As imagens de Chico Albuquerque

Por dentro do acervo

28.04.13

A expo­si­ção O estú­dio foto­grá­fi­co Chico Albuquerque abre para con­vi­da­dos na segun­da-fei­ra, 29 de abril, e para o públi­co no dia seguin­te, no Museu da Imagem e do Som de São Paulo. Posteriormente, segui­rá para Fortaleza e Rio de Janeiro. A mos­tra reú­ne 150 ima­gens sele­ci­o­na­das a par­tir das prin­ci­pais ver­ten­tes da obra do autor, cujo acer­vo está no Instituto Moreira Salles. São foto­gra­fi­as pro­du­zi­das duran­te seu perío­do de atu­a­ção pro­fis­si­o­nal em São Paulo, entre as déca­das de 1940 e 1970.

O catá­lo­go do pro­je­to, com ima­gens adi­ci­o­nais, será lan­ça­do em junho.

Clique para ver as ima­gens ampli­a­das

Eliane Lage, 1951, Standard Propaganda, São Paulo

Lina Bo Bardi na Casa de Vidro, pro­je­to de Lina Bo Bardi, 1952, São Paulo

Campanha para a máqui­na de cos­tu­ra Singer, 1959 — J. Walter Thompson Company do Brasil
Convênio Museu da Imagem e do Som — SP/Instituto Moreira Salles

 

 

Restauração
Desde que che­gou ao Instituto Moreira Salles, o acer­vo de Chico Albuquerque (1917–2000) pas­sa por um pro­ces­so de recu­pe­ra­ção dos ori­gi­nais, em gran­de par­te dete­ri­o­ra­dos.

A recu­pe­ra­ção se dá em três eta­pas: guar­da à bai­xa tem­pe­ra­tu­ra (o que garan­te esta­bi­li­da­de de pre­ser­va­ção); digi­ta­li­za­ção de todo o con­jun­to e a res­tau­ra­ção por meio de trans­fe­rên­cia de supor­tes.

Esta téc­ni­ca foi esco­lhi­da devi­do às carac­te­rís­ti­cas da obra de Chico Albuquerque, na qual a luz, e espe­ci­al­men­te a ilu­mi­na­ção de estú­dio, é fator deter­mi­nan­te na cons­tru­ção da qua­li­da­de das ima­gens. No tra­ba­lho em labo­ra­tó­rio — que deve ter con­di­ções ade­qua­das, mani­pu­la­ção extre­ma­men­te cui­da­do­sa e téc­ni­cos expe­ri­en­tes — a emul­são ori­gi­nal é libe­ra­da de sua base degra­da­da e logo em segui­da reco­lo­ca­da e pla­ni­fi­ca­da sobre um novo supor­te. Este pro­ce­di­men­to pre­ser­va todas as nuan­ces da luz cap­ta­da no nega­ti­vo, por­que trans­por­ta inte­gral­men­te a infor­ma­ção de luz da emul­são para o novo supor­te, evi­tan­do inclu­si­ve erros de inter­pre­ta­ção no momen­to da fina­li­za­ção digi­tal.

Jânio Quadros, 1954, São Paulo

Lygia Fagundes Telles, 1949, São Paulo

Odete Lara posan­do na cadei­ra Bowl, pro­je­ta­da por Lina Bo Bardi, 1953, São Paulo

Darcy Penteado, 1956, M.W.J. Publicidades, São Paulo

Teófilo Hamdan, 1949, São Paulo 

Tom Payne, Companhia Vera Cruz, 1951, São Paulo 

Ulysses Guimarães, 1958, São Paulo

Campanha para o auto­mó­vel Fusca, Volkswagen, 1963, Proeme — Agência de Propaganda e Mercadologia

Roberto Burle Marx, 1952, São Paulo 

Veja um pou­co do tra­ba­lho de res­tau­ra­ção exe­cu­ta­do na Reserva Técnica Fotográfica do IMS.

 

Francisco Albuquerque nas­ceu em Fortaleza, em 1917. Participou das his­tó­ri­cas fil­ma­gens de It’s all true, de Orson Welles (Ceará, 1942), como fotó­gra­fo de cena. A expe­ri­ên­cia o mar­ca­ria pro­fun­da­men­te e ins­pi­ra­ria seu ensaio mais céle­bre, Mucuripe, de 1952. Mudou-se para São Paulo em 1947 e abriu um dos mais bem equi­pa­dos estú­di­os da cida­de. Em 1952 apre­sen­tou a mos­tra indi­vi­du­al Jangadas no Museu de Arte de São Paulo-Masp. Participou de mos­tras naci­o­nais e inter­na­ci­o­nais, com diver­sas pre­mi­a­ções. Retornou a Fortaleza em 1975, onde mon­tou um novo estú­dio e tra­ba­lhou até sua mor­te, em 2000. Em 2003 foi fun­da­do o Instituto Cultural Chico Albuquerque.