O alvorecer do fascismo
Kelvin Falcão Klein
27.11.18
Boa parte da literatura sobre a Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini mostra que o passado recente muitas vezes nos espera na próxima esquina, feito de gritaria e selvageria. É possível seguir o fio dessa meada em direção ao futuro e perceber em relatos, diários e memórias como é viver a transformação da ideia original na prática do fascismo.
O estrangeiro
José Geraldo Couto
11.10.18
Um filme cabo-verdiano é um corpo mais do que estranho no circuito exibidor brasileiro. Djon África conta de maneira original uma história clássica, a de um homem em busca de seu pai desconhecido. Já o alemão Os invisíveis, sobre a perseguição a judeus escondidos durante o nazismo, resgata valores de compaixão e solidariedade tão imperiosos aqui e agora quanto na Berlim da época de Hitler.
Xadrez na Dinamarca
Rafael Cardoso
26.12.17
É difícil resistir à tentação de atribuir significados fatídicos à imagem de Bertolt Brecht e Walter Benjamin jogando xadrez na Dinamarca em 1934. A relação entre esses autores – dois dos maiores vultos da cultura alemã no século XX – foi intensa e duradoura. Com uma exposição e novas biografias, embora nunca tenham saído de cena, Brecht e Benjamin estão de volta com força total.
O nazismo entre nós
José Geraldo Couto
08.07.16
Nenhum filme havia contado até agora uma história tão horripilante e reveladora de nossas mazelas como a mostrada no documentário Menino 23, de Belisário Franca, sobre a presença nazista no Brasil. Através de pesquisa do historiador Sidney Aguilar Filho, o filme reconstitui um evento ocorrido em meados dos anos 1930, no interior de São Paulo.
O ovo da serpente
Bernardo Carvalho
28.01.15
O historiador da arte Aby Warburg (1866-1929) vinha de uma das famílias judias mais ricas da Alemanha e foi mandado para o sanatório Bellevue, na Suíça, depois de ameaçar matar a mulher e os filhos a tiros. Diagnosticado como esquizofrênico maníaco-depressivo, quis eliminar a família para evitar que fossem perseguidos, trancafiados em prisões secretas, torturados e assassinados, o que retrospectivamente teria feito dele também um visionário.
A impossibilidade de se falar sobre Auschwitz
Bruno Mattos
22.07.13
"Auschwitz, para a minha surpresa, abrigava a mesma rotina de um ponto turístico qualquer, como uma igreja antiga, um palácio luxuoso ou um museu. Quais seriam as implicações disso?", questiona Bruno Mattos neste texto que recorre a obras de Primo Levi, Michel Laub e Imre Kerstész para refletir sobre a impossibilidade de se transmitir a realidade dos campos de extermínio nazistas.
Ver o horror
Bernardo Carvalho
03.10.11
Antes de ser transformado em campo de extermínio, Auschwitz servia de caserna para o exército polonês. Os pavilhões de tijolos foram adaptados ao horror e hoje permanecem limpos e impecáveis, numa estranha paz, entre árvores e gramados bem-cuidados. Birkenau é muito mais impressionante. Já nasceu como campo de extermínio. E não deixa dúvidas quanto a sua função original. Não é preciso nenhuma exposição, nenhuma imagem. A vastidão do campo e a arquitetura falam por si. A morte e o horror transparecem no silêncio dos pavilhões de madeira e nas ruínas das câmaras de gás.