoltas musicais e estéticas, com uma trajetória que vê seu protagonista sair do papel de enfant terrible da folk music nova-iorquina e se tornar a lenda viva da cultura do século 20.

DeLillo e a qualidade narrativa do dinheiro

André de Leones

05.09.12

Cosmópolis está distante da excelência de Ruído Branco (1985) ou da monumentalidade de Submundo (1997), as obras mais festejadas do autor, mas merece ser lido ou relido, dentre outros motivos, porque parece ter mais a nos dizer hoje do que há nove anos.

Literatura em vídeo

Carlos Henrique Schroeder

04.09.12

O Blog do IMS convidou o escritor Carlos Henrique Schroeder para escrever uma segunda parte do seu "Guia do melhor da web literária", desta vez listando os melhores vídeos sobre literatura na internet.

Otto Lara Resende e Drummond: dois amigos e um abraço

Elvia Bezerra

30.08.12

Quem lê a dedicatória de Drummond no exemplar de Baudelaire, de Jean Paul Sartre, na biblioteca de Otto Lara Resende, não pode deixar de ficar intrigado: "Ao Otto, meu companheiro de pessimismo, com um abraço fúnebre, Carlos".

Ricardo Piglia: falsificações em cadeia

Joca Reiners Terron

21.08.12

Ricardo Piglia vem pavimentando a recepção crítica da própria obra ficcional desde o início de sua carreira. Em que momento, porém, sua produção como crítico literário suplantou o interesse despertado por seus relatos? Ou melhor: terá havido um instante em que ambas vertentes, a crítica e a puramente ficcional, confluíram para um único leito narrativo, e em consequência produzir contos e romances ou aquilo que se espera de textos assim denominados tornou-se incoerente?