Desafio do dia: incluir

Cinema

04.11.14

O fotojornalista americano Dan Habib pensa em inclusão todos os dias. Mas nem sempre foi assim. Tudo começou quando seu filho, Samuel, foi diagnosticado com paralisia cerebral. Daí, seu mundo mudou. A família que nunca tinha se tocado sobre o universo das pessoas com deficiência – cheio de dificuldades, esperanças e luta por direitos – se debruçou sobre o assunto. Tanto assim que o americano produziu, ao longo de quatro anos, o documentário A inclusão de Samuel (que será exibido nesta quinta-feira no IMS).

O filme retrata, em menos de uma hora, as dores e delicias para incluir Samuel em todos os ambientes possíveis – da comunidade à escola -, além de contar as experiências de outras quatro pessoas com algum tipo de deficiência. Não espere receitas. Elas não existem. Na jornada da inclusão, pode não haver professores altamente qualificados, métodos fantásticos ou cartilhas a seguir. Em vez disso, o que se nota é que o processo de inclusão não tem nada de estático: à medida que cresce, a criança traz novos e novos desafios a seus pais, professores, amigos. E um deles é mostrar que a deficiência é apenas uma das características de uma pessoa, mas não a única.

Ao longo do filme, nos deparamos com perguntas que nos tiram da nossa zona de conforto e que podem nos levar a repensar a maneira como lidamos com o mundo ao redor. O que uma escola inclusiva deve ter? Todas as crianças podem estar na mesma sala? O que esperar de uma criança com deficiência? Como será o seu futuro? Inclusão é possível no nível médio? O filme não responde a todas elas. No entanto, nos joga no colo nossa própria inabilidade de lidar com o diferente. Ou, melhor, de lidar com o desconhecido.

Todos somos maiores do que as nossas marcas mais visíveis. Uma pessoa cega é bem mais do que uma pessoa cega. Pode ser branca, morena, gostar de flauta, ter medo de altura, rir de nervoso, ser boa em matemática, péssima em geografia… Uma percepção que precisa começar, necessariamente, dentro de casa, na família. Amar o filho, aceitar o filho e, em seguida, amar o filho cada vez mais. Talvez esse seja das maiores lições do documentário de Habib. O amor incondicional.

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