Antônio Xerxenesky

Adaptando a confusão

Antônio Xerxenesky

31.03.15

Vício inerente, novo filme de P.T. Anderson, é a primeira adaptação do cultuado escritor norte-americano Thomas Pynchon para o cinema. Os acertos e erros do longa se devem muito à fidelidade ao material. Se, por um lado, é bem-sucedido em transmitir a confusão da trama e em captar o humor absurdo de Pynchon, por outro, revela-se cansativo na última parte.

Ficção inteligente versus mercado

Antônio Xerxenesky

23.03.15

Uma nova e pequena editora, a Rádio Londres, surge no mercado apostando em títulos da ficção contemporânea que ainda não tinham sido publicados no Brasil. Livros muito diferentes entre si integram a primeira leva de lançamentos: Stoner, de John Williams, Viva a música, de Andrés Caicedo, e Estação Atocha, de Ben Lerner (foto).

Graça ocasional

Antônio Xerxenesky

16.12.14

Considerado um dos mais importantes lançamentos do ano, Graça infinita, de David Foster Wallace, chega ao Brasil dezoito anos após sua publicação. O romance não é para todos: confuso, verborrágico e mergulhado na cultura de massas norte-americana, Graça infinita exige um leitor obsessivo.

Notas perdidas sobre o estado das literaturas nas Américas

Antônio Xerxenesky

01.12.14

Falar da literatura de um país ou de um continente envolve sempre uma generalização. Porém, uma grande diferença parece existir entre a atual literatura latino-americana e a anglo-saxã. Os modos de produção - e o caráter primitivo do mercado latino - podem dar algumas pistas do motivo.

O futuro nada previsível de Julio Cortázar

Antônio Xerxenesky

26.08.14

Este 26 de agosto é o centenário de Julio Cortázar. Enquanto o autor argentino é festejado internacionalmente, o seu status de "grande escritor" deixou de ser uma unanimidade há anos, especialmente na Argentina. Especular como Cortázar será lembrado futuramente, no entanto, pode não passar de um exercício de imaginação.

Thomas Bernhard: repetição e aniquilação

Antônio Xerxenesky

05.08.13

"Caso o leitor sobreviva a essa primeira crise do Mal de Bernhard e insista na leitura, descobrirá que a obra do autor não é tão repetitiva assim; ou melhor: ela é enganosamente parecida". Antônio Xerxenesky traça um panorama da obra do escritor austríaco Thomas Bernhard, que caminhava na corda bamba entre a virulência e o absurdo.

Por um Brasil mais russo

Antônio Xerxenesky

19.03.13

Focada na publicação de autores do Leste Europeu, a Coleção Leste da Editora 34 tornou-se um marco no mercado editorial brasileiro por publicar, sempre em tradução direta, nomes importantíssimos do cânone como Dostoiévski e Tchekhov, ao lado de autores menos conhecidos. Coordenada inicialmente por Nelson Ascher, hoje em dia a coleção é comandada por Cide Piquet e seus companheiros da editora. Com meros 35 anos, Piquet é um dos principais responsáveis pela publicação de literatura russa no Brasil.

Necessários e inviáveis

Antônio Xerxenesky

15.03.13

"15 poemas necessários" é o título que estampa a primeira página de uma caderneta marrom de Otto Lara Resende. O autor classifica os "15 poemas necessários" como um livro "inviável" e se define como um "não-poeta".

Crença cega no próprio ofício

Antônio Xerxenesky

26.02.13

Indie game: the movie, o documentário sobre criadores de jogos independentes, é um filme que pode ser interessante até para quem nunca tocou num controle de Playstation. Há uma beleza intrínseca em acompanhar a trajetória de underdogs, pessoas sem grandes contatos e sem dinheiro que, movidos por uma crença cega no próprio ofício, perdem noites de sono em suas criações, mesmo sem nenhuma garantia de que terão sucesso.

A covardia veste azul e laranja

Antônio Xerxenesky

17.01.13

Há uma tendência contemporânea no cinema hollywoodiano de usar correção digital de cor para deixar todos os filmes com tonalidades saturadas de azul e laranja. Para Xerxenesky, trata-se de um recurso nefasto, que direciona de forma explícita o olhar do espectador.