Literatura

A figura caleidoscópica de Alexandre Eulalio

Vilma Arêas

21.06.12

Talvez pudéssemos definir Alexandre Eulalio com as palavras com que ele descreveu Jorge Luis Borges: "ecumênico, eruditíssimo, intoxicado por uma cultura vivida até a exaustão". Era um escritor e crítico formado nos parâmetros de uma outra época, quando o exercício da liberdade era possível no trabalho acadêmico. Dificilmente poderíamos hoje definir um livro nosso, como ele definiu seu belo livro sobre Blaise Cendrars, republicado de forma notável pelo Carlos Augusto Calil: reportagem, crônica, ensaio, álbum, seleta, registo de gravações, livro de figuras, roteiro de filme, documentário...

As várias caligrafias de Quintana

Equipe IMS

21.06.12

Disponibilizamos esta semana a versão digital e gratuita do Cadernos de Literatura Brasileira dedicado ao poeta gaúcho Mario Quintana.  Aproveitamos para apresentar aqui no blog uma das partes mais interessantes do CLB em questão: a de inéditos e manuscritos.

Álgebra lírica: inéditos e manuscritos de Euclides da Cunha

Equipe IMS

14.06.12

Esta semana, disponibilizamos na íntegra o volume duplo do Cadernos de Literatura Brasileira dedicada a Euclides da Cunha, autor de Os sertões. Aproveitamos o espaço do blog para destacar uma faceta pouco conhecida de Euclides: a de poeta.

História de uma geração corrompida

Alexandre Rodrigues

13.06.12

Entre lances de maestria estilística e humor inusitado, o diagnóstico de McEwan é que essa geração, uma elite cosmopolita, culta e sofisticada, fundada nos valores universais dos anos 60, se deixou corromper. Seja por pragmatismo ou oportunismo, o fato é que aceitou o jogo do poder. Os dois amigos são complacentes com suas próprias ações, justificadas por "valores superiores", na medida oposta em que se tornam o juiz dos atos um do outro. É por essa rede de relativismos que Amsterdam continua um livro atual.

Entre o sonho e o real: cem anos de Strindberg

Kelvin Falcão Klein

12.06.12

August Strindberg nasceu em Estocolmo, em 1849, e morreu na mesma cidade exatamente cem anos atrás. Foi um daqueles escritores inquietos e prolíficos, que escreveram livros sobre os mais variados assuntos, bem como uma extensa obra ficcional. Um daqueles autores que mergulharam profundamente na loucura, realizando, a partir disso, obras perturbadoras, nas quais não se identifica precisamente o que é método e o que é aleatoriedade.

Ivan viu o mundo

Paulo Roberto Pires

10.06.12

Sempre me intrigou que Ivan vivesse num Rio de Janeiro imaginário, devidamente azedado (ou reforçado, vai saber) quando esteve aqui pela última vez em "vinte oito anos, seis meses e sete dias" (nas suas contas) para escrever "Eu conheço esse cara", crônica-diário  publicada no primeiro número da  piauí. A idade me fez entender melhor, no entanto, que a General Osório pode, sim, fazer esquina com a Charing Cross. E, também, entender melhor o Ivan Lessa.

Ray Bradbury (1920-2012)

Alexandre Matias e Heloisa Lupinacci

06.06.12

Estranhamente otimista num universo literário predominantemente pessimista, Bradbury celebrava a literatura como a arte do encontro e o prazer da aceitação, quando o leitor descobre o livro que, como dizia, "é você mesmo", que lhe dá uma sensação de pertencimento e não de isolamento.

Música do acaso

Kelvin Falcão Klein

24.04.12

A aparente facilidade da escrita de Auster, sua fluidez, mascara e ao mesmo tempo convida ao mergulho nas camadas profundas, nos elementos que se repetem, para que a leitura seja sempre uma descoberta, como acontece com aquela criança que mostra seu trabalho para o pai.

A máquina de Gonçalo M. Tavares

Reginaldo Pujol Filho

11.04.12

Se encontrar o escritor para um papo, um café, já é risco de, além de gaguejar e passar vergonha, descobrir que o sujeito só é o cara no papel, diz aí: e estudar com ele? Me pergunto o que, de fato, gente como eu espera da cadeira Arte do Romance com Gonçalo M. Tavares?

Divagar e sempre: Millôr Fernandes

Sérgio Augusto

28.03.12

Sérgio Augusto, em 2003, quando da publicação do Cadernos de Literatura Brasileira dedicado ao desenhista, humorista, jornalista, dramaturgo e escritor Millôr Fernandes (1923-2012), aceitou o desafio de selecionar cem de suas melhores frases.