
Atados por cartas
Laura Erber
28.09.16
Durante anos, Baudelaire e sua mãe mantiveram intenso contato através de cartas. Boa parte dessa correspondência testemunha a urgência do poeta em vê-la e ao mesmo tempo a impossibilidade de visitá-la. Problemas de saúde, problemas de dinheiro. Se toda carta de amor é ridícula e se toda carta é sempre, em alguma medida, uma carta de amor, o afeto epistolar entre ambos é testemunha de um drama amoroso dos mais fascinantes.

Grande sertão: veredas sessentão
Elvia Bezerra
18.07.16
Grande sertão: veredas, romance de Guimarães Rosa, está completando sessenta anos. Em junho, o Clube de Leitura do IMS leu a obra sob orientação do professor Eduardo Coutinho. Em palestra disponível em áudio integral e apresentada aqui por Elvia Bezerra, coordenadora de internet do IMS, o professor ressalta a tríplice travessia que se percorre no livro.

Editora Ana C.
Elizama Almeida
18.07.16
Além da prática constante da escrita na infância, Ana Cristina Cesar encarou e encarnou igualmente dos 10 aos 14 anos de idade o papel de editora, num interesse que culminou na criação da fictícia editora Problemas Universais, marcada também como Prouni em seus manuscritos.

Leituras no Paço
Equipe IMS
04.07.16
O Centro do Rio na obra dos escritores Machado de Assis e Lima Barreto será o tema de duas palestras organizadas pelo Clube de Leitura do Instituto Moreira Salles-RJ no Paço Imperial, em julho e agosto, em torno da exposição O Paço, a praça e o morro. Marta de Senna falará sobre Machado de Assis e Beatriz Resende sobre Lima Barreto.

Firme no Leme
Equipe IMS
06.06.16
Que se cuide o Carlos Drummond de Andrade sentadinho naquele banco quase na outra ponta de Copacabana. Em pose parecida com a do poeta – de pernas cruzadas e de costas para o mar – Clarice Lispector também ganhou réplica em bronze acomodada na mureta do Leme. E logo nos primeiros 20 dias integrada à paisagem, a primeira estátua de artista mulher no Rio, se não chegou a superar, deve ter igualado o recorde de Drummond em número de selfies com passantes.

Rubião é 100
Equipe IMS
01.06.16
Em 2016 celebra-se o centenário de nascimento do escritor mineiro Murilo Rubião (1916- 1991), um dos pioneiros da literatura fantástica no Brasil. Assista à conversa sobre o autor promovida pelo IMS, com a participação de Humberto Werneck e Sérgio Alcides, e escute a leitura de um conto por Elvia Bezerra.

Boal e o “milagre brasileiro”
Equipe IMS
31.05.16
O Brasil não era politicamente menos dramático que hoje naquele 25/4/84 em que Fernanda Montenegro escreveu ao amigo Augusto Boal no exílio. Entre euforia com a expectativa da votação e decepção com a derrota da emenda das Diretas Já no Congresso, a carta termina com a perplexidade atemporal de todo brasileiro: “Não sabemos o que vai acontecer.” Nunca sabemos. Trinta e dois anos após a agonia daquela noite sem final feliz, a atriz leu cópia de sua carta original em vídeo produzido para a exposição Meus caros amigos – Augusto Boal – Cartas do exílio.

Millôr, duas sílabas fortes
Equipe IMS
25.04.16
Na época de Pif-Paf na revista O Cruzeiro, Millôr Fernandes deu início à série "Retratos 3x4 de amigos 6x9", dedicada a breves perfis impressionistas de amigos e pessoas que admirava. Uma das homenageadas foi a atriz Fernanda Montenegro. Anos mais tarde, em 2012, a atriz escreveu um texto em resposta a esse 3x4, para ser lido na inauguração do Largo do Millôr, entre o Arpoador e a praia do Diabo, no Rio de Janeiro. Assista à leitura.

Manuel Bandeira: o legado maior
Elvia Bezerra
19.04.16
Há 130 anos nascia, no Recife, aquele que ficaria conhecido como o Poeta de Pasárgada. Manuel Carneiro de Sousa Bandeira chegou ao mundo no dia 19 de abril de 1886 e, ainda jovem, foi transplantado para o Rio de Janeiro, onde viveu até o último dia de vida. No seu exílio, que se tornaria voluntário, conseguiu resolver uma equação invejável: sem esquecer sua cidade de origem – queria estar lúcido na hora da morte para lhe enviar um último pensamento, como se lê no poema “Recife” –, desejava morrer sob os “céus serenos” do Rio de Janeiro, “porque assim”, escreveu na louvação à capital carioca, “sentirei menos/ O meu despejo de cá”.

O poema se escreve, não se explica (a vida)
Laura Erber
12.04.16
Quem quando queira, de João Bandeira, pode trazer um pouco de leveza e a impressão de que a herança moderna não precisa ser um fardo ou um mau agouro, mas um laboratório a ser reinvestido e repensado em função da dissolução ou afrouxamento de certas disputas. Longe de fazer da convivência entre diferentes vertentes poéticas um sintoma pseudodemocrático da biodiversidade poética contemporânea, ele libera a poesia de superegos já caducos, sem se privar do tom lírico ou perder o horizonte de autocrítica. Abre pequenas brechas de contato, ali onde se tornou possível colocar em diálogo o rigor lúdico do concretismo, um ouvido musical e a utopia do verso livre.