O Paradoxo Millôr

Séries

20.03.13

Millôr tinha um jei­to pecu­li­ar dian­te dos elo­gi­os. Jamais o agra­de­ci­men­to con­ven­ci­o­nal. Fazia uma bre­ve refe­rên­cia ao que fos­se elo­gi­a­do. Diferente para os ínti­mos: uma inter­pre­ta­ção a mais, a ori­gem ou o pro­pó­si­to. Todos com o ador­no de risos rápi­dos.

Não eram res­pos­tas de dile­tan­te. Coisa de pro­fis­si­o­nal, de quem sabia a medi­da do que fez. “Escrevo e dese­nho por­que sou pro­fis­si­o­nal e como pro­fis­si­o­nal”, fra­se, tal­vez, não total­men­te ver­da­dei­ra, mas sin­ce­ra como expres­são do Millôr vis­to por Millôr.

Daí veio a curi­o­si­da­de a que ele não me deu res­pos­ta con­vin­cen­te, nun­ca: por que você con­ti­nua sem lan­çar seu tra­ba­lho no exte­ri­or? Quando é que você vai enfim con­tra­tar um agen­te inter­na­ci­o­nal? As res­pos­tas eva­si­vas pre­tex­ta­vam depres­sa outro assun­to.

Millôr foi um talen­to uni­ver­sal. Seu dese­nho e seu humor se fize­ram com a lin­gua­gem do mun­do. O mun­do o espe­rou em vão, no entan­to. A uni­ver­sa­li­da­de de Millôr, para­do­xal­men­te, ficou ape­nas no âmbi­to domés­ti­co.

A admi­nis­tra­ção da sua obra por este empol­gan­te Instituto Moreira Salles pro­me­te nova opor­tu­ni­da­de para o mun­do e suas melho­res publi­ca­ções, edi­to­ras e gale­ri­as. Apesar de tudo, o mun­do a mere­ce.

Janio de Freitas é jor­na­lis­ta

O acer­vo de Millôr Fernandes aca­ba de ser incor­po­ra­do ao IMS. Em seu estú­dio, foram inven­ta­ri­a­dos 7.858 itens, sen­do 6.577 obras, mate­ri­al que come­ça a ser cata­lo­ga­do.

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