Antônio Xerxenesky

Sobreviver ao Sónar

Antônio Xerxenesky

14.05.12

Cheguei ao Sónar no cair da noite, acompanhado de vários amigos, cada um com uma expectativa grande para um show diferente. Fui direto para o espaço onde seria realizado o show: um teatro pequeno, com cadeiras no fundo e um bom espaço para ficar cara a cara com os músicos. Confortavelmente sentado, vi a performance da dupla Alva Noto + Ryuichi Sakamoto, que sempre gostei de ouvir em casa, especialmente lendo algum livro, mas que, por ser um duo de ambient, imaginei que fariam um show tedioso. Estava enganado.

Escrever sem escrever – quatro perguntas a Mario Bellatin

Antônio Xerxenesky

19.04.12

O prolífico autor mexicano Mario Bellatin é conhecido como um grande expoente da ficção experimental na América Latina. No Brasil, o escritor vem recebendo destaque desde a publicação de Flores (2008) e a participação do autor na Festa Literária Internacional de Paraty. Em entrevista inédita, Bellatin respondeu a quatro perguntas do Blog do IMS.

Quatro cabeças autolimpantes

Antônio Xerxenesky

09.04.12

Por que Hal Hartley foi esquecido? Por que o sujeito que foi um dos inventores do cinema independente americano, ao lado de Quentin Tarantino, Kevin Smith e Richard Linklater não tem o mesmo prestígio? Seria por causa da artificialidade teatral de seus filmes? 

Privações produtivas

Antônio Xerxenesky

27.01.12

A proibição gerou poderosos frutos na história da arte. Basta observar, por exemplo, todos os livros e canções e quadros produzidos sob regimes ditatoriais. Muitos artistas reagiram virulentamente à castração de suas liberdades, criando, assim, obras de arte potentes e corajosas. Na opinião de um dos "homens hediondos" de David Foster Wallace, não apenas a privação, mas uma experiência de sofrimento extremo e traumático pode ser produtiva.

Mecanismos internos

Antônio Xerxenesky

10.01.12

Em um debate, o escritor João Silvério Trevisan, quando indagado sobre a relação entre escrever e narrar, discorreu sobre uma crise de representação pela qual passamos e sobre a busca pela forma ideal de dar conta de nossa realidade complexa e fragmentada. O autor também alertou que estava acontecendo um retorno aos modos tradicionais e realistas de narrar: alguns escritores, em pleno século XXI, voltavam a simplesmente contar histórias.

Coetzee e Foster Wallace: acadêmicos sem fraque

Antônio Xerxenesky

26.12.11

Há escritores que passaram por uma mudança de paradigma. Iniciaram suas carreiras fascinados por teoria literária e foram progressivamente abandonando esta paixão, até se tornarem críticos de várias facetas da academia. É o caso de David Foster Wallace e J.M. Coetzee.

O colecionador de epígrafes

Antônio Xerxenesky

13.12.11

Esses dias, estava em dúvida sobre o que ler da minha pilha de livros na cabeceira, então comecei a ver as epígrafes. Ao abrir Pornopopéia, de Reinaldo Moraes, me deparei com a seguinte frase de um "autor anônimo do século XX": "Tem dia que de noite é foda". Caí na gargalhada. (...) Moraes saltou para o topo da pilha. Uma epígrafe boa pode ter o mesmo efeito de uma frase inicial impactante.

Simulador de Robert Walser

Antônio Xerxenesky

29.11.11

Os videogames têm gozado, nos últimos anos, de um raro prestígio nos meios culturais. Não mais são associados a jogos de criança e vem sendo considerados veículos promissores para a produção artística. Até mesmo Roger Ebert, o famoso crítico norte-americano, voltou atrás em sua declaração feita em 2010 de que "videogames nunca poderão ser arte". (...) Como era de se esperar, com a introdução de uma nova mídia, surgem várias e várias tentativas de compará-la a outras. O que aproxima e afasta os games do cinema?

David Foster Wallace e LCD Soundsystem – por Antônio Xerxenesky

Antônio Xerxenesky

17.11.11

O dilema de DFW reside em como compor um texto que ao mesmo tempo reconheça as inovações formais dos modernistas sem esquecer as grandes questões morais dos realistas do século XIX. O dilema de James Murphy, do LCD Soundsystem, está em criar canções que falem ao coração do ouvinte, lutando com todas as unhas contra a autoconsciência paralisante de um artista que sabe muito bem que suas canções são mesclas calculadas de suas influências musicais e que utilizam recortes de outros músicos.

Do que não falamos quando falamos de crítica – por Antônio Xerxenesky

Antônio Xerxenesky

01.11.11

Um jornal encomendou uma resenha do livro novo de Philip Roth e também do Romance Promissor do Jovem Escritor Bacana. O Crítico Literário Hipotético começa a ler o Romance Promissor do Jovem Escritor Bacana. Observa a foto do rosto do Jovem Escritor Bacana na orelha do livro. Lembra-se que já viu o rapaz em algum evento literário, cercado de admiradores. Lembra-se das declarações polêmicas que o jovem fez nas redes sociais. Pela trigésima página, larga o livro, sem vontade de ler mais, e decide começar o novo de Roth.