Equipe IMS

Atravessar a rua com o sinal fechado

Paulo Raviere

11.08.17

Em Dois vivas ao anarquismo, ainda inédito em português, o sociólogo americano James C. Scott propõe a Lei de Scott da Calistenia Anarquista, que prega a importância de o indivíduo autônomo quebrar diariamente alguma lei que não faça sentido. Mas em sociedades como a brasileira, dominadas de cima a baixo pelo jeitinho, como isso funcionaria?

Para compreender o riso

Camila von Holdefer

05.12.16

Se a função social do humor na intimidade responde às iniciativas e às necessidades de quem está inserido naquela relação, na esfera pública tudo é bem diferente. Excluir as mulheres do jogo, que não podem tomar para si a iniciativa de fazer graça e de discutir o cômico, é uma forma de tornar o humor um privilégio de alguns. Pior ainda é perturbar um coletivo de milhões com a tentativa de puxar o riso quando há emoção e há choro. O humor é humano e é social.

Filmes shakespearianos

Roberto Rocha

30.11.16

Laurence Olivier, no prefácio que escreveu para a edição do roteiro de seu filme Henrique V (1944), afirma que “Shakespeare, de certa forma, escreveu para o cinema”. Olivier argumenta que, mais do que qualquer outra forma de escritura dramática, o teatro shakespeariano se prestaria, pelas suas próprias características formais, ao tratamento cinematográfico. Que características seriam essas? Roberto Rocha explica.

Contra o leitor

Bernardo Carvalho

03.02.16

Dizer hoje que se escreve "contra o leitor" é imediatamente associado à suposta arrogância e à presunção de quem diz. É uma heresia e um paradoxo, uma contradição em termos, além de ser considerado uma ofensa. Porque o leitor é um cliente e, como mandam as regras do bom comércio, o cliente vem em primeiro lugar. É o tempo do academicismo, da aplicação das normas e das convenções, do pensamento pequeno e da visão curta.

Os vivos e os mortos

Paulo Roberto Pires

01.11.12

Dia de Finados dá nisso: homenagear os mortos faz pensar nos vivos, em sua transitoriedade fatal. Santo Agostinho, que sabia das coisas e barbarizou antes de se converter, não dava muita bola para a "vida mortal". O negócio, escreveu ele, era a "morte vital", uma espécie de P.S. mais importante que a carta. Mas em matéria de transcendência, ainda fico com Otto Lara Resende (cristão e cético): morreu, babau.