Equipe IMS

Entre a neve e o fogo

José Geraldo Couto

03.03.17

Premiado com o Oscar de roteiro original, Manchester à beira-mar é um melodrama que, em muitos aspectos, transcende o gênero e ajuda a renová-lo. No atual estágio do cinema hollywoodiano, não é pouca coisa. No filme de Kenneth Lonergan, a tragédia explode em meio à atmosfera melancólica do inverno na praia.

Os filmes de março

Equipe IMS

02.03.17

Fique por dentro da programação completa para março da Sala José Carlos Avellar, o cinema do Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro, com datas e horários das exibições e instruções para compra de ingressos.

Via-crúcis do corpo

José Geraldo Couto

24.02.17

Uma das proezas do diretor Barry Jenkins é a de encontrar em três atores de idades e aspectos inteiramente diferentes o mesmo olhar de perplexidade, dor e solidão. Esses olhos são o cerne de Moonlight. Depois de tudo, Chiron continua se perguntando quem ou o que é. A ausência de resposta é a beleza maior desse filme surpreendente, que não ignora os condicionamentos sociais, mas também não os vê como um determinismo fatalista e nivelador.

Algo tão irrelevante quanto a realidade

Camila von Holdefer

15.02.17

As boas intenções, como prova o exemplo de Florence Foster Jenkins, não servem como fator atenuante no caso de um resultado desastroso. Entre a concepção e a realização, e não apenas na criação artística, há um longo caminho a ser percorrido. Com a valorização do discurso fácil que procura recompensar aqueles que, a despeito das dificuldades e das limitações, resolvem perseguir seus sonhos, como se a capacidade de idealização devesse se sobrepor à capacidade de realização, a guinada à brandura é previsível. A condescendência na crítica, porém, não vai nos levar muito longe.

O mundo como teatro

José Geraldo Couto

10.02.17

Toni Erdmann, da alemã Maren Ade, que concorre ao Oscar de filme estrangeiro depois de ter conquistado uma porção de prêmios em festivais como Cannes, San Sebastián e Toronto, pode ser descrito como uma comédia amarga sobre o nosso tempo. Mas, como veremos, é muito mais do que isso. Ainda estamos em fevereiro, mas já se pode dizer sem medo que é um dos grandes filmes do ano.

Renoir, amigo dos homens

José Geraldo Couto

03.02.17

Uma obra única e essencial, de encanto perene, está quase completa na grande retrospectiva A vida lá fora: o cinema de Jean Renoir, destacando aquilo que lhe perpassa e unifica: o infinito interesse por indivíduos concretos, imperfeitos, contraditórios, mais do que por ideias abstratas, enredos dramáticos ou grandes construções estéticas. Descendo vários degraus na escala de grandeza do cinema, entram em cartaz dois filmes norte-americanos candidatos ao Oscar e ambientados no mesmo período: o início da década de 1960.