Lugar nenhum” e as relações entre pintura e fotografia

Em cartaz

27.02.13

A his­tó­ria da foto­gra­fia é indis­so­ciá­vel da his­tó­ria da pin­tu­ra. Desde os pri­mei­ros regis­tros foto­grá­fi­cos, na pri­mei­ra meta­de do sécu­lo XIX, obser­va-se uma série de influên­ci­as mútu­as entre as duas for­mas de repre­sen­ta­ção. Ao lon­go do sécu­lo XX, as tro­cas se tor­nam cada vez mais com­ple­xas, não sen­do pos­sí­vel, mui­tas vezes, deter­mi­nar uma ori­gem úni­ca para solu­ções for­mais engen­dra­das por artis­tas que tra­ba­lham com essas téc­ni­cas.

Lugar nenhum, expo­si­ção de 56 obras que o Instituto Moreira Salles abre no Rio de Janeiro em 2 de mar­ço, apre­sen­ta as rela­ções entre foto­gra­fia e pin­tu­ra no cená­rio con­tem­po­râ­neo por meio da pro­du­ção recen­te de oito artis­tas bra­si­lei­ros: Ana Prata, Celina Yamauchi, Lina Kim, Luiza Baldan, Marina Rheingantz, Rodrigo Andrade, Rubens Mano e Sofia Borges. Eles pos­su­em per­cur­sos e refe­rên­ci­as dis­tin­tas, mas seus tra­ba­lhos, quan­do pos­tos lado a lado, suge­rem um sen­ti­do comum.

A mos­tra tem cura­do­ria do crí­ti­co de arte Lorenzo Mammì e da coor­de­na­do­ra de artes visu­ais do IMS, Heloísa Espada, e fica em car­taz até 2 de junho. Na aber­tu­ra, have­rá às 17h uma mesa-redon­da com os cura­do­res e com Sérgio Bruno Martins, crí­ti­co de arte e dou­tor em his­tó­ria da arte pela University College London. A reti­ra­da de senhas come­ça às 16h30.

Os três pin­to­res que par­ti­ci­pam da expo­si­ção — Marina Rheingantz, Ana Prata e Rodrigo Andrade — par­tem de ima­gens foto­grá­fi­cas reti­ra­das de livros, revis­tas, jor­nais, arqui­vos pes­so­ais ou da inter­net. Mas, embo­ra a foto­gra­fia seja para eles uma poten­te fon­te de idei­as, a téc­ni­ca deto­na um pro­ces­so cri­a­ti­vo que visa a desa­fi­os pró­pri­os à pin­tu­ra. Os fotó­gra­fos, por sua vez, cada um ao seu modo, demons­tram a mes­ma liber­da­de do pin­tor para inter­fe­rir na cena regis­tra­da, seja modi­fi­can­do o lugar fisi­ca­men­te, como faz Rubens Mano, seja por mani­pu­la­ções digi­tais, como fazem Lina Kim, Celina Yamauchi e, em alguns tra­ba­lhos, Sofia Borges.

Em comum, todos os artis­tas de Lugar nenhum evi­tam situ­a­ções espe­ta­cu­la­res e inu­si­ta­das. Suas obras mos­tram luga­res qua­se sem­pre vazi­os e anô­ni­mos, espa­ços apa­ren­te­men­te esque­ci­dos que evi­den­ci­am resquí­ci­os do pas­sa­do no pre­sen­te. Por meio de cenas a prin­cí­pio banais, cri­am espa­ços de silên­cio, pau­sa e estra­nha­men­to. Estão cien­tes de que a foto­gra­fia é um códi­go do mun­do, e não o mun­do. Mas é jus­ta­men­te nos luga­res em que os códi­gos são mais rare­fei­tos e em que o sen­ti­do pare­ce sus­pen­so que uma repre­sen­ta­ção do mun­do ain­da pare­ce pos­sí­vel.

Veja abai­xo alguns dos tra­ba­lhos expos­tos:

 

Tiro, 2011. Ana Prata

 

 

Sem títu­lo, 2012. Celina Yamauchi

 

 

Sem títu­lo, 2003 — 2006. Lina Kim

 

 

Sem títu­lo, 2010. Luiza Baldan

 

 

Malha viá­ria com pis­ci­na, 2010. Marina Rheingantz

 

 

Fachadas japonesas/Daido Moriyama, 2010. Rodrigo Andrade

 

 

entre, 2003. Rubens Mano

 

 

Ambas, par­te 1, 2009. Sofia Borges